Friday, September 11, 2009

Melhores publifilmes

Segue-se uma selecção dos publifilmes à Escola Secundária José Gomes Ferreira feitos o ano passado (2008-2009) nas turmas 1.ª, 2.ª, 4.ª, 5.ª e 6.ª do 11.º ano. Ficam os publifilmes com, pelo menos, 17,25 valores. A ordem não é nenhuma [os melhores foram: Bruno (19); Ana (18,75); João Af. & Ricardo L. (18,5)], mas os filmes vão aparecendo agrupados por turma: 1.ª, 2.ª, 4.ª, 5.ª e 6.ª. (De qualquer modo, todos os continuam a ser visíveis na secção de cada turma, cujos links estão umas linhas abaixo.) Vale a pena lembrar que estes microfilmes enquadravam-se na parte que o programa do 11.º ano dedica aos media e à publicidade; visavam ainda testar a expressão oral (leitura em voz alta, representação ou oralidade sem intermediação de texto escrito). Começaram a ser publicados a 20 de Novembro de 2008, dia do 28.º aniversário da ESJGF. (Publifilmes de 2008-2009: 11.º 1.ª, 11.º 2.ª, 11.º 4.ª, 11.º 5.ª, 11.º 6.ª; Instruções para a tarefa; Microfilmes de 2007-2008: 10.º 1.ª; 10.º 2.ª; 10.º 4.ª; 10.º 5.ª; 10.º 6.ª; Bibliofilmes de 2007-2008: 10.º 1.ª; 10.º 2.ª; 10.ª 4.ª; 10.º 5.ª; 10.º 6.ª.)


Brigitta & Eliana


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Eliana & Brigitta (18) Concepção Há dois momentos: primeiro, em tom levemente irónico, com música lamurienta e personagens quase caricaturais, apresenta-se o «antes» (do acesso ao desporto escolar); num segundo momento, já com com som de fundo ritmado e mais moderno, as personagens encontram o desporto escolar e surgem, já alegres, a fazerem desportos vários (é o «depois»). Tudo converge para o slogan final (em lettering adequado — e não na helvética costumada). O formato é aproveitado de modo verosímil (sem que deixe de ser também, ao de leve, parodiado). Montagem (incluindo jogo com diálogos, música, slogan e imagem final, com o salto a ser fixado) inteligente, incisiva, como convém em publicidade. Terem-se concentrado num único aspecto da escola — o desporto escolar — também beneficia o resultado, já que se fugiu a certa dispersão que por vezes se nota nos publifilmes de assunto genérico. Expressão oral Leitura sempre bem (e as frases, ora interrogativas ora imperativas, eram das mais difíceis de se ler sem se pecar por falta de naturalidade ou de clareza). Texto Há um erro grave, que, no entanto, será mais de assimilação fonética do que de ignorância gramatical. É que o plural de «qualquer» — como sei que as autoras sabem — é «quaisquer»; o indevido –s final acrescentado resulta da proximidade dos dois esses de «custos» (no fundo, um bom exemplo do fenómeno de assimilação, dado no nono ano e, proximamente, de novo no décimo primeiro). O «sau[ó]dade» de Brigitta é demasiado lisboeta (classicamente: «sa-u-dade», embora eu não quisesse tanto). Duração 1,39



João Af. D. & Ricardo L.


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Ricardo L. & João Af. D. (18,5) Concepção Aparentemente, o estilo é institucional. Percorrem-se vários emblemas da escola (em ritmo e montagem quase profissionais). No entanto — e esse é um mérito que não sei se foi sempre consciente ou se só se desenhou no momento em que a execução foi avançando —, à medida que nos aproximamos do fim, vão aparecendo trechos relativamente paródicos (de caricatura dos formatos publicitários: veja-se a parte dos depoimentos de estrangeiros, que aliás, em termos técnicos, deve ter dado bom trabalho; ou o slogan final). Essa coexistência dos dois tons (sério e paródico), em convivência impecável, é inesperada e valoriza o filme. Vale a pena acentuar o bom acabamento de tudo. Expressão oral Muito boa leitura, embora, à primeira audição, me parecesse que o Ricardo, sobretudo, adoptava uma entoação irónica despropositada. Fui depois percebendo que essa nuance se justifica pela tal progressão do filme até um registo quase desprendido, brincalhão. Texto Creio que não é verdade ter sido a escola Prémio Valmor (julgo que foi menção honrosa ou coisa que o valha; mas esse é um mito sempre repetido). Não encontro erros linguísticos. Porém, se o texto é irrepreensível, é também sobretudo institucional (o que, no meu vocabulário, tem alguma coisa de pejorativo). Duração 2,49



Joana G.


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Joana G. (17-17,5) Concepção Trata-se de formato pouco escolhido por outros alunos, mas possível: há durante boa parte do tempo um relato autobiográfico, inesperado num clip de publicidade. Essas memórias servem para se introduzirem planos da Secundária (que assim não parecem forçados). Fica implícita a mensagem de que a ESJGF é a ideal (e que esta teve um papel determinante no destino do narrador). Passa-se ao momento de publicidade mais explícita, tornado subtil pelo reaparecimento de parte narrativa (com Carolina a protagonizar o final). Expressão oral Por vezes, na leitura, a Joana tem uma expressão oral demasiado lisboeto-juvenil (comendo vogais, encavalitando uma ou outra sílaba). Não se notou isso desta vez. Texto A parte de «narrativa memoralística» tem alguns lugares comuns (o objectivo a atingir, por exemplo; a determinação nessa demanda, etc.). «Nem sempre optamos pela escolha mais certa» parece pleonástico: «nem sempre tomamos a melhor opção» era preferível. «Essa certeza não é óbvia» também não soa bem (há ainda alguma coisa de pleonástico na frase: «Isso não é certo» ou «Isso não é óbvio» é que era). «Momentos que valham a pena recordar» é, pelo menos, discutível (seria «Momentos que valha a pena recordar»). Gostei do lettering, do jogo entre slides com legendas, dos aparecimentos de imagens recolhidas sem câmara fixada. Também a música contribui para um resultado, em termos estéticos, apurado, com bom gosto. (O símbolo da escola destoa talvez. É demasiado estilizado, quando o resto era esbatido. Mas que percebo eu de artes visuais?) Duração 1,41


João G.

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João G. (17-17,5) Concepção É uma publicidade muito institucional. A linguagem é coerente com esse tom. Até as imagens fixas não são estranhas no tipo de publicidade em causa. Não sei se a música (de Era uma vez na América, salvo erro) é a indicada, mas é certo que acentua o tom grave. Expressão oral Muito boa leitura, no tom pomposo que o estilo de clip requere. Sem erros ou, sequer, hesitações (e ao longo de um texto bastante longo e cheio). Há só uma pausa um pouco artificial a seguir a um «e» (que no escrito terá uma vírgula que não tem de ser transposta oralmente: «e, num recanto secreto, [...]») e uma quase imperceptível repetição de sílaba em «Executivo», quase no final). Texto Em vez de «que os jovem necessitam», seria «de que os jovens necessitam». Em «práticas», não se ouve um «c» [*«prácticas»], pois não? Duração 2,53



Cláudia


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Cláudia (17,5) Concepção Bom ritmo, a que não é alheia a divisão em capítulos (separados por slides com títulos) Final pode parecer um tanto abrupto, repentino (para evitar chegada aos três minutos?), mas essa ideia resulta também de o slogan final se ver mal. Expressão oral Muito boa leitura, com o tom enfático apropriado à publicidade institucional (ainda que um ruído causado por algum problema técnico prejudique um pouco a comodidade dos ouvintes). A pronúncia melhor de «requisitos» é «re[kzi]tos» (pelo menos, para mim, que sou de Lisboa, como a Cláudia). Texto Texto é muito «institucional», mas, dentro desse registo, coerente. Em vez de «à disponibilidade dos alunos [está uma sala de estudo]», devia ser «à disposição dos alunos»; e, em vez de «convidando-os no futuro a serem pessoas mais não sei quê», «convidando-os a serem, no futuro, pessoas mais não sei quê». Duração 2,59


Joana L.


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Joana L. (18-18,5) Concepção Filme está equilibrado, porque houve verdadeira planificação. Recorreu-se a técnicas — e formatos — variados: vistas da escola com comentário, desenhos (de Joana?), imagens de outros intervenientes (de Gonçalo, que aparece em vários filmes, sem até agora me ter entregado nenhum), um vivo com a própria autora. Expressão oral Muito boa leitura (pausada, calma, mas expressiva, confluência difícil), dentro do tom da publicidade institucional. Também a intervenção oral (sem escrita a intermediar) no final é boa. Texto Sempre certo (adequado ao estilo institucional). Há um erro numa legenda (os pontos de exclamação duplos não existem; já agora: devemos também desconfiar da exclamação tripla e até do ponto de exclamação único — a exclamação é um sinal infantil, o ponto final quase sempre a substitui com vantagem). E não é verdade que a escola tenha sido projectada em homenagem a José Gomes Ferreira (só mais tarde se decidiu dar o nome do poeta à escola, embora tivesse sido desenhada por um dos filhos de José Gomes Ferreira, Raul Hestnes Ferreira). Duração 2,18



Sílvia


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Sílvia (18) Concepção Reconheçamos que podia ser um microfilme autobiográfico, embora dê também como publifilme (se esquecermos que nunca um anúncio podia fazer contrastar — mesmo para os gabar a ambos — dois produtos; e que há um certo um certo despojamento — ausência de música, por exemplo — relativamente raros em publicidade). É um anúncio em simetria: começa-se com a fachada do Liceu Francês, termina-se com a da Secundária de Benfica. Engraçado: os últimos filmes que tenho comentado referem bastante os aspectos de «socialização», como vocês diriam. Foca-se um lado das escolas (almoços no Colombo; croissants de chocolate não sei onde; o bar quentinho da D. Ana), que é, quanto a mim, aquele que é decisivo para os alunos (e o que mais recordarão). Expressão oral Boa leitura em voz alta, aliás muito boa, se tivermos em conta que o texto não é curto e que quase não há falhas (ritmo certo, boa pronúncia, nenhuma pontuação forçada nem lapso de entoação). O «quase» tem que ver com a pronúncia de «Secundária», por duas vezes dita «Se[g]undária» (é um erro que podíamos pensar ser galicismo — o que até seria compreensível na Sílvia — mas que tenho percebido ocorrer frequentemente na fala de todos os jovens); creio haver também uma pausa indevida em «este edifício / enorme» (mas há ambiguidade de sintaxe que permite também a pontuação); quase no final, respiração ouve-se. Texto Muito bem escrito. Inteligentemente, é um texto preparado para poder ser lido sem dificuldades excessivas. (Na primeira parte do filme, os «seus» e «meus», tal como os diminutivos, têm valor estilístico e, portanto, não podem ser confundidos com a mudança em curso que leva a que se abuse dos determinantes possessivos.) Frase final pode ou não ser percebida como slogan («Escola Secundária José Gomes Ferreira / Demorou um bocado, mas encontrei-a», com uma quase-rima). Duração 2,18


Hugo & João A.


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João A. & Hugo (17-17,5) Concepção Excelente ideia: o formato de fotonovela permite que os diálogos, mesmo que inverosímeis, se tornem aceitáveis, enquanto que tudo fica com um pátina «retro». Ao mesto tempo, desprendidamente, vão-se gabando características da escola. O género — folhetim em banda desenhada — tem índole narrativa, o que leva a que o texto seja mais limpo, menos complexo do que o de um filme expositivo-argumentativo. Quanto a mim, poderia o episódio continuar mais umas dezenas de segundos, com outros louvores à escola. Expressão oral Boa. Não notei falhas. É verdade que a estilização da historieta permite que a própria expressividade da leitura seja facilmente controlada. Uma das intervenções mais difíceis, por implicar impaciência, euforia, entusiasmo, ficou a cargo de alguém que não se quer ver associado a este filme mas que leu realmente bem. João A. diz «Se[g]undária», o que, como aconteceu a mais três colegas, se perfila como uma mudança linguística em curso. Texto Nos balões, acrescentaria uma ou outra vírgula (por exemplo, a seguir a interjeições). No trailer, «Um grupo de jovens» implicaria «então, decide» (e não «então, decidem»). Quase no final, «vamos mesmo para esta escola!» devia ser «vimos [...]». Duração 1,48


Rui


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Rui (18-18,5) Concepção Houve grande mérito na escolha de um formato incomum (e afinal, vendo bem, até bastante presente em publicidade — os clips promocionais dos canais de televisão, em que vão surgindo os jornalistas e artistas ligados à estação, têm as mesmas características). É em função da música e da letra (criada pelo autor) que surgem imagens, fragmentárias, em geral com pessoas em situações de boa disposição. Isto implicou dois trabalhos de coordenação (pelo menos): do texto com a música; depois, uma vez interpretada a canção, entre esta e as imagens (ora slides ora filmes). Expressão oral Terei de me cingir à pronúncia (não notei erros); problemas de pontuação não se põem, mas, em compensação, podia haver situações de má interpretação em função da música e não me parece que haja: o Rui canta muito bem (embora essa seja área que não domino). Texto Não seria um grande texto, se o avaliássemos pelo critério de relação entre música e poema nos moldes das canções convencionais. No entanto, é óbvio que, voluntariamente, adoptou-se uma abordagem paródica ou o género musical admite mesmo que as frases fiquem, aqui e ali, forçadas pela melodia. Um erro ortográfico: é «Bem-vindo» («Benvindo» é o nome de pessoa; «Bemvindo» não é nada). Duração 2,29



Ricardo V.


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Ricardo V. (17,5) Concepção É um filme muito institucional, mas que, apesar dos constrangimentos deste formato, consegue alguma novidade e, sobretudo, bastante «profissionalismo» (é a palavra que me ocorre para dar conta do bom acabamento, da completude do filme, dentro do estilo, sério, que se adoptou). A esta ideia de rigor na execução não é estranha a escolha das imagens (são fotografias originais), o domínio do tipo textual que estava em causa, a música (mais de documentário promocional do que de anúncio típico), evidente boa planificação de tudo. A intervenção final dos dois irmãos interrompe o estilo ‘documentário sobre resort para um programa sobre o mercado imobiliário’ (isto é elogio, note-se), mas mantém a mesma aura de boa execução. Expressão oral A leitura é muito boa. Não notei falhas ou mesmo simples hesitações. Na pequena parte de representação, Catarina consegue um estilo ainda mais convincente do que o do autor-actor. Texto Não fica a sensação de repetição de lugares comuns de louvor à escola, ainda que, de certo modo, seja mesmo isso que se faz. Só que até aí há certa contenção (e a perfeição do conjunto também matiza o que pudesse ser sentido como elogio desbocado). Mas não se pode dizer que seja um texto inventivo (o que aliás, bem sei, o formato escolhido não permitia). Ainda assim há erros: deve dizer-se que a escola foi «projectada» (a escola não foi «visionada» por Hestnes Ferreira). E dentro da factualidade: não foi o arquitecto que escolheu o pai como patrono (bastante mais tarde é que se decidiu —se bem lembro, na esteira de ideia de Maria Eugénia Cochofel, professora na escola e filha do poeta de que ainda recentemente falámos, João José Cochofel, grande amigo de «Zé Gomes» — que a Secundária de Benfica adoptaria o nome do pai de Raul Hestnes). Duração 2:35.


Inês


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Inês (17-17,5) Concepção A linha seguida no início («no seu tempo era assim», agora...) podia ter sido mais aproveitada. Segue-se-lhe caracterização da escola — correcta, talvez demasiado institucional. Pareceu-me que o estilo de texto, encomiástico, convencido, empresarial, pedia imagens mais rápidas, a acompanhar com o seu dinamismo a «excelência» (palavra que aliás detesto) de tudo. Também uma música mais eufórica faria bem ao conjunto. Expressão oral Muito boa leitura. Texto Já fui falando do texto (em cima). Slogan («Porque o futuro começa aqui») é estruralmente correcto, mas julgo-o já conhecido. Uma falha de sintaxe: «o acompanhamento [de] que necessitam» (tem de haver preposição); também «o que o seu filho necessita» tem de ficar «aquilo de que o seu filho necessita». Duração 2,05



Sara A. & Sara C.


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Sara C. & Sara A. (17,7-18) Concepção Muito boa planificação, revelada na simetria que há — entre início e fim do filme —, na exacta correspondência entre imagens, recolhidas com cuidado, e os elogios à escola, e no próprio texto. O formato dialogal permite resolver um dos problemas que encontrei em outros filmes: como descrever a escola, e gabá-la, sem se tornar demasiado institucional. Ora, é a leve ironia que advém da conversa — ingénua, é claro — que faz que o percurso pelas qualidades da escola não se torne «cinzento». Expressão oral Boa leitura. (É verdade que a leitura seria ainda mais difícil se não se tivesse assumido uma espécie de caricatura da pergunta-resposta escolares. Assim, é aceitável que a leitura em voz alta seja artificialmente escolar, sobretudo nas perguntas ou no exacto momento de se retorquir.) Só ouvi uma ou duas más pronúncias (um quase «desfurtar», por «desfrutar»; «pr[os]ionar» por «proporcionar». Há hiper-pontuação oral em «E, sim, [...]». Sara A. hesita um pouco em «dentro da / escola». Texto Já fui falando do texto em cima (a virtude maior foi a idealização do género). Quase não encontrei problemas. Só estas falhas muito localizadas: em vez de «as suas acessibilidades», «as acessibilidades»; nos agradecimentos, falta acento em «Cláudia»; evitaria usar muito «existe», preferirndo-lhe o simples «há». Duração 3,28


Joana


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Joana I (17-17,5) Concepção Parte-se de uma série de perguntas (não respondidas: «Achas a escola uma seca?», etc.). São elas o pretexto para a descrição das características da escola. Ou seja, o estilo descritivo dos filmes mais institucionais é evitado, mas não deixando de se fazer elogios à escola — porém, enquanto respostas, como frases imperativas). Através deste modelo, consegue-se aliar a brevidade que convém à publicidade com um retrato bastante completo do objecto do anúncio. Embora isso não seja relevante em termo de exercício escolar, sente-se a falta de algum tipo de som para além do da leitura. Expressão oral Excelente leitura em voz alta (decerto, das melhores de todos os publifilmes). E deve dizer-se que o texto obrigava a várias entoações, ditas rapidamente, o que a tornava especialmente difícil. Texto Em cima, expliquei o formato ficticiamente dialogal e aludi às suas vantagens na economia do estilo publicitário. Só defenderia que se tivesse tentado encontrar algumas fórmulas discursivas que pudessem ser mais surpreendentes (penso sobretudo no slogan — «Diz sim à melhor escola de Lisboa! / Diz sim à Escola Secundária José Gomes Ferreira» — que, sendo «certinho», não é criativo). Uma falha de regência: «Usufruires os intervalos» é pior do que «Usufruires dos intervalos». Duração 1,22


Catarina F. & Carlota

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Carlota & Catarina (17,4-17,5) Concepção O estilo é o que vejo, por exemplo, nos filmes de promoção das próprias televisões: ao mesmo tempo que se vai, bastante imperativamente, dialogando com um destinatário virtual/universal — os alunos que ainda não se tenham decidido a frequentar a ESJGF —, vão aparecendo os actuais alunos em atitudes que acentuam a sua alegria (e, em geral, o bem-estar que resulta da escola em causa). Este desfile dos que já estão na escola para, frente à câmara, explicitamente, manifestarem a sua alegria, lembra as tais campanhas dos canais de televisão, quando são os jornalistas e outros trabalhadores que vão aparecendo a manifestar-se, encarando a câmara com expressões de optimismo. Essa sensação de alegria é bem transmitida, também pelos ângulos usados, pela montagem de curtas sequências. Música também vai bem com esse ritmo. Expressão oral É muito boa, até porque se deve ter em conta que não era um texto fácil de ler (o fingir o diálogo com um destinatário ausente, as frases informativas, pelo meio; a necessidade de imprimir estilo vivo). No entanto, ainda conseguiriam fazer melhor ambas as autoras (Catarina: ouvi excesso de «pontuação» em «e, a melhor decisão [...]»; também certa tendência para ligações indevidas, por se tratar de um texto que deveria ser formal, como em «é aquica», por «é aqui que a», ou em «qu’andando» por «que andando», «[ju]logia» por «g[i]ologia»; Carlota: em geral, ligeiríssima velocidade a mais; «’tá» em jogo, num oral formal, ainda não é tão aceitável como «está em jogo»; ligeira hesitação em «passar [...] os melhores momentos da tua vida»). Texto Há boa lógica na construção: uma fase de pergunta, que se apoia na metáfora da porta, seguida pela resposta, o elogio da escola. Esse elogio tem como tema agregador, como já fui dizendo, a alegria, a «socialização». Só criticaria uma certa cedência, por vezes, a lugares comuns da publicidade (‘tomar decisões’, ‘inesquecíveis, ‘aprender o que é viver’, ‘estar na altura de mudar’), Na última legenda, «Ferreira» está com minúscula. Duração 2,35



Filipa


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Filipa (17,5) Concepção Boa ideia a da Filipa: reunir num filme à ESJGF pessoas generosas como são os funcionários da escola. Por mim, só tenho pena de que não estejam tantos outros, todos os outros com quem trabalhamos. Mais tecnicamente: resulta muito bem a justaposição dos trechos das entrevistas (as respostas de cada entrevistado lado a lado, em sucessão rápida, em vez de se apresntar cada depoimento seguido). Excelente final (o depoimento do Sr. Brás tem a ironia apropriada para conclusão). Percebe-se que houve planificação cuidada, o filme fica muito equilibrado, funciona como evocação que se segue bem (dir-se-á que não é bem um filme publicitário, mas pode contrapor-se que não são inéditos os clips de homenagem como estratégia até de campanhas da publicidade comercial). Expressão oral Boa, mas com aspectos melhoráveis. Notei uma pausa indevida «e // a presença permanente na abertura e no fecho»; também ouvi um caso em que se seguiu demasiado a pontuação escrita («nos darmos conta que, sem eles, [...]»): há vírgulas que não devem corresponder a pausa na oralidade. Texto O texto, longo, é quase sempre correcto, conseguindo resolver os problemas que se põem ao estilo adoptado (talvez mais institucional, mais «grave», do que era necessário). Em vez de «a boa rentabilidade dos alunos», devia ficar «o bom rendimento dos alunos»; em vez de «absorvido das nossas actividades», «absorvido pelas nossas actividades» (e nessa mesma oração, consecutiva, falta o «tão»). Um quase-erro que ouvi duas vezes»: «Na ESJGF, os seus funcionários [..]» (o possessivo fica mal, não é?). Duração 2,49



João Maria


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João Maria (17-17,5) Concepção Não há nunca — aliás, a não ser no final — imagens recolhidas propositadamente. No entanto, isto não prejudica o clip, já que se trata de, precisamente, justapor imagens, até que se chegue aos fotogramas finais, esses sim, significativos. Por outro lado, a agregação das imagens é feita sempre com inteligência. [Saber eu o exacto tamanho dos segmentos colados não é despiciendo, já que haverá mais mérito se os segmentos montados forem curtos, como julgo que efectivamente eram. Se os trechos aproveitados fossem de extensão razoável logo à partida, ficava desvalorizada a concepção] Música é importantíssima na economia do filme. As frases curtas (depois de texto propriamente dito, vêm sintagmas nominais e, no final, séries de infinitivos mais nome), as imagens pouco demoradas, a música, que parece ir crescendo, vão-nos preparando para um apogeu (que é a ESJGF). Este final pode até ser pouco enfático (que a sua força resulta da acumulação de elementos até lá). Expressão oral Boa leitura em voz alta (muito mais na velocidade conveniente do que em anteriores ocasiões, em que tendia o João a ser excessivamente rápido). Pronúncia de «supercialidade» não está impecável. «Curva» do slogan final também era melhorável (mas aqui talvez sejam aspectos técnicos que não estejam perfeitos). Texto Escolheu-se bem a sintaxe, em fórmulas breves e repetidas (já fui dizendo: sobretudo infinitivos, com valor imperativo quase), o que é apropriado à economia, à síntese, típicas da publicidade. «Renovar jovens» não é feliz; talvez melhor: «fazer novos jovens» Duração 1,13



Bruno


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Bruno (19) Concepção Repare-se na simetria: filme começa com toque (embora a escola não o tenha) e termina com o miar do Tareco. É uma marca da capacidade de construir, de conceber pensando nas etapas todas, que é tão necessário na economia de filme de publicidade. Depois de incisivo exórdio (em que se capta a atenção porque se trata de perceber porquê tanto êxito na ESJGF), escolhe-se um formato de pastiche, aliás de paródia, de filme de aventuras ou documentário à Richard Attenborough. Adoptada uma linha narrativa, a passagem das ideias da publicidade escusa de se socorrer de lugares comuns. Sem se deixar de mostrar a escola, a suposta recolha de imagens pelo Tareco permite mostrar ângulos e assuntos inesperados, com ironia gentil. Expressão oral Também é esse formato que autoriza um estilo de locução que pode ser ora sério ora expressivo-caricatural (as partes de diálogo). O autor mostra-se eficiente nos dois registos (talvez mais no segundo, precisamente o mais difícil). Texto O que se disse em cima sobre a vantagem do formato escolhido só é verdade porque a escrita envolve com inteligência o que se planificara.«Por onde foi treinado rigorosamente a ir» estará muito próximo da agramaticalidade (mas parece-me aceitável). Duração 2,28



Ana


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Ana (18,5-19) Concepção Assunto não é exclusivo da escola José Gomes Ferreira, mas há alusões suficientes (no lixo, na camisola) para considerar o filme como de ‘publicidade institucional a um aspecto que também interessa à escola e por esta enquadrado’. Filme evidencia engenhosa planificação, porque há vários níveis que se completam (o dos cartazes, o da própria reprentação, o do texto lido, o da música). Em termos de montagem, esta estrutura há-de ter implicado várias sincronizações que imagino complicadas. O que se percebe é que foi tudo bem acabado («perfeito»), porque foi, desde o início, bem concebido. Expressão oral Muito boa leitura. (Mímica também entra aqui e também foi muito boa.) Texto Muito bom texto. Duração 2,02



João G. & Augusto


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Augusto & João G. (18) Concepção É uma paródia da própria publicidade. Essa brincadeira é, em geral, muito bem sucedida (e todos sabemos como é difícil fazer humor sem se cair em piroseiras). Devo dizer que a parte em que há espécie de pastiche de personagem de Gato Fedorento (é, creio, o «filósofo matarruano») — ainda que revele boa execução — seria, quanto a mim, das mais prescindíveis. Excelente montagem, conseguindo-se o ritmo típico da publicidade mais profissional (o tal depoimento é que quase desequilibra a boa organização do clip. Expressão oral Augusto mostra muitas capacidades de representação; e o João, de leitura em voz alta. Texto em off é quase sempre muito bem lido (e o registo implica uma expressividade que não facilitava a tarefa). Falha: «Secundária» é dito «Segundária». Texto O que digo em cima sobre a dificuldade de se fazer uma paródia é ainda mais verdade para o texto. Ora o texto nunca fica falhado, o que significa que foi bem escrito. Num dos slides finais, falta acento em «câmera» (ou «câmara»). Duração 2,59


Susana


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Susana (18-18,5) Concepção Muito diferente de todos os outros filmes, aproveitando-se bem minimalismo da «acção», estilização dos desenhos (que, aliás, resultam muito expressivos), aceleração das imagens, articulação com música (bem escolhida porque contribui bem para o crescendo que é necessário a que a sequência dos desenhos pareça mais óbvia). Todo o conjunto está bem acabado. Além de ideia original, houve execução meticulosa de tudo. Final com uma fotografia parece-me desnecessário (talvez quebre um pouco a grande coerência, em termos gráficos, mantida até aí). Expressão oral Muito boa leitura. Texto É um texto que se percebe ser mais planeado enquanto ilustração dos desenhos do por si mesmo. Não parece, até por isso, complexo ou digno de muitos comentários. E, dado esse seu objectivo, a redacção cumpre completamente. Olhando mais de perto, veremos que a síntese conseguida, tão necessária em publicidade, implica já decisões de escrita interessantes; há ainda alusões irónicas, através da relação entre os que é dito e o que inscrito nos desnhos. dizeres. Notei numa das legendas finais erro que não é notório: «metro», palavra que, sendo grave e sem nenhuma circunstância especial, não tem de levar acento [Mas retiro isto, já que, segundo me diz Susana e eu confirmo agora, não se trata de acento mas de barra do «t»; não há erro nenhum, portanto]. Duração 3,34 (o que é mais do que se combinara)


Carolina


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Carolina (17,3-17,5) Concepção O foco é na especifidade da escola, em virtude da sua arquitectura. Grande parte do filme, apresenta slides com vistas da escola (apenas com dizeres em legendas). Há bom sentido visual nessa apresentação, a série de fotografias é elegante. Essas fotos (tiradas pela própria Carolina?) parecem-me muito boas. Também o tratamento das imagens (e da montagem?) dos trechos inicial e final revela tratar-se... de aluna da área de Artes. Enquanto metáfora da sofisticação do ambiente, do seu apuro estético, a apresentação das imagens da escola é anunciada por personagem (representada pela própria autora) que se caracteriza pelo extremo requinte (caricatural); esta estratégia publicitária — das que remetem para fora do universo quotidiano — tem alguma coisa de histórico, de datado. A música é muito apropriada ao estilo que se visa recriar. Expressão oral Boa leitura na parte inicial (a voz não é «em vivo», embora a personagem vá representando também), embora talvez ligeirissimamente apressada; boa fala também, agora já em representação — ou é simples sobreposição? —, no fim. Texto Consegue-se um texto que respeita a brevidade conveniente a este estilo de publicidade e que, ao mesmo tempo, dá ao espectador o necessário para inferir tudo o que se pretendia passar. Não notei nenhum erro nem formulações que de imediato me parecesse deverem ser alteradas. Não gosto da sigla «ESJGF» num dos slides. É uma das raras quebras da sofisticação geral. Duração 1,04


Filipa


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Filipa (18-18,5) Concepção Procura-se primeiro fazer uma série de perguntas relativas às motivações do destinatário com que se assume estar a conversar (e que são os possíveis interessados na escola, o público-alvo afinal). Estas perguntas são ilustradas com imagens que têm leve conotação cómica (pela situação, pela represntação, pelo tratamento das imagens). A primeira série de perguntas destinava-se a criar um contraponto à escola ideal (seriam perguntas retóricas, à espera de um «não» óbvio — na verdade, de alguns dos defeitos apontados nessas perguntas não me parece esteja isenta a ESJGF: angústias por testes; farnel; ...). Seguem-se mais perguntas, desta vez optimistas. Das respostas a essas perguntas, de novo ilustradas com pequenas representações, inferir-se-ão as características — superlativas, já se vê — da ESJGF. No final, vem a consequência do inquérito feito: «[então,] faz a escolha mais conveniente». Nesta fase da conclusão, faz falta algum recurso que acentuasse estarmos agora perante um novo momento (surgir uma música alegre?). A articulação entre texto e imagens é sempre boa. Capítulos (perguntas/situações) foram inteligentemente criados. Expressão oral Muito boa dicção. (No final, no tal momento de definir um novo estilo, talvez devesse ser mais rápida a leitura?) Texto Bom texto (como já fui explicando em ‘concepção’). Não encontro nenhum problema de sintaxe ou de ortografia. O slogan-provérbio não me parece o ideal para o estilo de clip. Como tudo o publifilmeré bastante discursivo, devia apostar-se numa frase mais inesperada, mais sofisticada, a implicar outro nível de descodificação. Duração 2,55



Joana L. & Raquel


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Raquel & Joana L. (17,8-18) Concepção Quero salientar o sentido do ritmo, da velocidade, da síntese, tão necessários na publicidade (na televisão, genericamente). Não há no filme segundos desperdiçados, imagens desnecessárias. A abordagem é paródica, o filme é assumido pastiche dos anúncios do Mini-Preço. Os depoimentos, justaposição de respostas de vários a entrevistados a uma mesma pergunta, resultam bem. (Este efeito também foi praticado por Filipa, do 11.º 4.ª — e também aí com bom resultado.) A partir de então, o filme torna-se mais ilustrativo, mesmo narrativo. No final, música e aceleração das imagens (ou rapidez de Joana?) aludem ao cinema mudo (e, creio, sempre ao anúncio que citei). Slogan fecha o anúncio, com as autoras/actrizes em uníssono (a coordenação, o trabalho de equipa, também me pareceu ser um dos pontos fortes). Expressão oral Não há muitas falas, porque aqui não contam os depoimentos, mas as que há exigem estilos variados (apresentação neutra «ao vivo»; apelo; pergunta-convite; slogan), cujos matizes específicos foram bem dados. Esses matizes não eram fáceis em termos da entoação, implicando mais dotes de representação do que a mera leitura em voz alta. Texto Sempre bem o texto, e nisto se deve incluir a concepção narrativa que já gabei em cima. No slide com o slogan, teria ficado melhor uma fonte (de letra) menos banal (estará uma arial ou helvética, que são das letras mais «amadoras»). Todo o filme parece profissional; esse lettering destoa. Duração 0,52


Inês & Joana C.



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Joana C. & Inês (17-17,5) Concepção Em vez de se repetirem os elogios à ESJGF — e eu, depois de rever tantos filmes, para os comentar, até já estou contra a escola, de tanto ouvir dizer que é excelente, que tem salas, que tem blocos, etc. —, preferiram as autoras apresentar série de pequenas encenações que salientam características da escola (mostrando-as, mais do que as descrevendo). Nestes fragmentos da vida escolar, o papel de Inês e Joana terá sido o de coordenarem os colegas e, decerto, criarem as situações. Foi uma boa ideia ter quase todos colegas como intervenientes. A abordagem é original. (Quanto a mim, o estilo caricaturado de Zé Diogo destoa; a ironia que percorre todo o filme vem das pessoas serem apanhadas em instantâneos verosímeis — ainda que estilizados e quase sempre interpretáveis ironicamente. A sobre-representação do Zé é quase dissonante.)
Expressão oral Não me é fácil ser conclusivo neste domínio, já que não posso avaliar a represntação dos colegas que colaboraram enquanto actores. As intervenções de Joana e de Inês são bastante correctas. A leitura do último slogan ouve-se mal (creio que mais por problema técnico do que por outro coisa). Texto Não há aqui muito a dizer, porque os aspectos textuais, neste caso, misturam-se com a concepção: reportar-se-iam sobretudo à planificação das pequenas narrativas. Gostei também do rigor nas legendas. Duração 2,16


Pedro & Ana



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Ana & Pedro (17,5-18) Concepção Boa ideia a da divisão em capítulos. Consegue-se assim bom ritmo, sem se gastar muito tempo em momentos de ligação. Música no momento em que caem esses slides separadores também resulta bem. Os títulos resolvem ainda o que, não fossem eles, teria de ser dado através de discurso (ou desenvolvido em muitas imagens). Assume-se não se usar a voz off, e é um dos autores (primeiro, sobretudo Pedro; depois, mais vezes Ana) que vai ligando os temas às sequências que mostram (fingindo-se repórteres, aproximam-se dos colegas e dão esses instantâneos da escola; por vezes recolhem depoimentos). Tudo isto há-de ter exigido bastante planificação ou muito trabalho de montagem (ou as duas coisas). Captação de som é que era melhorável. Expressão oral Trata-se aqui de representação (ou de declamação e pequenos trechos decorados). Devo dizer que achei que, em geral, o Pedro mostrou mais facilidade nessas pequenas representações do que Ana (Ana decorou os trechos e, por vezes, tropeçou um pouco, embora quase imperceptivelmente; Pedro parece estar quase a improvisar mas consegue ser bastante natural). Som da Ana está menos bem captado do que o das partes em que intervém Pedro. Texto Os textos (perguntas, ligações, instruçoes ou pequenos comentários) têm boa sintaxe e foram criados com inteligência. Há um erro no slogan final, aliás bem escolhido e representado (é que a escola fez este ano vinte e oito anos). Duração 3,48 (um pouco mais do que se combinara, portanto)