Wednesday, August 24, 2016

Pessoa pelo 12.º 8.ª



Seguem-se trabalhos em torno de poemas de Pessoa. As instruções para esta tarefa ficaram aqui.

«Não, não é cansaço...» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/228 | Zé (18,5) No fundamental, assume-se o texto de Campos como espécie de reflexão biográfica, caricaturada depois pelas imagens. Depois há criação de conclusão da lavra do autor, bem redigida, concluindo-se com citação de utro poema. Muito boas planificação e coordenação (relativamente complicada porque exigia a coincidência, na montagem, de leitura em off e referências ilustrativas — irónicas, quase sempre — filmadas e em que intervém o próprio autor). Há pequenas trocas do texto de Campos aqui e ali. A corrigir: «Eu confesso» (Confesso); «que se entranha» (que se me entranha); «que não se desdobra» (que nele se desdobra).

Ana Filipa
«Todas as teorias, todos os poemas»; «Todas as opiniões que há sobre a Natureza»; «O que ouviu os meus versos disse-me: Que tem isso de novo?»; «Sempre que penso uma coisa, traio-a»; «Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas»; «A espantosa realidade das coisas» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/2662; http://arquivopessoa.net/textos/364; http://arquivopessoa.net/textos/2578; http://arquivopessoa.net/textos/2673; http://arquivopessoa.net/textos/3344; http://arquivopessoa.net/textos/3364 | Ana Filipa (13,5-14) Trata-se só de leitura em voz alta, de vários textos de Caeiro. Talvez que a leitura em voz alta, que é fluente, devesse ser ligeriramente mais lenta (aproximar-se-ia mais da expressividade «neutra» que imaginamos para textos de Alberto Caeiro). Quanto às imagens, até serão bem encontradas mas não são originais (e a passagem de filme, primeiro, a um único slide, depois, é pouco elegante). Teria sido possível abordagem menos extensa e mais pessoal, inventiva.

Xana

«Liberdade»; «A tua voz fala amorosa...»; «Dá-me as mãos por brincadeira» | http://arquivopessoa.net/textos/4307; http://arquivopessoa.net/textos/3610; http://arquivopessoa.net/textos/1153 | Xana (12) Deve começar por dizer-se que o primeiro dos textos está no manual («Liberdade», p. 57), não deveria ter sido escolhido. A leitura desse primeiro falha, por vezes, nas pausas (que nem sempre respeitam a sintaxe do original). A corrigir:«O sol doira sem literatura ?? corre. Bem ou mal [...]» (O sol doira sem literatura. O rio corre, bem ou mal.);«quanto à bruma» (quando há bruma). A leitura dos outros dois textos tem menos problemas, é fluente, embora também não seja muito expressividade. Houve pouca criação pessoal. Os slides serão googlados.

Jonnes
«Poema em linha reta» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/2224 | Jonnes (17-17,5) Imagens próprias, com bom «grafismo. Muito boa leitura em voz alta, sem erros, expressiva. É certo que, depois de vermos a interpretação de Osmar Prado em O Clone, é difícil não esperarmos uma abordagem semelhante, mais dura, mais irritada; mas um dos méritos de Jonnes é precisamente ter conseguido uma interpretação também plausível sem adotar o estilo do ator citado. Talvez falte a este trabalho apenas alguma criação própria de ordem textual.

Kristina

«Não quero recordar nem conhecer-me» | http://arquivopessoa.net/textos/2792 | Kristina (12) Criaram-se trechos próprios, que se vieram acrescentar ao original de Reis. Quer esses trechos, em termos de redação, quer a leitura em voz alta têm nível bastante aceitável. De qualquer modo, parece-me que houve pouca ambição. Podia ter-se inventado situação criativa, mais complexa. Em termos de imagem, houve o mérito de se fazer desenho, mas trata-se de apenas um slide único, solução também económica (apressada). Não se chega a cumprir o tempo mínimo estipulado.

Kiki

«Havia um menino»; «Levava eu um jarrinho»; e três dos textos de «Versos tontos para entreter crianças» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/4270 e Manuela Nogueira, O Meu Tio Fernando Pessoa, Vila Nova de Famalicão, Editora Centro Atlântico, 2015 | Kiki (16) Trabalho interessante e original por nos mostrar um Pessoa diferente (os poemas em causa são menos do poeta do que do tio) e por articular essa face de Pessoa com circunstâncias da própria autora do presente microfilme. A leitura dos poemas, no estilo leve adequado à brincadeira que eram, pareceu-me melhor do que a do enquadramento inicial (aqui o texto teria de ser dito com mais pausas, quase a fingir uma conversa, para que ficasse claro o contraste com os «poemas a Lili»).

Madalena F.

«O amor, quando se revela» (Fernando Pessoa) |
http://arquivopessoa.net/textos/1318 | Madalena F. (17) Houve criação de texto próprio, bem redigido. Leitura em voz alta muito boa. Boa escolha de música. Também foram bem escolhidas as imagens, mas é pena que a parte visual não usasse recursos originais.

Matilde
«Amei-te e por te amar» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/2230 | Matilde (17) Há texto e filme próprios. Leitura em voz alta é boa. Redação é razoável, articula-se bem com texto de Pessoa, mas tem alguns lugares comuns. Não chega a haver leitura seguida de um mesmo texto único de Pessoa (leem-se algumas estrofes). A corrigir: «*em que tocas [...] e dás-me [...]» (em que tocas [...] e me dás [...]); «*simples e meras flores» (simples flores); «*mas não sei o que se passou» (mas não sei que passou); «*e deixou de o haver» (e deixou de haver).

Miguel
«Ah quanta melancolia!»; «A quem a Natureza não fez belo»; «Há música. tenho sono»; «A morte chega cedo» | http://arquivopessoa.net/textos/3744; http://arquivopessoa.net/textos/1134; http://arquivopessoa.net/textos/3670; http://arquivopessoa.net/textos/2254 | Miguel (18+) Bom ritmo, promovido pela divisão em peripécias autónomas, correspondentes a cada um dos poemas. Criatividade na invenção de situações quotidianas (encenadas, representadas e filmadas) associáveis aos poemas (lidos, em geral, em off). Muito boa leitura e representação. Lapsos na leitura: «*Ah que melancolia» (Ah quanta melancolia); «*destino selo» (destinado selo).

Stefanie & Sara
«Há metafísica bastante em não pensar em nada.» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/1482 | Sara & Stefanie (18) Resulta muito bem o efeito de polifonia conseguido pela sucessão de falas (ou perguntas/respostas) assumidas por cada uma das autoras. Muito boa leitura, sem falhas. Há texto próprio, sobretudo no final — a sua redação é proficiente, embora talvez sem mérito excecional. Imagens, recolhidas pelas autoras — meritoriamente —, e a própria música escolhida não parecem entretecer-se facilmente com os textos lidos (diria que ficam sempre como corpos estranhos — provavelmente, se fossem menos ilustrativas, menos denotativas, sentir-se-ia menos esta estranheza; uma música menos característica, menos típica, facilitaria outra coerência).

Vasco Af.
«Saí do comboio» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/932 | Vasco Af. (16,5) Criou-se narrativa onde se vai integrar o poema. Essa narrativa é pertinente e revela originalidade. Na leitura em voz alta houve boa expressividade (embora talvez não no estilo que mais identificamos com a poesia de Campos). Imagens são bonitas mas não são do autor. Boa integração da música, realçando expressividade. A corrigir: «*amigo causal» (amigo casual); «onde a não a tratavam bem» (onde a não tratavam bem». No texto redigido há uma expressão relativa que não me parece gramatical: «*na qual» (?).

Catarina S.
«Natal... Na província neva» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/2449 | Catarina S. (16,5-17) O poema de Pessoa, neste caso, serviu sobretudo de pretexto. Há bastante redação da autora, em estilo que começa por ser expositivo (o que eu desaconselhara). A pouco e pouco, o texto acaba por servir uma abordagem memorialística, o que é mais acentuado pelas imagens. Por vezes, há marcas de informalidade, aceitáveis talvez num resgisto que deixa de ser leitura em voz de texto escrito e é de quase oralidade em conversa («embora já não escreva cartas ao Pai Natal, [*mas] ainda me lembro de quando o fazia). Passa-se, portanto, de Pessoa ao próprio «eu» do comentário (e aos natais e à família). O resultado é original. Leitura aceitável, mas nem sempre impecável (e, no caso do poema, fluente mas não especialmente expressiva).

Elly
Ah querem uma luz melhor que a do sol!» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/2582 | Elly (16) Trata-se de filme em que a própria autora do trabalho surge como leitora, declamadora, atriz, enfrentando assim a câmara. Neste tipo de leitura («em direto»), o risco é maior do que com a leitura em off. Mas a Elly saiu-se bem. Há muitos momentos de boa expressividade (embora, quando se trate de texto próprio, me pareça ser o estilo, aqui e ali, demasiado enfático). O texto é sobretudo próprio — e está bem escrito, embora com um ou outro lugar comum —, começando por se articular com o de Caeiro (talvez pudesse haver aliás mais texto de Caeiro — o resto do poema). A corrigir: «adimirados» (admirados); e houve um «sejamos» que não saiu bem. 

Filipe

«Dizes-me: tu és mais alguma coisa» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/3358 | Filipe (15,5) Imagens, salvo erro, googladas. Música bem escolhida e inserida. Leitura em voz alta podia ser mais ensaiada Há boa expressividade na parte mais oratória, em que o «eu» mais conversa do que lê — texto interessante, marcante, este criado pelo Filipe, embora, a certa altura, pareça haver o risco de ele se repetir —, mas nem tanto no poema de Caeiro, cuja leitura é apenas correta e aceitável. A corrigir, quanto a leitura: «*é a real» (é real); quanto a redação: «*dedicar para» (dedicar a).

Ana
«Vou com um passo como de ir parar» (Fernando Pessoa); «Deste modo ou daquele modo» (Alberto Caeiro); «Qualquer caminho leva a toda a parte» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/3615; http://arquivopessoa.net/textos/1104; http://arquivopessoa.net/textos/3859 | Ana (15,5-16) Bom filme, porque se percebe ter havido o objetivo de o tornar significante também, não mero fundo visual para o texto dito. E esse objetivo, creio, foi conseguido. Música também se integra bem nesse projeto. Texto da Ana acrescenta-se aos de de Pessoa/Caeiro e está bem escrito. Leitura é boa, fluente. Tempo mínimo não foi atingido (creio que, para aumentar a duração do trabalho, bastaria aproveitar o texto completo dos poemas, mantendo-se estes articulados com os segmentos criados pela autora). A corrigir: «*Os caminhos estão [em] todos em mim».

Madalena S.

«Não ter emoções, não ter desejos, não ter vontades»; «Ah a frescura na face de não cumprir um dever!»; «Estou cansado da inteligência» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/916; http://arquivopessoa.net/textos/2543; http://arquivopessoa.net/textos/1120 | Madalena S. (18) Além dos textos de Campos (a que autora, pouco versos, no segundo e no terceiro poemas), há, no final, criação textual de Madalena. Nesta, corrigiria «*regras energúmenas» (o adjetivo «enérgumeno» só se costuma aplicar a pessoas e aliás substantivado: «um energúmeno»); e «postura» é pouco poético — o resto do texto está bem redigido. Filme próprio, tendo como protagonista a autora e com boa encenação (pena só, como creio acontece nos filmes feitos com telemóvel, ficar o «ecrã« cortado dos lados). Também a música concorre para o bom acabamento do trabalho. Leitura em voz alta muito boa (calma e nítida — curiosamente, sem a sofreguidão que costumamos associar a Campos).

Afonso

«Há metafísica bastante em não pensar em nada» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/1482 | Afonso (*17) A leitura em voz alta, neste caso, é sobretudo representação (embora, admito, o texto em papel estivesse a ser visto também). É uma boa dramatização, que sucede a uma única fala criada («Eu adoro andar de moto e não pensar em nada»), seguindo-se então o poema de Caeiro (não completo). Há algumas trocas entre leitura-representação e o texto do poeta (a primeira até pode ter sido propositada; e outras são liberdades de quem representa, embora, no estrito critério de uma leitura em voz alta, devessem ser tidos como erros): «Há bastante metafísica» (seria: «Há metafísica bastante»); «Sei lá o que eu penso do Mundo! (Sei lá o que penso do Mundo!); «mas elas não têm cortinas» (mas ela não tem cortinas); «Sei lá o que é o mistério!» (Sei lá o que é mistério!). Filme bem acabado, evidenciando domínio técnico, criatividade, capacidade de represntação, embora sem risco demasiado.)

Vitória

«Estou doente. Meus pensamentos começam a estar confusos»; «Quando a erva crescer em cima da minha sepultura»; «Quando tornar a vir a Primavera»; «Quando vier a Primavera» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/360; http://arquivopessoa.net/textos/1034; http://arquivopessoa.net/textos/3369; http://arquivopessoa.net/textos/991 | Vitória (*15) (Classificação inclui penalização por incumprimento do prazo.) Boa composição de vários textos, que integram assim um conjunto coerente, natural. Também boa — ou, mesmo, muito boa — leitura em voz alta, expressiva (no limite da expressividade aceitável para Caeiro, a que convém um estilo quase neutro — há mérito em ser-se expressivo e, ao mesmo tempo, manter o desprendimemnto característico de Caeiro). Houve ainda o cuidado de fazer filme próprio, com encenação adequada aos textos assim reunidos. Bom acabamento de tudo (incluindo som).

Carolina
«Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/1012 | Carolina (*10) (Classificação inclui penalização por incumprimento do prazo.) O enquadramento que é dado ao poema de Campos (imagens e música) é demasiado «turístico». A leitura em voz alta foi pouco fluente e parece-me apressada. Em termos de pronúncia, corrija-se «soss[ê]go» (era «[eu] soss[ε]go») Trabalho não tem o tempo mínimo e, em termos textuais, não há contribuição pessoal. Creio que a Carolina poderia fazer bastante melhor. (Já agora, no poema aparecem «E (...)» e «Seja (...)» — as reticências dentro de parênteses significam que não foi possível decifrar a palavra que Pessoa deixou manuscrita.)

Catarina A. & Marco

«Não tenho pressa. Pressa de quê?» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/2583 | Marco & Catarina A. (*10) (Classificação inclui penalização por incumprimento do prazo.) Boa ideia (incluir num momento de atualidade risível, misturada com as falas, poesia de Pessoa) mas que podia ser mais desenvolvida, até porque o tempo mínimo da tarefa — dois minutos e meio, para trabalhos individuais, e quatro minutos, para trabalhos em dupla, como era o caso — não foi, nem de longe, atingido. (E era fácil. Com outro poema de Caeiro (http://arquivopessoa.net/textos/1164), aí vai mais uma trecho de entrevista: «Mas diga-nos, Pizzi, considera ou não ter havido mão sua no lance que precedeu o primeiro golo do Benfica? Foi bola na mão ou mão na bola? — «[Sabe, se houve mão foi a mão do vento e] / Quando o Verão me passa pela cara / A mão leve e quente da sua brisa, / Só tenho que sentir agrado porque é brisa / Ou que sentir desagrado porque é quente, / E de qualquer maneira que eu o sinta, / Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...».) Texto bem escrito e bem lido. Parte visual económica mas apropriada (e criativa).

Bárbara
«Aguardo, equânime, o que não conheço»; «Cada dia sem gozo não foi teu»; «Breve o dia, breve o ano, breve tudo»; «Dia após dia a mesma vida é a mesma» (Ricardo Reis) e ainda vários outros textos | http://arquivopessoa.net/textos/2706; http://arquivopessoa.net/textos/514; http://arquivopessoa.net/textos/289; http://arquivopessoa.net/textos/2805; | Bárbara (*10) (Classificação inclui penalização por incumprimento do prazo.) A ideia é interessante mas um pouco à margem das regras que estavam definidas: a Bárbara fez um «centão» (isto é um texto composto de diversos fragmentos de outros textos), revelando engenho, pesquisa e criatividade, mas não chegou a ler um trecho seguido de poema de Pessoa. Mesmo a leitura em voz alta revela este desequilíbrio entre inventividade e a disciplina que também convém ter (do ponto de vista da dramatização e da expressividade, a leitura é boa; em termos textuais, há ligeiras incorreções, entaramelamentos, que mostram que podia ter havido mais ensaio ou cuidado). Quanto à parte visual, é demasiado económica.

João

«Não sei, ama, onde era» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/2479 | João (é difícil dar uma classificação, dado que o trabalho me chegou já só neste final do 2.º período) Tanto a representação (quase improvisação, decerto) como a idealização e execução do filme mostram a facilidade, e criatividade, do autor. A leitura em voz alta do poema não tem erros, embora o tipo de declamação talvez seja demasiado grave, um tanto insensível, quanto a mim. E foram omitidas as duas últimas estrofes do poema de Pessoa. Com um pouco mais de organização, planificação, o trabalho poderia ganhar muito: há uma certa separação das primeira e segunda metades do filme, quando seria até interessante torná-las integradas (exemplo: teria sido possível manter o registo linguístico da parte autobiográfica inicial na própria leitura, adaptada, do texto de Pessoa).

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