Thursday, September 08, 2022

Aula 27-28

Aula 27-28 (31/out [1.ª, 3.ª], 7 [4.ª], 8/nov [4.ª]) Depois de ouvirmos uma crónica do programa Lugares Comuns (TSF), de Mafalda Lopes da Costa, sobre a expressão idiomática «dizer cobras e lagartos», preenche:

https://www.rtp.pt/play/p491/e147835/lugares-comuns

Expressão (lugar comum)

Dizer cobras e lagartos [de alguém]

Significado

‘Dizer muito mal de alguém’, ‘difamar uma pessoa’.

Origem (etimologia)

hipótese 1: cobra teria o significado de «copla» e fazer escárnio de alguém seria satirizar alguém através de _____;

hipótese 2: de origem bíblica (Salmo 91, 13), relacionável com dragão/basilisco que matava pelo _____;

hipótese 3: ligada à crença medieval de que alguém possuído pelo demónio e, depois, exorcizado expeliria cobras e ______.

Repara nestes dois verbetes do Dicionário da Língua Portuguesa («Dicionários Editora», Porto, Porto Editora, 2011, p. 370) e completa o que escrevi em baixo:



As palavras «cobra1» e «cobra2» têm _______ diferentes (ambos latinos, respetivamente, colubra e copula).

As duas «cobra» são palavras _______ (e, para conhecermos novo termo, convergentes). Vêm de étimos diferentes, mas têm forma igual (embora, é claro, não sejam uma mesma palavra).

As cinco aceções de «cobra1» constituem o seu campo _______.

«cobra2», «rima», «sentimento», «estrofe» podem integrar-se no campo ______ ‘poesia’.

 

Lê a cantiga de escárnio e maldizer, de João Garcia de Guilhade, «Ai, dona fea, fostes-vos queixar» (p. 58). Começa a ler pela seguinte versão modernizada (Natália Correia, Cantares dos trovadores galego-portugueses, Lisboa, Estampa, 1970, p. 137):

 

Ai, dona feia, foste-vos queixar

de que vos nunca louvo em meu trovar.

Mas umas trovas vos quero dedicar

em que louvada de toda a maneira

sereis; tal é o meu louvar:

dona feia, velha e gaiteira.

 

Ai, dona feia, se com tanto ardor

quereis que vos louve, como trovador,

trovas farei e de tal teor

em que louvada de toda a maneira

sereis, tal é o meu louvor:

dona feia, velha e gaiteira.


Ai, dona feia, nunca vos louvei

em meu trovar eu que tanto trovei

e eis que umas trovas vos dedicarei

em que louvada de toda a maneira

sereis e assim vos louvarei:

dona feia, velha e gaiteira.

 

Na versão original da cantiga (p. 58), repara nesta forma, atualmente incorreta:

 

Como está na cantiga

Como escreveríamos nós

v. 17

direi-vos

 

Completa (quando houver, pronominaliza os complementos):

diz-se que o julgamento se realizará

o julgamento realizar-se-á

deve-se escrever

jamais _______

comprarás as abelhas

____________

localizaríamos o meliante

____________

traremos o avião

____________

beijarei a sogra

____________

abriria a garrafa

____________

direi as mentiras

____________

venderão ao esquimó o gelado

____________

vou cantar as cantigas

____________

comes a comida do cão

____________

come a comida do gato

____________

pisam os cocós de cão escorregadios

____________

Completa:

João Garcia de Guilhade, «Ai, dona fea, fostes-vos queixar»

Síntese

Paródia ao amor cortês. O «eu» elogia a senhora, a «dona», no estilo do que costumava ser feito nas cantigas de ____, mas, no refrão, trata-a como «fea, velha e sandia», o que mostra que o resto da sextilha é ____.

Adjetivos depreciativos

fe(i)a, ____, sandia/gaiteira

«Dia em que se pode chamar nomes aos colegas» (Lopes da Silva)

Síntese

Paródia em torno da moda de estabelecer estratégias para gerar bom ambiente de trabalho nas ____. Haveria dias e horas «temáticos», mas, neste caso, consagrados a temas ____.

Adjetivos depreciativos (ou nomes)

____, pateta, idiota, palonça, imbecil, nabo, monotomate, urso, atraso de vida, estúpido, parvo do catano, energúmeno, labrego, pacóvio, chouriço, bardinas, songamonga, estronço, cafageste, animal, bronco, cara de cu

«A tua camisa é feia» (Lopes da Silva)

Síntese

Paródia que aproveita o estereótipo de que as mulheres dariam demasiada importância à escolha da ____. Carla não se ____ com nenhum dos defeitos que lhe atribui a amiga, só se magoando quando esta lhe critica a blusa («não é muito gira»).

Adjetivos depreciativos (ou nomes)

repugnantezinha, badalhoca, galdéria, pega, falsa, ___, besta, estúpida

Sobre Adjetivo (cfr. p. 312, mas aí a informação é demasiado escassa; melhor será consultar depois o que está em Gaveta de Nuvens, em “Adjetivo”), resumamos assim:

Palavra que, tipicamente, permite variação em género, em número e em grau. O adjetivo é o núcleo do grupo adjetival.

Subclasses do adjetivo

Adjetivo qualificativo — Exprime qualidades, atributos do nome. Tipicamente, a posição do adjetivo qualificativo é pós-nominal. Alguns destes adjetivos ocorrem à direita e à esquerda do nome, correspondendo esta ordem a interpretações diferentes.

Tens um belo chapéu. | É sem dúvida um rapaz grande. /... um grande rapaz.

Adjetivo numeral — Expressa ordem ou sucessão numa sequência. Ocorre geralmente em posição pré-nominal.

Este foi o meu primeiro livro de histórias. | Chegámos rapidamente ao terceiro andar.

[ Adjetivo relacional — Deriva de um nome e revela uma relação de agente ou posse relativamente ao nome. Ocorre em posição pós-nominal e não varia em grau.

Foi a crítica musical que fez disparar as vendas. | Deixei o meu irmão no parque infantil. ]

 

Depois de ouvirmos a crónica de Bruno Nogueira referida no cimo da p. 58 (Letras prévias, 1), escreve um pequeno comentário que responda ao que é perguntado em 1.1 e 1.2 (aborda os dois itens na mesma resposta; quanto às cantigas, reporta-te apenas à que lemos hoje).

https://www.tsf.pt/programa/tubo-de-ensaio/emissao/pequenas-maravilhas-do-ser-humano-11365252.html

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Exemplo de resposta ao comentário sobre «Pequenas maravilhas do ser humano» (Bruno Nogueira) e cantigas de escárnio e maldizer (cfr. p. 58, Letras prévias, 1.1 & 1.2):

No título da crónica radiofónica da série «Tubo de ensaio» há ironia, já que percebemos que as «pequenas maravilhas do ser humano» são afinal tiques, manias, comportamentos, que irritam o humorista.

Do mesmo modo, nas cantigas de escárnio e maldizer medievais, os trovadores pretendiam criticar costumes ou atitudes particulares. Em «Ai dona fea, fostes-vos queixar», a sátira centra-se na presunção da destinatária, uma dama que se julgava merecedora de ser cortejada mas que, talvez por hipérbole, o sujeito poético diz ser «fea, velha e sandia». E, numa ironia que é quase uma antítese, acrescenta que a vai elogiar... por aqueles defeitos.

TPC — Relanceia “Adjetivos” em Gaveta de Nuvens. Lê também a p. 311 do manual sobre pronomes junto dos verbos.

 

 

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