Friday, August 30, 2019

Primeira impressão acerca da prova de Português de 6-7-2020


Em vários aspetos, a prova não seguiu o «modelo» que já se fora instituindo tradicionalmente, ainda que tenha, é claro, cumprido o que estava estipulado nas normas.
O que mais me surpreendeu foi o grupo III não ter sido um texto de opinião. Embora, nas cábulas sobre este grupo, eu próprio lhes tivesse apresentado os outros géneros de texto que poderiam ser pedidos, e tivéssemos feito apreciações críticas ao longo destes anos — a mais recente terá sido a sobre cartoon de O Inimigo Público ou acerca de pintura de Tarsila do Amaral —, nos últimos tempos focáramo-nos no género de texto que há vários anos tem saído sempre.
Também não me lembro de perguntas sobre fenómenos fonéticos (processos fonológicos) em exames do 12.º ano. Nós até revimos recentemente essa matéria em aulas não presenciais e, depois, num questionário no Classroom, mas insistimos bem mais em outras matérias.
O facto de terem saído textos de A Ilustre Casa de Ramires/Os Maias não é muito relevante, porque estavam em causa sobretudo os passos concretos, nem tanto as obras consideradas integralmente. Salvo erro, nas cábulas sobre ‘Restos’, sugerira sobre estes dois romances um dos assuntos pedidos agora, a visão de Portugal, mas para um item 7 (parte C).
Finalmente, não me recordo de exames com duas perguntas «fechadas» no grupo I (3 e 6).
É difícil dizer quem favorecem e desfavorecem estes desvios ao modelo mais comum. Talvez quem tenha mais facilidade na escrita e, sobretudo, na compreensão, e não se tivesse deixado abater pela surpresa, tenha resolvido bem a prova. Quem tentou estudar segundo os modelos de prova habituais ou não é muito forte na compreensão de textos/enunciados terá sido um pouco injustiçado.
Veremos. As classificações de provas de Português têm também margem grande de subjetividade. E o facto de este ano se descartarem as duas piores respostas (de todas as do grupo I e de 5-7 do II) torna difícil ter ideia correta sobre como correu a prova. Não se iludam os melhores alunos (sobretudo): em provas de Português, dado o facto de a apreciação dos itens recorrer a escalas de proficiência, é difícil ter notas de Muito Bom ou até na zona dos Bons mais. Costuma haver certa «neutralização» dos níveis, na zona dos Suficientes e dos Bons menos. 
Para os que ainda vão fazer mais exames (História, Matemática, Geografia, Inglês, etc.), boa sorte.