Aula 31
Aula 31 (29 [1.ª], 30 [3.ª], 31/out [4.ª]) Os sketches «Carjaquim» (série Zé Carlos) e
«O meu filho é uma joia de moço» (Barbosa) servir-nos-ão para revermos os processos
irregulares de formação de palavras (cfr. p. 343 do manual).
À esquerda, a palavra que interessa; ao centro, a etimologia; à direita, porás
o processo: extensão semântica, empréstimo, sigla, acrónimo, amálgama, truncação, onomatopeia.
Palavra |
étimo |
processo de formação |
inglês carjacking |
car + hijacking |
|
Carjacking |
inglês carjacking |
|
Carjaquim |
carjacking + Jaquim (< Joaquim) |
|
badalhoca
(‘mulher suja’) |
badalhoca
(‘bola de excremento e terra pendente entre as pernas das ovelhas e cabras’) |
|
Droga |
francês drogue |
|
mota
[ou moto] |
motorizada ou
motocicleta |
|
joia
(‘adorno de matéria preciosa’) |
francês joie (‘alegria’) |
|
joia
(‘pessoa muito estimável’) |
joia (‘adorno
de matéria preciosa’) |
|
grego diabetes (‘diabetes’) |
grego diabetes (‘sifão’) |
|
Cajó |
Cá (< Carlos) + Jó (< Jorge) |
duas
________ |
Zé |
José |
|
FPE
[pronunciado «fê-pê-é»] |
Fernando por esticão |
|
FPE
[pronunciado «fpé»] |
Fernando
por esticão |
|
Completa agora com o aspeto.
Usa genérico; perfetivo, imperfetivo; habitual; iterativo.
Frase |
Aspeto |
«Carjacking»
é uma palavra estrangeira |
|
alguns
bandidos começaram a praticar uma
variante |
imperfetivo, [incoativo ou ingressivo] |
a
nossa reportagem acabou por voltar
(porque estava frio) |
perfetivo, [cessativo ou
conclusivo] |
aquilo
que faço é uma espécie de
carjacking |
|
foi uma experiência muito
traumática |
|
a
malta pergunta-me constantemente: «tu
não ...» |
|
andas metido nos diabetes |
|
morreu atropelado por uma mota |
|
estou a conversar com este gafanhoto
gigante chamado Zé António |
|
O poema «Dobrada à moda do Porto», de Álvaro
de Campos, tem bastantes marcas de narratividade. A situação
relatada é sobretudo pretexto para o «eu» refletir sobre si mesmo. É este poema
um novo exemplo do Campos intimista, agora talvez em clave mais irónica que
desiludida.
O que te peço é que reescrevas o poema, verso a
verso, criando outra situação (a tal parte mais narrativa, que deixará de ter a
ver com um restaurante), mantendo entretanto tudo o que sublinhei (em geral, os
fragmentos mais líricos ou mais introspetivos).
Além das partes sublinhadas, conserva o número de
versos, e procura não alterar muito a pontuação do original. Quanto ao título,
deve ser trocado por outro, é claro.
Dobrada à moda do Porto
Um dia, num restaurante, fora
do espaço e do tempo,
Serviram-me
o amor como dobrada fria.
Disse
delicadamente ao missionário da cozinha
Que
a preferia quente,
Que
a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se
comigo.
Nunca
se pode ter razão,
nem num restaurante.
Não
comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E
vim passear para toda a rua.
Quem
sabe o que isto quer dizer?
Eu
não sei, e foi comigo...
(Sei
muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular
ou público, ou do vizinho.
Sei
muito bem que brincarmos era o dono dele.
E
que a tristeza é de hoje).
Sei
isso muitas vezes,
Mas,
se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada
à moda do Porto fria?
Não
é prato que se possa comer frio,
Mas
trouxeram-mo frio.
Não
me queixei, mas estava frio,
Nunca
se pode comer frio, mas veio frio.
Fernando Pessoa, Poemas de
Álvaro de Campos, edição de Cleonice Berardinelli, Lisboa, INCM, 1990 (com
modernização da grafia).
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Os exercícios seguintes —
ainda sobre processos irregulares de formação de palavras — são
tirados de Nova Gramática didática do
português:
1.
Os exemplos listados abaixo ilustram um processo irregular de formação de
palavras. Identifique-o. __________
leitor (‘aquele que lê’) > leitor
(‘professor universitário’)
salvar (‘livrar de perigo’) > salvar
(‘guardar’)
2. Distribua as palavras que
se seguem pelo quadro abaixo.
soirée | restaurante | menu | jeep | bife | lambreta | diesel
| airoso | flamenco | maestro | recuerdo | futebol | confetti | piloto |
dobermann | stock | alzheimer | tapa | tablier | muesli
Empréstimos |
|
Galicismos |
|
Anglicismos |
|
Italianismos |
|
Espanholismos |
|
Germanismos |
|
3.
Descubra, na sopa de letras, seis palavras formadas por amálgama.
Encontrá-las-á na horizontal e na vertical.
_____________
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_____________
_____________
_____________
_____________
4.
A lista de palavras apresentada é composta por acrónimos e siglas.
Classifique-as e especifique o seu significado. [Não especifiques por escrito;
pensa só.]
a) PALOP — _______ || b)
CD — _______ || c) PSP — ______ || d) BD —______ || e) OTAN — _______ || f) OMS
— _______ || g) ONU — _____ || h) TAP — _______ || i) UE — _______ || j) PME —
______
5.
Recorra ao processo de truncação para formar palavras.
a) motociclo > _____ | b)
fotografia > _____ | c) exposição > _____ d) zoológico > _____ | e)
quilograma > _____ | f) metropolitano > _____ g) hipermercado > ______
| h) discoteca > ______
6.
Proponha uma onomatopeia para cada caso apresentado.
a) avalancha — _______ | b)
mergulho — _______ | c) vidro partido — _______ | d) chuva — ______ | e) batida
na porta — ______ | f) vento — ______
TPC — Dá um relance à ficha
do Caderno de Atividades sobre ‘Processos irregulares de formação de
palavras’ (pp. 61-62), que reproduzo, já resolvida, em Gaveta de Nuvens.
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