Saturday, August 26, 2017

Poesia trovadoresca pelo 10.º 2.ª



Seguem-se trabalhos em torno de cantigas. As instruções para esta tarefa ficaram aqui. Ao longo das férias, irei escrevendo os comentários.

João S.
«Amad'e meu amigo» (D. Dinis) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=594&pv=sim | João S. (17) Boa leitura em voz alta (clara, embora um pouco rígida). Texto muito bem escrito. Deveria dizer-se «apesar de que» (o que se ouve é «*apesar que»). Em «faz uma grande alusão», «grande» não fica bem. Em «com pouca intervenção humana e sem ruído humano» era fácil ter-se evitado a repetição. Talvez referisse mais explicitamente que o comentário à cantiga se fundara no site Cantigas Medievais Galego-Portuguesas, embora, para nós, isso estivesse já bastante esclarecido (esta observação era aliás útil à maioria dos trabalhos — por isso, doravante não a repetirei). Imagem muito adequada.

João Pedro
«Direi-vos agor', amigo, camanho temp'há passado» (Fernão Rodrigues de Calheiros) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=650&tr=4&pv=sim | João Pedro (14,5-15) Leitura em voz alta poderia ser mais rápida (geralmente, até dou o conselho contrário, mas, neste caso, ritmo terá sido demasiado lento — há demasiada «pontuação»). Texto faz abordagem com graça, com humor. Imagem foi bem construída, denotando gosto e cuidado, tal como é interessante, a certa altura, o facto de se jogar com fundo sonoro para dar o contexto da época.

Marta
«Ir-vos queredes, amigo» (João Airas de Santiago) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1068&pv=sim | Marta (19,5) Este trabalho tem o grande mérito de a autora não se ter contentado com a solução mais simples e ter aproveitado mesmo as potencialidades de um filme. Com efeito, exercitou, com criatividade e competência técnica, as várias «artes» dessa arte compósita que é o cinema (imagens, som-música, texto). A própria montagem (que ora pode melhorar ora pode estragar aquelas instâncias) revela inteligência e cuidadosa planificação — esta é um importante requisito de um filme. Também não notei falhas no texto (em «aumenta a probabilidade de alguns factos poderem ou não serem apenas fruto da [...]» o «ou não» é escusado; no texto final, em vez de «dir-lhe-emos», «dir-lhes-emos») nem na leitura em voz alta (só uma hesitação, no início, em «característico»).

Afonso
«Ai ondas que eu vim veer» (Martim Codax) | http://www.cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1314&pv=sim | Afonso (17) Texto bem escrito, escrito com bom gosto (com o cuidado de aproveitar as pequenas curiosidades, com a densidade que a escrita permita — não é uma redação que se limite a transpor a conversa oral). Leitura em voz alta correta, ainda que sem risco (percebe-se que a aposta — que, aliás, me parece a adequada — foi não cometer erros, pelo que o ritmo, a expressividade, estão sempre controlados, até um pouco constrangidos). Imagens bem escolhidas, com o valor acrescido de serem pessoais; e resulta bem a variação entre elas e a sua justaposição (não perde relativamente a um filme propriamente dito). «Codax» será «Coda[∫]» (este símbolo fonético corresponde ao som do «ch» em português) e não «Coda[ks]»).

Henrique
«O anel do meu amigo» (Pero Gonçalves de Portocarreiro) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=927&tr=4&pv=sim | Henrique (15,5-16) Há criatividade na relação entre o texto próprio e o da cantiga (e o texto está bem construído — não diria «a senhor» para referir o «eu» de uma cantiga de amigo, mais identificável com uma moça, uma rapariga, do que com um dama da nobreza). Também a imagem foi bem escolhida. Leitura em voz alta é que me parece muito rápida (o que leva — questão de fôlego — a que a entoação ideal se vá perdendo, à medida que a gestão da respiração se torna mais difícil e surjam pequenas hesitações). Ainda que por cinco segundos, não se chegou a atingir o tempo mínimo (o que, se eu cumprisse as regras que fixo, significaria que o trabalho não era aceitável).

Pedro P.
«Bem sabedes, senhor rei» (Gil Peres Conde) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1565&pv=sim | Pedro P. (14,5-15) Imagem foi muito bem escolhida. Texto bem idealizado mas pouco revisto. À leitura em voz alta parece, por vezes, faltar uma maior convicção (há momentos em que o registo se torna hesitante, como se se estivesse ainda a reconhecer o texto, ou a conversar de improviso — texto estava fixado no papel? foi ensaiado?). Em «exceto», não se costuma dizer o «p» (que também já não se escreve, como mostrei atrás). «Tinha sido apenas um mês inteiro para ganhar uma camisola» era para ter sido «Tinha sido um mês inteiro para ganhar apenas uma camisola»; «*a única coisa que eu conseguia pensar» devia ser «a única coisa em que eu conseguia pensar»; «*talvez também sentia isso, porque [...]» era «talvez também sentisse isso, porque [...]»; em «*e quão bom nós conseguíamos ser» ficaria «e quão bons nós conseguíamos ser».

Camily
«Conhosco-me, meu amigo» (Rui Fernandes de Santiago) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=934&tr=4&pv=sim| Camily (17-17,5) Através da justaposição de imagens legendadas, a autora aproximou-se do tipo de montagem de um filme (ainda que, admita eu, aproveitando fotografias talvez já reunidas independentemente deste trabalho), o que significa sensibilidade, criatividade, aplicadas ao resultado que era pedido. Redação do texto mostra estas mesmas qualidades. Leitura em voz alta não perderia em ser ligeiramente mais lenta (menos «automática», de modo a poder interpretar com expressividade mais matizada o que se diz em cada momento). Em «*e foi lá também onde eu conheci minha melhor amiga [...]» deveria dizer-se «e foi lá também que eu conheci minha melhor amiga [...]».

João Cardoso
«Eu nunca dórmio nada, cuidand'em meu amigo» (João Lopes de Ulhoa) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=720&pv=sim| João Cardoso (16) Texto, levemente irónico, bem escrito (porém, falta a curta parte de comentário literário, considerada obrigatória). Leitura em voz alta também boa, mas, talvez insuficientemente repetida (como o texto era elaborado, com sintaxe complexa, convinha ter ensaiado mais para que houvesse mais fluidez). O «achamos» em «quer que nós achamos» devia ser substituído por um conjuntivo («achemos»); «é-nos uma dádiva dada» parece agramatical («é uma dádiva», «é uma dádiva que nos é dada»?); «única forma de saída» poderia dar lugar a «única saída».

Pedro Torrado
«Fez ũa cantiga d'amor» (Juião Bolseiro) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1203&pv=sim | Pedro Torrado (14,5) Texto podia ser mais pessoal, mais inventivo — está demasiado focado apenas na cantiga; tem, entretanto, o mérito de evidenciar que se soube lidar com a compreensão da cantiga e do contexto (que se procurou esclarecer). Quanto à leitura em voz alta, ganharia em ser menos rápida e, talvez, mais ensaiada (há ainda um aspeto, que é de ordem técnica, o som, que não favorece a receção; notam-se também os cortes — pausas — na gravação). A pronúncia de «vedes» (verbo ‘ver’) é «v[e]des» («v[ε]des», com e aberto seria do verbo ‘vedar’). Corrija-se também «apercebi-me que» (é «apercebi-me de que»). Boa imagem, criada com cuidado.

Francisco A.
«Vi eu estar noutro dia» (João Garcia de Guilhade) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1711&tr=4&pv=sim | Francisco A. (15,5-16) Texto está bem escrito — incluindo uma primeira parte, de criação de estrofes à maneira das da cantiga de que se trata, e uma segunda parte de comentário, também bastante fundamentado. Leitura em voz alta muito boa — note-se, porém, que o «x» em «dix’eu» é [∫] (e não [ks]). Imagem própria (não tenho a certeza de ter percebido a exata associação à cantiga). «Mostra uma vista satírica» era substituível por «mostra uma visão [perspetiva] satírica».

Francisco B.
«Se hoj'o meu amigo» (Estevão Coelho) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=741&tr=4&pv=sim | Francisco B. (15,5) Abordagem na redação corresponde ao que se pedia e o texto está bem escrito. Há, porém, estas incorreções: «e que retrata o seu principal aspeto» não parece coerente (o «seu» tem que referente? a cantiga retrata o aspeto principal de quem? — «a rapariga» ainda não tinha sido referida); «*a uma das duas panchas em que eu estava com uma certa indecisão em escolher» («a uma das duas panchas que eu estava indeciso a tentar  escolher»); também substituiria «sensação aquela que me torna» por um mais direto «sensação que me torna»; quase no final, «e que me faz pensar [...]» seria «, o que me faz pensar [...]» ou «e que a cantiga me faz pensar [...]». Leitura em voz alta quase sempre correta, com vivacidade conseguida. Em «veio cumprimentar o meu pai», o verbo no infinitivo soa quase como «*c[o]mprimentar». Imagem pertinente.

Guilherme V.
«Grave dia naceu, senhor» (Pero Garcia de Ambroa) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=46&pv=sim| Guilherme V. (17) Texto está bem escrito, embora, na verdade, não seguisse a estratégia que eu recomendava (de fazer texto criativo mais do que texto de apreciação da cantiga; é certo que, no final, há também uma extrapolação mais pessoal). A leitura em voz alta saiu bem, ainda que usando estilo inesperado (tom coloquial, de quem, calmamente, nos vai explicando o texto). Imagem socorreu-se do site CMGP, não cumprindo o que se estipulava. Enfim, no futuro valerá o autor ater-se mais às regras que fixo (já agora: também não enviou autor nem v. 1 nem formatou título como fora pedido), ainda que deva manter o estilo inteligente do que escreve.

João Cola
«Hom'a que Deus coita quis dar» (Rodrigo Anes Redondo) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=289&pv=sim | João Cola (15-15,5) Texto na 1.ª pessoa, na forma de narrativa ficcionada, é interessante. Boa imagem também, em que fica implícita ligeira ironia. Leitura em voz alta sem erros, mas talvez não muito ensaiada (percebe-se que não há reconhecimento fácil do texto, uma expressividade mais fluente, digamos assim). Há uma «certidão» que devia ser «certeza». Em «o quanto é intenso aquele que nos une», fico com a dúvida sobre se não seria «aquilo que nos une» (ou era «aquele [amor] que nos une»?). Foi esquecido o comentário literário acerca da cantiga.

Ângelo
«Ir-vos queredes, mia senhor» (Nuno Fernandes Torneol) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=161&pv=sim | Ângelo (14-14,5) Trabalho parece-me pouco acabado, pouco revisto. Por exemplo, imagem — que até me parece bem escolhida — desaparece a partir de certa altura, ficando o ecrã a negro. O texto assenta sobre uma reflexão que se pode fazer com efeito (comparação entre a relação amorosa na cantiga e as relações amorosas hoje), mas a redação parece-me pouco elaborada. Também a leitura em voz alta não terá sido muito ensaiada, embora não haja erros flagrantes (percebe-se o autor a fungar — o que é natural, estaria constipado, mas aconselhava a que se repetisse a gravação). Um esclarecimento que pode ser útil a todos: a rima nestas cantigas medievais não deve ser aferida segundo os parâmetros habituais: a rima não era consoante, apenas toante (o reconhecimento do som vocálico dominante é que nos deve interessar).

Ricardo
«Tal hom'é coitado d'amor» (Martim Soares) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=147&pv=sim | Ricardo (14) Escrita poderia ter sido mais elaborada (há falhas de sintaxe, porque texto terá sido escrito quase à primeira, sem revisão). Leitura em voz alta, apesar de se perceber que o autor não tem grandes dificuldades, também é, aqui e ali, precipitada (notei algumas trocas indevidas no texto da cantiga, que aqui me escuso de referir concretamente). Imagens parecem-me pouco adequadas (e terão sido googladas). Em vez de «*irão-se» teria de ser «ir-se-ão». No final, em «sei que ninguém o terá por mim», qual é o referente da anáfora «o»? Se é «pena», o pronome teria de ser «a». 

Diogo S.
«A Far[o] um dia irei, madre, se vos prouguer» (João de Requeixo) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1319&tamanho=15| Diogo S. (15,5-16) Boa ideia para associação da cantiga a experiência pessoal (via «Faro»). Texto, porém, talvez seja demasiado simples (escrita deve procurar transmitir o máximo que possamos, mesmo num tempo curto — e, neste caso, tudo parece muito oral). A leitura, em geral, saiu um pouco lenta (propositadamente? ou porque não se ensaiara e se estava ainda a reconhecer o texto?). No fundo, podia ter havido mais risco, mais elaboração. Imagem, que suponho ser do do arquivo do autor, é adequada. «*tenho um amigo que nos damos desde que eu nasci» seria «tenho um amigo — e damo-nos desde que nasci» (ou «tenho um amigo com que me dou desde que nasci»). Note-se ainda que a ermida de Santa Maria de Faro não se situava no Algarve —  seria antes «um santuário galego, na serra de Faro, na província de Lugo, entre Chantada e Rodeiro» (CMGP).

Miguel Brito
«A bõa dona por que eu trobava» (João Garcia de Guilhade) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=396&pv=sim| Miguel Brito (15-14,5) O texto está talvez demasiado focado na análise da cantiga, apesar de se discorrer também sobre ‘loucura’ (e esse excurso é interessante). Na leitura em voz alta há sons da cantiga claramente mal reproduzidos (eu oferecera-me para ajudar em caso de dúvida...); «interligam» também saiu hesitante. O uso da imagem em causa não fica claro (mas haverá explicação), percebendo-se, no entanto, que se trata de imagem feita pelo autor, o que é já aspeto favorável.

Carolina

«Ai madr’,o que bem queria» (Paio Calvo) | cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1266&tamanho=19 Carolina (15) Bom texto, em que se associa a saudade presente na cantiga de amigo escolhida à saudade que a autora também sente. Imagem é, obviamente, muito apropriada, porque representa partedo grupo a que se reporta aquele sentimento de amizade. A leitura em voz alta não tem erros (há só uma hesitação maior em «entrarmos») e tem o mérito de não ser rápida, ser calma. Podia, por vezes ser, ser mais convicta (por exemplo, há um passo que não se percebe bem: «tal como ? também eu me queixo [...]»). A corrigir: «*veio-me à memória recordações» (seria «vieram-me à memória recordações»); também me parece que há repetições evitáveis («esta cantiga», por exemplo).

Paulo
«Per ribeira do rio» (João Zorro) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1180&pv=sim | Paulo (13,5-14) Associação da cantiga a experiência própria foi boa ideia. A narração dessa vivência é que me parece demasiado oral, um simples relato em que se vai contando como se estivesse em conversa muito informal (a escrita implica mais do que isso: é um exercício de complexificação e de  síntese). Leitura em voz alta não tem incorreções propriamente ditas, mas, por vezes, parece-nos pouco ensaiada (recolha do som, imperfeita, também não ajuda... — e são vocês de engenharias). Imagem, reportada ao local em causa, foi bem escolhida. No final, há um «e entre outros» que era escusado. Tempo mínimo não foi atingido (é certo que por quatro segundos).

Amaral

«Vedes, amigo, [o] que hoj'oí» (Fernão Velho) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=820&pv=sim| Amaral (15-15,5) Texto associa-se bem à cantiga, é sensível, socorre-se de boas ideias, boas analogias, embora a redação precisasse de ser mais aperfeiçoada (há argumentos inteligentes, mas falta melhor revisão da sintaxe escrita que os deveria transmitir). Leitura em voz alta é clara, embora, em um ou outro momento, excessivamente lenta. «Apenas uma meras semanas» é pleonástico (bastaria ou «Umas meras # semanas» ou «Apenas umas semanas»). Em vez de «*manteu», terá de ser «manteve» («manter» é verbo derivado de «ter»). Em «*me apelou à» seria «me lembrou a», «me levou à», «me sugeriu a». «Energético» seria «enérgico».

Cabo

«- Amigo, que cuidades a fazer» (Vasco Peres Pardal) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=821&pv=sim | Cabo (16) Abordagem é original (houve, além disso, o cuidado de explicar a estratégia criativa seguida). Em termos estritamente textuais, poderia ter havido mais requinte («Esta cantiga» repete-se tanto...; e o final parece-me ser forçado, para «encher», para se chegar ao mínimo exigido). «três estrofes, todas com seis versos, onde dois deles [...]» talvez devesse dar lugar a «três estrofes, todas com seis versos, dos quais dois [...]». Vale a pena esclarecer que, quando se diz «canção», certamente se queria significar a ‘notação musical’ que acompanhava, por vezes, a letra das cantigas.

Miguel C.
«Jograr, mal desemparado» (João Soares Coelho) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1442&pv=sim | Miguel C. (18-17,5) O trabalho que fica em cima (tal como o que se segue — em Miguel C, outro trabalho —, que rejeitei por tratar de texto que estudáramos em aula) tem o mérito de ter sido criado com engenho, sem o autor se ter limitado a resolver a tarefa do modo que lhe trouxesse menos arrelias, antes procurando abordagem original. Talvez que o investimento em aspetos técnicos de realização tenha feito que faltasse mais revisão em outros domínios (texto poderia estar mais trabalhado — é apenas um relato como o que fazemos oralmente —; leitura em voz alta é prejudicada por haver cortes na gravação e, talvez, pouco ensaio; nem tenho a certeza se os dizeres «massa» e «arroz» não estão trocados), mas a originalidade compensa essas imperfeições. Em vez de «apercebi-me que» seria «apercebi-me de que». «usou o dinheiro para seu bel prazer» seria «usou o dinheiro a seu bel prazer».


Miguel C. (outro trabalho)
«Se eu podesse desamar» (Pero da Ponte) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=986&pv=sim | Miguel C. ([trata-se de um primeiro trabalho, que eu pedira para ser refeito, por usar uma cantiga de amor que déramos em aula])

Diogo M.
«A mi dizem quantos amigos hei» (João Fernandes de Ardeleiro) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1358&pv=sim | Diogo M. (15-14,5) Texto bonito mas pouco elaborado (pouco escrito, de certo modo — parecendo um depoimento relativamente espontâneo, mais do que o resultado de uma redação trabalhada); poderia haver pronominalizações, evitando-se repetições. Leitura em voz alta tem a vantagem de ter ficado muito percetível, porque lenta e sonora, mas parece hesitante, como se o texto estivesse a ser ainda reapreciado. Imagem apropriada (a que vinha numa primeira versão demonstrava o pouco investimento havido até então, certa distração com as instruções da tarefa). Em «*não teve uma vida que lhe correu bem» era «corresse»; «nos meus momentos piores da minha vida» talvez pudesse ficar sem o «meus».



Toni


«Por fazer romaria pug'em meu coraçom» (Airas Carpancho) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=684&tr=4&pv=sim | Toni (16,5-17) Boa ideia a da associação de uma cantiga de romaria a experiências de peregrinação contadas por conhecidos do autor. Texto bem escrito e informado, com alguns momentos de ironia interessante (o próprio final, com a promessa de também um dia ir «queimar candeias»; a comparação dos peregrinos antigos com que os atuais, que se podem abastecer na Decathlon; ...). Leitura em voz alta no ritmo ideal — isto é, muito escandida, lenta —, embora com umas três hesitações. Imagem boa (foi tirada pelo próprio?). A corrigir: «*acerca» dever ser pronunciado «[a]cerca»; «*muitos poucos» devia ser «muito poucos». E houve bastante demora no envio...



Pedro Filipe


«Covilheira velha, se vos fezesse» (Afonso Anes do Cotom) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1611&pv=sim | Pedro Filipe (12) Trabalho não cumpre o tempo mínimo. Falta sobretudo uma parte de texto próprio (e era fácil ter criado, por exemplo, uma transposição para outro contexto — tínhamos era de ter cuidado com as obscenidades). Estão bem as partes de leitura em voz alta da cantiga — bastante expressiva até —e de comentário. A imagem não me parece muito associável à situação de que trata a gravação.

João F.

«Rogo-te, ai Amor, que queiras migo morar» (Rui Martins do Casal) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1188&pv=sim | João F. (13,5) Texto aborda a guerra, e as separações a que leva, situação que motivava o estado de espírito da donzela da cantiga de amigo (que pede ao Amor que fique consigo, porque o namorado foi para Granada guerrear os mouros). A leitura em voz alta segue uma velocidade ideal (é calma), não havendo erros, embora também não se sinta haver grande fluência (podia variar mais o ritmo: um estilo para a parte de exposição; outro para a parte da leitura do poema). Imagem tirada pelo autor, bem escolhida porque o céu, muito carregado, e o plano do horizonte, muito aberto, fazem lembrar ausência, distância, e são por isso associáveis ao tópico da cantiga.

Sebastião

«O anel do meu amigo» (Pero Gonçalves de Portocarreiro) | http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=927&tr=4&pv=sim | Sebastião (14-13) È interessante a forma encontrada para se associar a cantiga de amigo a uma experiência própria: o anel da cantiga é um objeto simbólico — também a miniatura de autocarro inglês faz o autor recordar-se de viagem a Londres cuja memória será o essencial do texto. Imagem é duplamente icónica: os autocarros de Londres já são simbólicos; aqui temos uma representação, simbólica, desse símbolo, que remete também para a infância. Texto está bem escrito. Leitura em voz alta é que podia estar mais ensaiada (haveria que ler com menos pressa). De certo modo, a minha classificação também será simbólica, uma vez que é difícil, passado tanto tempo, seguirmos a exata bitola de quando se corrigiu a primeira leva de trabalhos.

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