Aula 24-25
Aula 24-25 (21 [3.ª], 22 [4.ª], 24/out [1.ª]) Ainda algumas
correções do comentário comparativo dos dois «Lisbon Revisited».
Na p. 56, lê o poema IX
de «O Guardador de Rebanhos», de Alberto
Caeiro, e completa a tabela:
Trechos |
Vv. |
Figuras |
Funcionalidade do recurso estilístico |
Sou um guardador de
rebanhos. |
1 |
______ |
O
sujeito poético aproxima-se da natureza. A afirma-ção é a primeira premissa
do silogismo constituído pelos três primeiros versos, cuja conclusão será «o
sujeito poético é um guardador de __________». |
Penso com os olhos e com
os ouvidos / E com as mãos e os pés, / E com o nariz e a boca. |
4-6 |
Enumeração |
Com este inventário de
órgãos sensoriais reforça-se o que se estipulara no v. 3 (a _______ do sentir
físico). |
Polissíndeto |
A articulação dos termos
através da _____ «e» ajuda a representar o eu lírico como ingénuo, simples, infantil, ao mesmo tempo que
acentua o citado predomínio das ________. |
||
______ |
Hierarquizam-se
as sensações de acordo com o grau de conhecimento que permitem apreender: as
impressões visuais são a primeira fonte de saber, seguindo-se as auditivas,
as táteis, as olfativas e, por fim, as gustativas. |
||
E com as mãos e os pés /
E com o nariz e a boca. |
5-6 |
______ / Paralelismo |
Através da arrumação
paralelística, consegue-se estilizar, «poetizar», o segmento, que pretendia
também afirmar a simplicidade (caeiriana)
do eu. |
Pensar uma flor é vê-la e
cheirá-la / E comer um fruto é saber-lhe o sentido. |
7-8 |
Metáfora / _____ |
Exemplifica-se o que se
teorizara antes (o poeta só pensa através das sensações — no caso, visão,
olfato, gosto). No v. 7, a ação sensorial está à direita (pensar = visão e olfato); no verso 8, a ordem é
a contrária (gosto = pensar). |
Me sinto triste de
gozá-lo tanto, |
10 |
_______ |
O quase paradoxo marca
talvez a aversão do eu à perceção
mental do gozo. |
E fecho os olhos quentes, |
12 |
Sinestesia |
Um pouco forçadamente,
talvez se possa considerar haver aqui uma associação do ____ («quente») à
visão («olhos»), que, de novo, tenderia a valorizar o domínio das ___________.
|
Sinto
todo o meu corpo deitado na realidade, |
13 |
_______ |
Sugere-se a importância
do sentir (do «corpo»), que seria a única via de acesso à «realidade». |
Sei a verdade e sou
feliz. |
14 |
Paralelismo / Bipartição
do verso |
Na sequência da metáfora
anterior, confirma-se a supremacia do ____ sobre o pensar, assume-se a
sensação como a autêntica forma de _____ e única fonte de felicidade. |
Depois, relanceia os dois trechos expositivos na p. 57, reunidos sob o título «O
primado das sensações», e completa a seguinte solução do item 1:
a. bucolismo: «tónica na vertente
bucólica e instintiva» (ll. 1-2); «Caeiro pretende ser o “descobridor da
____________”» (l. 5); «O espaço de existência de Caeiro é o __________» (l.
12).
b. sensacionismo: «O
__________________ chega apenas pelo olhar puro» (ll. 8-9); «Alberto Caeiro é o
poeta que cultiva as _____________» (l. 10).
c. objetivismo:
«universo poético [...] linear, sem profundidade, despojado de toda a
subjetividade de sentido.» (ll. 3-4); «As _______ são o que são, resumem-se à
sua aparência» (l. 6); «Para Caeiro, o mundo é claro, evidente, simplesmente
____» (ll. 7-8); «afirma um pensamento que nega as ilusões e os excessos da
modernidade» (ll. 13-14); «o estilo de Alberto Caeiro é feito de [...]
espontaneidade» (ll. 14-15).
d. antimetafísica:
«negando que a natureza tenha significados ocultos» (ll. 5-6); «ao poeta cabe
aceitá-las como elas são, sem _________» (ll. 6-7); «filosofia de vida feita de
simplicidade e de naturalidade» (ll. 11-12).
Lê agora o texto II de «O Guardador de Rebanhos».
Sintetiza em frases com menos de trinta letras as lições que o sujeito quer
inculcar em cada uma das três primeiras estrofes:
II
Tudo que vejo está nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar
pelas estradas
Olhando para a direita e
para a esquerda,
E de vez em quando olhando
para trás...
E o que vejo a cada
momento
É aquilo que nunca antes
eu tinha visto,
E eu sei dar por isso
muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que teria uma criança se,
ao nascer,
Reparasse que nascera
deveras...
Sinto-me nascido a cada
momento
Para a completa novidade
do mundo...
Creio no mundo como num
malmequer,
Porque o vejo. Mas não
penso nele
Porque pensar é não
compreender...
O mundo não se fez para
pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos
olhos)
Mas para olharmos para ele
e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia:
tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é
porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a
por isso,
Porque quem ama nunca sabe
o que ama
Nem sabe porque ama, nem o
que é amar...
Amar é a primeira
inocência,
E toda a inocência é não
pensar...
Poemas de Alberto Caeiro, edição de Ivo Castro, ed. digital, Lisboa, IN, 2020, pp.
17-18.
estrofe dos vv. 1-12: ___________________________.
sextilha de 13-18:
_____________________________.
quintilha de 19-23:
_____________________________.
Quanto ao dístico final (vv. 24-25) constitui um silogismo
inacabado:
Amar é a primeira inocência,
E toda a inocência é não
pensar...
Logo _________________.
No tepecê da aula 19-20 pedira que lessem «Notas sobre Tavira», de Álvaro de Campos, e vissem aí as
respostas sugeridas por autores do manual. Agora queria que mostrasses o que
este poema — que repeti em cima, numa outra edição — tem de diferente da
perspetiva de Alberto Caeiro — e de semelhante, se achares que também há pontos
de identificação. No teu comentário, deves usar como exemplo contrastante
(porque segue a «ideologia» de Caeiro) o pequeno texto XXXV de «O Guardador de Rebanhos», de Alberto Caeiro, na p.
62, «O luar através dos ramos».
Notas sobre Tavira
Cheguei finalmente à vila
da minha infância.
Desci do comboio,
recordei-me, olhei, vi, comparei.
(Tudo isto levou o espaço
de tempo de um olhar cansado).
Tudo é velho onde fui novo.
Desde já — outras lojas, e
outras frontarias de pinturas nos mesmos prédios —
Um automóvel que nunca vi
(não os havia antes)
Estagna amarelo escuro ante
uma porta entreaberta.
Tudo é velho onde fui novo.
Sim, porque até o mais novo
que eu é ser velho o resto.
A casa que pintaram de novo
é mais velha porque a pintaram de novo.
Paro diante da paisagem, e
o que vejo sou eu.
Outrora aqui antevi-me
esplendoroso aos 40 anos —
Senhor do mundo —
É aos 41 que desembarco do
comboio [indolentão?].
O que conquistei? Nada.
Nada, aliás, tenho a valer
conquistado.
Trago o meu tédio e a minha
falência fisicamente no pesar-me mais a mala...
De repente avanço seguro,
resolutamente.
Passou roda a minha
hesitação
Esta vila da minha infância
é afinal uma cidade estrangeira.
(Estou à vontade, como
sempre, perante o estranho, o que me não é nada)
Sou forasteiro tourist,
transeunte.
E claro: é isso que sou.
Até em mim, meu Deus, até
em mim.
Álvaro de Campos, Livro de Versos, edição de Teresa Rita Lopes, Lisboa,
Estampa, 1993, p. 154
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TPC (para quem não esteve nas
aulas de 17 e/ou 18 de outubro) — Vê as aulas em causa em Gaveta de Nuvens,
para teres ideia do que se fez. No caso de haver matérias informativas,
estuda-as. Para o 12.º 1.ª: aulas 21 e 22-23; para o 12.º 3.ª:
aula XXII-XXIII; para o 12.º 4.ª: aulas 21 e 22-23.
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