Saturday, August 26, 2017

Viagens do 10.º 9.ª


Ficam as crónicas de viagem (por vezes, mais relatos de viagem do que crónicas) cujas reformulações me foram enviadas. As classificações — que acabam por se reportar à primeira versão, a não ser quando pude notar que não foram lançadas as emendas que introduzira — ficam junto do nome dos autores. Nesta versão não pus, em geral, as fotografias.

A minha viagem a casa
Esta viagem surgiu no decorrer e no desfiar das minhas férias, que já estariam no seu término, por convite dos meus vizinhos (oriundos do Porto), que tal como eu passavam férias no litoral Alentejano á já longos anos. Esses meus colegas do Porto haviam de me convidar para ir a Angola com a equipa de futebol deles, com a finalidade de participar em um torneio internacional. Com tudo já tratado passaportes, vacinas, ou seja, todos os cuidados a ter quando se vai viajar, em especial, ainda por cima, para o continente africano, conhecido por ser algo instável. Partimos no dia 26 de agosto e chegámos à capital (Luanda) cerca de oito horas depois de se dar a saída de Lisboa. Mal saímos do avião, sentimos o tal clima que nós europeus tanto ansiamos, as elevadas temperaturas manifestaram-se rapidamente e não tardámos a refugiarmo-nos na frescura que era o interior do aeroporto. De lá saímos numas carrinhas consideradas os táxis locais, que nos levariam ao local dos encontros de futebol (Benguela). É de referir a prosperidade tanto económica como cultural de Luanda, mostrando pelos seus edifícios certa riqueza mas, ao mesmo tempo, a pobreza que salta aos olhos de qualquer um, é de salientar os seus belos mercados onde os comerciantes vendiam produtos locais, como a banana-pão, entre outras tantas coisas, e também o tal espirito festivo que é habitual nos povos africanos. Havíamos percorrido já cinco horas de viagem entre Luanda e Benguela, e eu já havia vomitado umas três vezes durante a viagem, quando, finalmente, chegámos ao hotel onde ficaríamos hospedados esses quinze dias. Eu instalei-me num quarto confortável em conjunto com os meus amigos do Porto, que tinha vista para o mar e para a piscina. Para mim, não me interessava os valores ou o quanto era dispendioso, queria somente desfrutar desta minha viagem á minha terra natal. No dia seguinte, jogámos o nosso primeiro jogo e acabámos por vencê-lo tal como todos os jogos em que participámos, sendo eu aclamado o melhor marcador do mesmo. Nessa noite deu-se a festa mais incrível que já presenciei. E, visto que éramos os vencedores, ainda tivemos direito a jantar em que o prato que nos serviriam era o tão desejado funge angolano. No dia seguinte, decidi fazer-me à estrada novamente, e pretendia visitar a terra onde nasci (Kalandula) que havia sido devastada pela guerra colonial ocorrida entre os anos 70 e 73, que seria precisamente a última vez que voltaria a pisar solo africano, pois havia emigrado para Portugal nesse mesmo ano, assistindo assim a grandes modificações então ocorridas no histórico ano de 1974. Na chegada á minha terra de nascença, vi o rio em que brincava quando era uma criança, que era habitado por um avolumado número de crocodilos, vi a ponte em que o meu tio fora assassinado por ser polícia, onde acabei por pedir para parar para derramar lágrimas de saudade, até que vi a casa onde habitei até aos meus maduros treze anos. Observei do cimo de uma colina o local onde fazíamos teatros muito bem estruturados para os nossos pais. Meti-me por ali fora nos grandes matos africanos à procura das belas quedas de água de Kalandula, até que as encontrei e fiquei durante longos minutos a observar aquilo que a Natureza era capaz de fazer. Ao fim da tarde acabámos por sair de Kalandula, e à noite, chegávamos a Luanda, um lugar algo diverso de Kalandula, notando-se que menos afetado pela guerra. Na manhã seguinte fomos para o aeroporto, e acabámos a nossa jornada em Angola. Saímos de lá as onze de manhã e chegávamos a Lisboa às dezassete. Á saída do aeroporto lembrei-me de como foi importante descobrir as minhas origens. Afinal, levei e levo um pedacinho da minha terra, e espero que aquela não tenha sido a última vez que pisei solo africano, pois identifico-me com a sua cultura.
Diogo [S+]

A primeira de muitas
Sempre soube que quando crescesse queria percorrer o mundo de uma ponta à outra, mas a realidade é que com quinze anos nunca tinha saído do nosso país, que dizem ser tão pequenino. Para além da ansiedade de ir conhecer outra parte do mundo, era a minha primeira vez a andar de avião. Na noite em que os meus pais me anunciaram que íamos viajar, eu mal dormi a pensar em como seria, mas com o tempo o medo foi passando.
Ainda não vos revelei qual foi o meu destino, mas já lá vamos. No dia treze de março de 2015, às seis da manhã estava eu a levantar-me para ir para o aeroporto. Foi um momento muito rápido pois eu e os meus pais estávamos a tentar despacharmo-nos o mais depressa possível para não perdermos o voo. E, sim, nós somos desses que estão sempre atrasados para tudo. Quando chegámos, rapidamente entrámos no avião e descolámos. Estava à nossa frente um voo de quinze horas mas sabia que todas as horas iam ser recompensadas quando chegasse às Maldivas. Fiquei tão feliz por saber que íamos para um local de praia e que as temperaturas rondavam os 30 graus! Já só me imaginava naquelas praias paradisíacas a apanhar banhos de sol e a refrescar-me com um bom sumo natural.
Quando cheguei, fiquei automaticamente rendida à beleza natural da ilha e à simpatia de todas as pessoas que falaram comigo e que, de certa forma, fizeram parte desta viagem. Fomos diretamente para o hotel, tão grande que era capaz de me perder lá dentro, e que ficara mesmo à beira da praia. Chegámos à hora de almoço e estávamos a morrer de fome. Almoçámos no hotel. Sugeriram-nos os pratos típicos da ilha e era tudo completamente delicioso. A seguir ao almoço fomos visitar a parte urbana da ilha e mais uma vez, fiquei maravilhada.
Em toda a semana seguinte fiz tudo o que possam imaginar. Comecei por aproveitar as magnificas praias. O mar é de um azul forte e intenso, com areia de coral. As águas transparentes são fabulosas para passar o tempo com uma máscara de mergulho a explorar a biodiversidade mesmo ao lado da praia. Acabei também por fazer mergulho e digo-vos que foi das melhores experiências da minha vida. Explorei os esplêndidos recifes e usufruí do mundo subaquático. Experimentei o snorkel, que desconhecia e basicamente é conhecer os recifes de coral em que se pode observar mais de cem espécies de plantas e animais. Fiquei completamente fã. Outra das coisas que fiz foi embarcar num cruzeiro com o objetivo de observar os golfinhos, habitantes comuns nas diferentes ilhas das Maldivas. Aproveitei para nadar com eles, foi completamente incrível o momento de interação e o facto de serem tão meigos e inocentes. Por fim, uma das minhas últimas experiências foi andar de canoa pelos recifes de coral. O hotel fornecia canoas gratuitas para os hóspedes. Gostei tanto, que repeti no tempo em que estivemos lá alojados.
Foi uma viagem inesquecível e que vai estar para sempre no meu pensamento, talvez por ter sido a minha primeira viagem em família e para fora do meu país. A verdade é que, depois desta experiência, tenho ainda mais vontade de percorrer o mundo. O que eu dava para repetir esta jornada… Porém, não me preocupo, porque tenho a certeza de que foi a primeira de muitas.
Beatriz B. [B-]

Descobrindo os passadiços do Paiva
O sol abrasador espreguiçava-se pelas escarpas rochosas, que desenhavam o traçado irregular do passadiço, obrigando-nos a reforçar a ingestão de líquidos e fazer paragens frequentes apesar de haver muita sombra.Mal iniciei o percurso, as minhas pernas já imploravam por ajuda, pois os primeiros quilómetros fazem-se num terreno plano, a escassos metros da água, onde a vegetação é alta e abundante. Por vezes, o passadiço é interrompido por caminhos de terra batida, seca e poeirenta, o que dificultava mais a caminhada.
Acho que nunca caminhei tanto como naquele dia, cada lance de escadas que subia e descia parecia não ter fim, assim como o resto do percurso. Acho que toda a gente que como eu fazia o percurso concordava comigo, pois apesar da beleza da natureza e das praias, aquela imensidão de quilómetros “matava” de cansaço qualquer um.
Parei imensas vezes para me refrescar no rio e nas praias fluviais próprias para esse efeito. Por todo o caminho apenas se ouviam os pássaros, os rebanhos que por lá passavam, o rio, a natureza e as respirações já ofegantes de todos aqueles que percorriam aquele longo passadiço de madeira.
Após caminhar aproximadamente duas horas avistámos a praia fluvial do Vau, cujo areal é pequeno, acastanhado e poeirento, rodeado de pedregulhos. O sol espreitava por entre a enorme e densa vegetação, projetando sombras na areia. Naquela zona os banhos não eram aconselhados, porém nunca entendi o motivo, uma vez que a água era limpa e havia gente a nadar e a saltar de cima dos pedregulhos.
Continuando a jornada, caminhámos por mais de meia hora sem água e sem refrescos até avistarmos o que aparentava ser uma cabana, mas que, na verdade, era um café, onde pudemos comer e repor as nossas energias para seguir caminho. Ainda nos faltavam três quilómetros para terminar o percurso.
Esta aventura prolongou-se por várias horas pois a cada dois minutos parávamos para observar a natureza, tirar fotos das paisagens e ver as espécies de animais e insetos que lá habitavam.
Terminado o percurso já todos estávamos estafados e derreados pois tinha sido um total de cinco horas a caminhar e, por esse mesmo motivo, tivemos de voltar de táxi para junto do nosso carro.
Após este longo dia, tivemos de voltar a fazer uma viagem, mas, desta vez, de carro, para casa, e ainda foram umas boas e longas duas horas de viagem até à nossa casa na Sertã.
Os Passadiços do Paiva, a sua interação com a natureza, e a natureza em si, permitem-nos encarar a vida e os problemas de uma forma mais simples e clara, simplificando-os e resolvendo-os.
Luísa [B]

O inesquecível Gerês
Quando pensamos em viajar para sítios incríveis, de água cristalina, cascatas intermináveis e contacto constante com a natureza, provavelmente pensamos num lugar perdido na Ásia. Pois bem, hoje venho falar-lhes de um dos lugares mais bonitos do mundo, exatamente no continente Europeu, mais precisamente, no norte de Portugal.
Refiro-me ao Gerês, um dos mais bonitos lugares do mundo, onde estive durante uma semana no verão do ano passado, sem qualquer meio de transporte além dos meus pés. Passei essa semana a andar por trilhos inacabáveis no meio de montes e vales carregados de árvores e vegetação verde.
Todos os dias, uma nova aventura enfrentava. Não sabia ao certo quantos quilómetros tinha pela frente nem qual iria ser o plano do dia, apenas seguia os que comigo embarcaram naquela aventura. E andávamos, andávamos muito e queixávamo-nos, muito também. A toda a hora ouvíamos preguntas do género “mas quantos quilómetros faltam? “ ou “podemos parar só cinco minutos”. A certa altura já não conseguimos ver ninguém à frente devido ao cansaço. Muitos eram os que tentavam animar o ambiente, cantando músicas mas a única coisa que recebiam em troca era um “cala-te” ou “já não te consigo ouvir mais” (confesso que era uma das pessoas irritantes que persistiam em cantar).
Sem dúvida que os caminhos e trilhos eram realmente muito longos mas havia sempre uma compensação, quer fosse uma cascata para nos refrescarmos, uma vista incrível ou, até mesmo, uma boa conversa com uma nova amizade durante o caminho.
O que mais me encantou nesta viagem foram claramente as cascatas. Nunca pensei que num lugar tão “escondido” como o Gerês fosse possível ver uma cascata com uma água tao gelada mas tão bonita e limpa. Parecia que tudo era feito por alguém que sabia o que era fazer aqueles cansativos trilhos e só querer uma compensação para “lavar” o suor e recarregar energias.
 Foi no Gerês que vi a melhor vista de toda a minha vida. Ao final da tarde, tínhamos acabado de chegar da cascata do arado e subimos um trilho gigantesco, mais precisamente até 829 metros de altitude, e o sol estava mesmo prestes a pôr-se. Então, sentámo-nos, extremamente cansados, a contemplar a vista e o céu a ir mudando de cores até o sol se pôr completamente. Foi inesquecível, um dos melhores momentos de toda a viagem.
Outra coisa incrível no Gerês (e em mais ou menos toda a região do norte) é a simpatia e hospitalidade das pessoas. Houve um dia em que já não conseguíamos andar mais (ainda por cima com mochilas). Então, encontrámos uma carrinha de bombeiros e pedimos-lhes que nos levassem as mochilas. Foi imediata a resposta “sim” e, visto que todos continuávamos extremamente cansados, resolvemos pedir boleia aos carros que passavam. Foram muito raros os que responderam “não”, o que me impressionou bastante positivamente visto que éramos apenas um grupo de desconhecidos cansados.
Concluindo, o Gerês é dos melhores lugares do mundo, sem dúvida. Não só pela sua extrema beleza natural como também pelas pessoas genuinamente simpáticas e dispostas a ajudar.
Francisca [B-]

Índia não é férias, é uma experiência de aprendizagem
Posso dizer que concretizei um dos meus maiores sonhos de criança no ano passado. Coloquei a mochila às costas e viajei até à India. Pode parecer estranho dizer que é um desejo de criança, mas a verdade é essa nua e crua. A única diferença é talvez a perspectiva de ver a região, visto que tudo o que me atraía quando era uma catraia eram os elefantes, as tatuagens de henna e a imensidão de cores. Agora, mais velha, preferi optar por ver a verdadeira realidade do país: a pobreza, confusão e discriminação.
No primeiro momento em que cheguei à Índia apercebi-me de que era um país de grandes contrastes. A prova disso era a riqueza representada nos palácios do Rajastão e a pobreza que estava mesmo à frente dos olhos de todos nós: vacas a andar no meio da rua  e animais vivos a serem vendidos nos mercados. Para não falar do trânsito caótico. Pode parecer normal para todos os que ficam horas e horas na segunda circular todas as manhãs, mas as duas situações não podem ser comparadas. Só para poderem ter uma ideia, ninguém respeita as faixas, muito menos o conceito de contramão, por isso a única sinalização que podemos encontrar é a buzina. O trânsito é uma verdadeira confusão de carros, motas, tuk tuks, cavalos, pessoas, bicicletas e, até, camelos. Se a buzina é uma constante na vida dos indianos, os perfumes fortes também o são. Quer seja do incenso, do cheiro da comida, dos esgotos ou do cocó de vaca, tudo na Índia tem um perfume característico.
A comida…. Posso dizer que  sempre gostei de comida indiana, por isso não tive grande dificuldade em adaptar o meu estômago aos pratos apimentados e currys mirabolantes. Cheguei viva e sem qualquer tipo de intoxicação alimentar a Portugal mas também não me arrisquei a comer qualquer coisa, muito menos a comer comida de rua, visto que os hábitos de higiene na India ainda são muito precários. Só para poderem ter uma noção alguns alimentos são servidos em jornais usados como se fossem uma espécie de guardanapo.
Tudo o que acabei de testemunhar pode fazer com que muitos mudem de opinião acerca deste país. Não quero de todo transmitir a ideia de que foi uma má experiência, mas não posso negar que foi complicada. Para mim, isto, sim, é viajar: adquirir novas referências, quebrar preconceitos, integrar culturas, diversificar, ampliar a nossa mente, fazer amigos e perceber face a diversas situações quem somos realmente.
Por último, quero apenas deixar uma palavra sobre a minha fuga à India… Namaste! Digo isto com as palmas das mãos juntas e um grande sorriso na cara, tal e qual como diariamente aquele povo se dirigia a mim.
Mariana M. [B(+)]

Lloret de Mar
A maioria das pessoas certamente não reconhece este nome, talvez o associe a algo espanhol ou latino, mas não sabe imediatamente que é uma cidade localizada no nordeste de Espanha.
Tudo começou no ano passado com uma notícia do treinador e do coordenador do meu antigo clube a informar a minha equipa que havíamos sido contactados para ir a um torneio em Espanha, mais especificamente em Lloret de Mar. A princípio ficámos todas excitadas pois nunca havíamos saído de Portugal para um torneio.
Os dias passaram até chegarem as férias da Páscoa e, consequentemente, a data do torneio. Encontrámo-nos todas exceto uma colega, que foi de carro, no aeroporto e embarcámos assim que o avião chegou. Quando desembarcámos, os meus ouvidos estavam entupidos e assim permaneceram durante um bom tempo, fazendo-me odiar andar de avião.
Fomos hospedadas num hotel simpático e eu ainda me lembro de, no segundo dia, se não me engano, tentar falar com o rececionista a pedir gelo. Pedi em inglês, tentei em português e quase falei em francês, mas o homem não percebia nada do que eu dizia e teve de ser uma colega minha que estudou espanhol na escola a dizer para o senhor compreender. As palavras não diferem muito, “gelo” em português e em espanhol “ielo”, mas, ainda assim, o senhor não percebia nada do que saía da minha boca.
Algumas outras divertidas histórias aconteceram, como as outras equipas também hospedadas no nosso andar que eram só masculinas a comunicarem connosco e a falarem coisas em espanhol, que eu, diferentemente do rececionista, percebia, embora fosse outra língua, sempre que nós passávamos por eles, quando fomos sair à noite e a minha equipa insistiu em alterar o meu estilo de roupa, algo que se tornou bastante divertido até.
Para além disso aproveitámos a viagem também para irmos à praia e sair uma vez à noite. Quanto à praia, naquela altura do ano estava praticamente vazia, sobretudo devido ao frio, que, por mais que eu, sendo calorenta, não sentisse tenho de admitir que estava frio. Isso não nos impediu de entrar no mar gelado e aproveitarmos. A primeira a saltar não fazia nem cinco minutos que lá tínhamos chegado e ela atirou-se ao mar, fazendo o resto de nós segui-la.
Dois dias depois, se não me engano, saímos todas para ver como era Lloret de Mar à noite. Devo dizer que não eram apenas os espanhóis do hotel que ficavam a olhar para nós e a comentar e assobiar. Esquecendo isso, Lloret de Mar é uma cidade bastante gira e, enquanto andávamos pelas ruas sem ter total certeza de onde deveríamos ir, convidaram-nos para irmos a uma discoteca, mas tivemos de recusar. Em vez disso, ficámos num bar simpático, onde nos deram imitações dos colares do Havai, e eu e outras colegas fomos para a praia que era lá perto e uns rapazes italianos vieram falar connosco.
Alguns dias depois tivemos de ir embora. Nem tudo o que é bom dura para sempre, e, mais uma vez, os meus ouvidos ficaram irritantemente entupidos, fazendo-me mais uma vez odiar aviões. Assim que os meus pais chegaram, impediram-me de ir ao Starbucks por mais que eu insistisse, uma vez que tínhamos de ir para a festa de aniversário da minha prima e, para variar, já estávamos atrasados. Depois dessa viagem, o meu pai diz sempre, quando tem oportunidade, “já estiveste em Barcelona”, ao que eu tenho de responder “no aeroporto de Barcelona, sim”.
Leonor [S+/B-]

Meco: o paraíso tão perto
A Aldeia do Meco ou ,simplesmente, ‘Meco’, como eu, carinhosamente, lhe chamava foi o destino de eleição vezes consecutivas das minhas férias em família, a princípio, apenas as de verão, mas pela enorme qualidade do tempo lá passado, passaram a ser lá também, as de Páscoa e de Carnaval.
Podíamos ter ficado instalados num hotel ou algo do género, mas, pela insistência do meu pai em ganharmos mais proximidade da natureza, uma tenda com dois ‘quartos’ dentro do parque de campismo tornou-se o meu apartamento de hotel, e os balneários partilhados a minha casa de banho da suite. Relutante, nada podia fazer senão aceitar ter de dormir no chão todas as noites e acordar ao ouvir os pássaros acordarem também, enquanto a luz do Sol iluminava também a tenda, batendo diretamente na minha cara.
Ficávamos sempre na mesma parte do parque, mesmo ao fundo, sobre uma arriba que além de uma vista maravilhosa sobre a Praia das Bicas, nos dava acesso exclusivo à praia, ainda que por um estreito carreirinho,com degraus esculpidos pelos moradores do parque, que descia a arriba.
E, com o passar do tempo, a minha relutância desvaneceu-se para dar lugar a um gosto insaciável por aquele lugar, que de diferentes maneiras me marcava e deixava na memória momentos de que apenas me resta a saudade. Da piscina cheia de cloro ficavam os escaldões nas bochechas e na planta dos pés, da praia com uma fonte de argila ficavam as manchas pretas no fato de banho, do campo de futebol, os joelhos esfolados, do campo de mini-golfe, à noite, as picadas das melgas, e do parque ficavam as queimaduras nas pernas por descer o escorrega que estava a escaldar.
Apesar de acreditar que poderia viver sem do parque de campismo sair, devido a lá existirem lojas como uma mercearia, uma peixaria, um talho, uma papelaria e dois restaurantes e cafés, várias vezes por semana tínhamos de ir a Alfarim para fazer compras com maior variedade, o que eu adorava porque íamos sempre à mesma mercearia, pequenina mas acolhedora, gerida por uma senhora que apesar de já ter alguma idade, tinha um espírito jovial e uma simpatia encantadora. Nessa mercearia, após as compras de sempre, era capaz de convencer o meu pai a comprar me sempre algum doce.
De volta ao meu pequeno paraíso, apenas a uma hora de distância de casa, estava outra vez capaz de desfrutar das paisagens, do baloiço na árvore, da companhia dos meus amigos de lá, dos jogos de cartas. E, para acabar cada dia, nada melhor que uma refeição num dos restaurantes acompanhada do gelado de sempre. É claro que antes de ir para a tenda tinha de dançar no arraial de todas as noites, porque, afinal, não há festa em Portugal sem um pouco de pimba.
No Meco os dias são mais longos, as noites mais quentes, os sorrisos mais alegres, o pôr do sol mais bonito, a areia mais grossa, as ondas mais baixas, o ambiente mais calmo, os risos mais verdadeiros e os momentos mais inesquecíveis. Se temos a oportunidade de visitar um sítio tão bom como este, porque não fazê-lo e perceber o que é ser realmente feliz?
Ivânia [B]

Recordar o inesquecível
De Murano, quero algo que sempre me lembre dos seus lindos canais e das suas casas coloridas; quero algo para me lembrar do sorriso surpreendido da Andreia, a minha namorada, quando ela percebe que a nossa viagem vai mudar totalmente.
Embarcámos num barco e observámos, enquanto avançámos pela lagoa, como aquela pequena ilha surge na nossa vista, enquanto Veneza se afasta atrás de nós. A apenas meia hora da costa e a vinte minutos a pé de Veneza, Murano é como um brilho reluzente do continente.
Em exposição no Museu do Vidro de Murano vi objetos que foram refletindo a luz da água há milhões de anos. Essas peças frágeis sobreviveram às guerras e ao tempo, e ainda hoje brilham e são admiradas por milhares de visitantes.
Lojas de vidro estendem-se passada uma curva no canal, cada uma com a sua própria personalidade: uma que está dentro de uma espécie de gruta, uma muito iluminada galeria de belíssima arte, outra contendo uma grande coleção de borboletas de vidro, prestes a levantar voo.
Portas abertas em oficinas, homens de avental acenando a visitantes e a fazerem demonstrações de sopro de vidro. Escolho aleatoriamente, pelo jeito, pelo simples facto de de uma loja em que as chávenas de chá são todas completamente diferentes e únicas me chamar a atenção. "Este aqui?", pergunto a Andreia, que parou de repente diante de uma exposição de vasos vermelhos com flores de vidro da cor de seus próprios olhos azuis. "Este aqui", ela concordou.
Um artista leva uma bola de cor fundida, vermelha e amarela, e gira-a para a extremidade de um tubo de metal. Com sopros de ar suave, molda, movendo-se rapidamente e transformando fogo em vidro. Vejo-o fazer isso de novo, deliciado com aquele espetáculo maravilhoso.
Em cada esquina há sempre uma loja de candelabros, taças, vasos, molduras construídas de missangas derretidas em conjunto. Pode ser desorientante, até se perceber o grande segredo de Murano: o nosso próprio tesouro, aquilo que precisamos toda a nossa vida sem o sabermos realmente está aqui algures neste lugar.
Comprei uma estatueta de vidro soprado, um coração feito de um fino tubo vermelho e, no centro, uma mulher de vidro num baloiço. Para mim, é como um retrato da minha “companheira de viagens”, uma versão brilhante do seu sorriso, tal como ela compra um vaso de vidro em que nunca irá colocar flores, porque isso é um exagero: a magnífica mistura de cores do próprio vaso é suficiente.
Deixei assim Murano, a ilha que todos devem visitar, se um dia forem a Veneza. Levo comigo recordações de uma viagem inesquecível, que ainda hoje estão na minha secretária, onde me sento todos os dias e recordo os dois melhores dias da minha vida.
Pedro [B]

O encanto do Porto
De todas as viagens que já fiz, o Porto foi um dos meus destinos favoritos. A verdade é que há muito que o queria visitar e, no verão passado, a minha família tornou esse desejo possível.
Depois de dois dias a visitarmos Braga e Guimarães, encaminhámo-nos para o destino tão esperado. Passando pela ponte D. Luís, de carro a vista era linda. Ainda mal sabia eu que, vista de cima, a paisagem tornava-se num encanto.
Deixámos as bagagens no hotel e fomos visitar as movimentadas ruas da cidade, passámos por enormes ruas cheias de lojas, pela Avenida dos Aliados, entre outras. Recordo-me de passarmos pela Rua de Santa Catarina e por fora do centro comercial havia uma espécie de “máquina de desejos” com uns tubos cor-de-rosa, em que, supostamente, se segredaria um desejo e o desejo se tornaria realidade. Achei engraçado. Para além da atração que aquelas ruas me despertavam, o que também me chamava à atenção era aquele sotaque carregado do Norte, que se ouvia por todo o lado e a atenção que as pessoas têm umas pelas outras, aquela sensação de se ter alguém sempre disposto a ajudar, muito diferente dos lisboetas que, embora muito simpáticos, não são tão hospitaleiros (no Norte as pessoas são muito mais prestáveis e não há turista que se sinta perdido ali). Já para não falar da gastronomia, que é excelente.
Ao final da tarde, já cansada de tanto caminhar, não pude perder a oportunidade de observar o belo rio Douro lá de cima, na ponte. Fizemos o trajeto a pé até à outra margem e parámos no jardim para contemplar a paisagem e comer um gelado. Estava um belo dia de sol e a vista para o Douro era incrível: os barcos que atravessavam o rio; os grandes edifícios que, do outro lado, pareciam minúsculos; o próprio rio, magnífico.
Depois do jantar num simpático restaurante, fomos passear até às esplanadas, na zona ribeirinha. As ruas eram iluminadas e animadas, havia imensos bares, músicos e dançarinos, as pessoas conviviam alegremente, o que transmitia um certo conforto. De manhã, aquela cidade era linda, mas, à noite, tinha um toque de magia.
No dia seguinte, parámos no café para tomar o pequeno-almoço. Era o último dia no Porto e havia locais que ainda queríamos visitar. De volta à Avenida dos Aliados, seguimos para o famoso Mercado do Bolhão e, de seguida, fomos visitar a Sé do Porto. Por fim, fomos até à Torre dos Clérigos e descemos rua abaixo para passearmos por outras ruas antes de regressarmos ao hotel.
Antes do regresso a Lisboa ainda deu tempo de passarmos por Aveiro e comprar uma caixinha de ovos-moles. Queríamos ter andado no barco pela Ria de Aveiro mas a fila de marcações era grande, então acabámos por passear um pouco por lá.
Desta viagem levo comigo grandes recordações e espero um dia poder regressar, porque é uma cidade tão linda quanto a cidade de Lisboa. Foi uma viagem que, com certeza absoluta, excedeu as minhas expetativas.
Marta [B-]

Protetor solar
No verão de 2017 fui a Marrocos. Depois de uma viagem curta de avião, eu, os meus pais, os meus irmãos e os meus avós paternos chegámos a Saidia. Apesar de ainda estar no aeroporto, reparei logo que chegáramos a um sítio estranho: as pessoas eram diferentes, os sons eram diferentes, até os cheiros eram diferentes.
Entrámos no autocarro, com o resto dos turistas e dirigimo-nos ao hotel. Lá, a primeira coisa que fizemos foi mergulhar na piscina. E, logo a seguir saí porque me lembrei de que as piscinas de hotéis me deixam enjoada.
Os dias eram todos iguais: acordava às dez, vestia um biquíni, uns calções e uma túnica e ia tomar o pequeno-almoço. Íamos para a praia mesmo à frente do hotel (que era praticamente igual a uma praia na Costa da Caparica); depois, pausa para o almoço e voltávamos para a praia; ao fim da tarde, normalmente, alugávamos umas bicicletas e, em família, dávamos uma volta nas redondezas, onde existia uma espécie de centro comercial a céu aberto, abandonado, com alguns restaurantes e lojas para turistas cujos prédios eram tipicamente marroquinos; umas docas e uma minifeira que estava deserta e era, no mínimo, sinistra.
Num dia, fiz uma “henna” (tatuagem típica de Marrocos) nas costas, realizada na praia por uma senhora meio estranha que nos perseguiu o resto das férias tentando convencer-nos a tatuar o corpo todo; noutro dia andei de camelo pela praia; noutro dia, fomos num comboiozinho turístico, à noite, até às docas, onde comprei, na tal feira sinistra, que não era tão sinistra de noite, um óleo natural qualquer que eles faziam lá e um brincos gigantescos e noutro dia ainda, fomos ao centro da cidade, a uma feira que achávamos que ia ter comida tradicional e roupa tradicional e tudo o que houvesse de tradicional, mas onde apenas vimos galinhas vivas e outros animais, uma feira gigante de roupa usada e lojas com falsificações de marcas conhecidas quase perfeitas.
A verdade é que não sou a maior fã deste tipo de viagens, do género estância balnear, onde ficamos num resort, onde passamos o dia a comer à discrição, onde passamos o dia na praia, onde temos aulas de body step e de yoga à tarde com um monte de turistas que mais parecem camarões flácidos, onde à noite temos jantares étnicos com comida “exótica” e onde assistimos a espectáculos sinistros realizados pelas mesmas pessoas que nos deram uma aula de hidroginástica no mar naquele mesmo dia à tarde.
Provavelmente, depois deste texto tão revoltado, das duas uma: ou acham que esta viagem foi horrível e que não valeu a pena, ou pensam que sou uma menina exigente, pobre e mal agradecida.
Mas a verdade é que eu adorei. Não me apercebi disso na altura mas hoje sei que adorei, sei que fiz bem em ir, sei que devia ter aproveitado ainda mais. Porque hoje sei que aquela foi a última oportunidade que Deus me deu para realmente estar com a minha avó, para criar as minhas últimas memórias com a minha avó. E foi o que fiz. Até podem parecer estúpidas, mas foi aquilo de que me lembrei mais durante o seu funeral. Só me conseguia lembrar do protetor solar que ela me dera num dos dias de praia em Marrocos, daqueles que ajudam a bronzear, porque ela não tinha conseguido deixar de reparar que, depois de três dias ao sol, eu continuava branca. Dos jantares com ela e das suas piadas sarcásticas. Naquela altura, como é que podia adivinhar que ela ia ficar tão mal em novembro e que em janeiro ia acabar por nos deixar, e que hoje, em abril, sempre que eu olhasse para aquele protetor solar me ia lembrar da avó com saudade?
Por isso, sim. Apesar de não ter sido perfeita, hoje guardo esta viagem a Saidia com muito carinho e saudade dentro de mim.
Margarida V. [B+]

Punta Cana
Sempre adorei a ideia de viajar para o mais longe possível de casa, mas também sempre achei que fosse uma coisa praticamente impossível pois tinha um medo tremendo de andar de avião. Aliás, tanto eu como a minha mãe.
No ano de 2016 fiz a minha primeira viagem de avião a Paris e a partir desse dia, o meu medo de andar de avião desapareceu por completo.
No ano a seguir, em 2017, eu e a minha família quisemos aventurarmo-nos bastante, sair da Europa durante uma semana e ir para um sítio paradisíaco. Estávamos indecisos entre vários sítios, mas acabámos por decidir ir à República Dominicana, mais especificamente a Punta Cana. Marcámos os bilhetes de avião e o hotel e ficámos deveras entusiasmados e ansiosos só de ver as fotos de como aquilo era. Por isso, esperámos ansiosamente para que a altura chegasse.
Finalmente, chegou o dia em que tivemos de nos levantar às 6h da manhã para apanharmos o voo. Num dia normal iria custar-me levantar às 6h da manhã, mas estava tão entusiasmada que podia jurar que não tinha sono nenhum naquela altura. Apanhámos o táxi e fomos para o aeroporto. Estávamos no mês de Agosto e estava uma manhã muito calorenta em Portugal.
Quando estávamos no avião, senti-me menos preocupada do que pensara que iria sentir-me visto que tinha doze horas previstas de avião pela frente.
Após doze horas de puro aborrecimento mas, ao mesmo tempo, entusiasmo, chegámos e eu mal podia acreditar que, pela primeira vez na vida, estava fora da Europa e tinha atravessado o Oceano Atlântico. Dentro do avião estava imenso frio, por isso comecei a intrigar-me um pouco, pois deveriam estar cerca de 30ºc, eu estava a utilizar uma camisola de mangas compridas pois estava com frio; mas, mal pus um pé fora do avião, senti-me quase forçada a tirar a camisola. Estava um calor intenso e um bafo que, na altura, chegou a ser preocupante. No início, assustei-me mas vi todos a rirem-se e acabei por me habituar àquele calor.
Chegámos ao hotel e estávamos cheios de sono, mas, como ainda não tínhamos jantado, fomos ao restaurante. Nesta noite parecia-me que ainda não estava em mim, não sei se era por causa do jet lag, de não ter dormido no avião ou de estar escuro e ainda não conseguir ver muito bem como era a zona, mas sei que, quando, de manhã, me levantei e saí do quarto do hotel para ir ver a paisagem, a praia e explorar o hotel inteiro, fiquei maravilhada como nunca antes na minha vida tinha ficado. A praia tinha os grãos de areia mais finos que alguma vez tinha sentido na vida, a água era tão quente como um duche no inverno e tão transparente como o vidro, os empregados do hotel tão simpáticos que dava vontade de meter conversa com eles e o hotel tão grande que eram precisas paragens de uns mini-autocarros para as pessoas chegarem aos seus quartos. No entanto, a pé ia-se bastante bem, visto que se tinha uma paisagem magnífica.
Com o calor que lá fazia, não se podia estar parado ao sol por mais de cinco minutos que, se começava imediatamente a suar. O sol era tão intenso que o único sítio onde nos podíamos realmente refrescar com água era no chuveiro, pois tanto a água da praia como a da piscina estavam aquecidas devido à intensidade do sol.
Estar uma semana neste paraíso foi uma experiência memorável e de certeza que o aconselho a qualquer pessoa que goste de praia e de relaxamento (e não só, visto que há também programas radicais e divertidos para entreter as pessoas). Foi uma semana de felicidade que parecia inesgotável.
Carolina D. [B-]

Verões em Espanha

A minha família sempre foi de realizar viagens pelo menos uma vez por ano. Eu e os meus pais íamos quase sempre para o sul de Espanha. Nunca ficávamos no mesmo sítio, mudávamos todos os anos, mas era sempre no sul de Espanha.
O povo espanhol não é muito diferente do povo português em termos de personalidade. Os espanhóis são um bocado barulhentos quando se parte algum prato num restaurante ou no hotel, mas, de resto, tudo bem. Claro que têm a sua cultura, como as touradas ou o flamenco. Também têm a sua gastronomia (um dos pratos preferidos dos meus pais, a paella).
O sul de Espanha, pelo menos onde eu ficava hospedada, não mostrava muito a história do país. Onde se via mais essa história era em Sevilha, mas eu só passava lá para almoçar e, normalmente, estava demasiado calor para ver monumentos. Onde eu ficava hospedada só havia praias e turistas.
A areia das praias é diferente da das praias de Portugal, é mais escura devido às montanhas que estão perto da praia. A água do Mediterrâneo é muito mais quente que a do Atlântico, obviamente, mas, mesmo assim, era difícil de entrar na água logo à primeira, ao contrário da praia de La Manga del Mar Menor.
La Manga é um cordão litoral que separa o Mar Menor do Mar Mediterrânio. Eu fui a La Manga quando tinha onze anos. Fiquei hospedada num hotel que dava acesso a praias do Mar Menor e do Mar Mediterrâneo. Os meus pais contaram-me que, quando eu tinha nove meses de idade, fui lá pela primeira vez, mas eu não me recordo de nada, como é de esperar. Eles também me contaram que eu chorava quando entrava na água do Mediterrâneo, mas não chorava quando entrava na do Mar Menor porque a água era quente e agradável. Aconteceu exatamente a mesma coisa quando eu tinha onze anos, mas eu não chorava, simplesmente não queria ir com os meus pais à praia do Mediterrâneo. Por isso, ficava na piscina a ter o momento da minha vida dando mergulhos e falando com crianças espanholas da minha idade. Devo referir que só compreendia as palavras parecidas às com as portuguesas porque, de resto, era “um zero à esquerda” quando se tratava de entender a língua espanhola. Os meus pais iam à praia aproveitar o sol de Espanha e o Mar Mediterrâneo e eu esperava por eles para depois ir à praia do Mar Menor. Foram umas férias engraçadas.
Uma das coisas que eu mais gostava dos hotéis de Espanha quando era criança eram as atividades que preparavam para as crianças. Havia um clube com animadores e faziam-se jogos, desportos, pinturas, peças de teatro, danças e, às vezes, nós ajudávamos os animadores a fazerem atividades para os idosos na piscina. À noite, depois do jantar, no terraço do hotel, punham todos os dias música para as crianças e, mais tarde, havia música ao vivo ou então jogos engraçados em que pessoas de todas as idades pudessem participar. Lembro-me de um jogo em concreto em que os meus pais participaram (e ganharam): se bem me lembro, eram três casais e eles tinham dois minutos e meio para usarem a roupa um do outro. Foi um jogo muito engraçado. Lembro-me que os meus avós estavam lá e eles não pararam de rir até irem para os seus quartos e dormir. O prémio que os meus pais receberam foram umas canecas, toalhas e aventais. Coisas úteis para a vida.
Confesso que o povo espanhol é um bocado barulhento, mas também é divertido e engraçado. E isso é que importa.
Adriana M [S+/B-]

Rotina de férias
Desde que sou pequeno, não em altura mas em idade, que me lembro de fazer aquela longa e chata viagem de duas horas até Vilamoura, que é basicamente o nosso Puerto Banús, e lá ficar no Tivoli. Não me lembro da minha primeira vez no hotel, mas com certeza lembro-me das últimas e das mais históricas, de certa forma. Acho que nunca tive o sentimento de ansiedade tantas vezes para ir para outro sítio como para ir para o hotel (sem contar com o Estádio da Luz). As duas semanas que passo todos os verões no Tivoli fazem que, quando ainda falta um mês para fazer a viagem, já estou eu a queixar-me de faltar tanto tempo. A ansiedade toma conta de mim nas vésperas e antevésperas.
Chegar a Vilamoura, pôr as malas no quarto, vestir os calções de banho, ir buscar a toalha e dar um enorme mergulho como se nunca tivesse entrado numa piscina antes era a primeira coisa que fazia ao chegar ao hotel. Antigamente, porque agora sou mais dorminhoco, levantava-me mais cedo que os meus irmãos e pais e ia à piscina onde nos eram dadas as toalhas correspondentes ao número de pessoas que éramos, neste caso seis, e garantia umas espreguiçadeiras que estivessem relativamente perto do bar, o mais perto possível para ser honesto. Depois, tomávamos o pequeno-almoço, o que, para mim, era uma das melhoras horas do dia para não dizer a melhor. Comia panquecas com topping de chocolate e bebia sumo de qualquer fruto que possa imaginar, mas preferia os de ananás e manga. Em seguida, íamos para a piscina e o dia era passado lá. Às vezes almoçávamos lá no bar, onde serviam hambúrgueres extraordinários, asas de frango maravilhosas e saladas deliciosas. Dia sim, dia não eram feitos jogos de futebol no campo que havia lá no hotel, organizados pelos monitores que faziam atividades com as crianças. Jogar futebol lá, para além de me aumentar as capacidades no desporto, trouxe-me novas amizades fora de Lisboa e até fora de Portugal e também melhorou o meu inglês.
De noite, íamos sempre jantar na marina ou na Quarteira, onde tínhamos uma variedade de restaurantes absurda. Podíamos comer italiano, chinês, indiano, japonês e mais algumas coisas de que não me recordo. Depois de jantar, comíamos um gelado e seguíamos para o bar do hotel, que só estava aberto de noite e tinha lá sempre um cabeludo a cantar Rui Veloso e Pedro Abrunhosa. À medida que fui crescendo, comecei a explorar melhor a marina e arredores com o meu irmão e os nossos amigos.
Estas viagens deram-me novas amizades e novas experiências e, por isso, fico muito feliz por as ter feito.
Tiago [S]

Barcelona — um especial obrigado
Não me considero uma pessoa muito atraída pela praia, prefiro a confusão citadina e o barulho dos carros e das pessoas a conversarem entre si. Sempre tive interesse em conhecer novas culturas, novos hábitos e novos costumes. No entanto, a ideia de visitar Barcelona não me cativava, pensava que, por ser uma cidade de Espanha, seria idêntica a todas as outras que já visitara. Estava profundamente enganada.
Tudo começou com a obsessão da minha irmã por um cantor inglês que ia atuar em Barcelona. Ela comprou um bilhete sem nada marcado, não tinha lugar onde dormir, viagem de avião ou companhia. Pensara em partir sozinha à aventura, mas, um ou dois meses antes, reconsiderou esta ideia e decidiu que precisava de alguém que a acompanhasse. Eu fui a escolhida. Com algum esforço, persuadiu-me a ir com ela e, com facilidade, delineámos o itinerário.
A 26 de março de 2018 já estávamos sentadas no avião, prontas a descolar e ansiosas para saber o que nos esperava. O barulho de fundo das turbinas do avião dava-nos conta de que era real, íamos embarcar numa aventura e criar uma nova história.
A viagem fez-se tranquila e serenamente (dormimos o tempo todo) e não demorámos mais de duas horas.
Mesmo estando no país vizinho, ao sair do aeroporto há todo um novo clima na atmosfera. Um clima que me chama a atenção; que me desvia dos meus sentidos e simultaneamente preenche-me por completo. A curiosidade toma conta do meu corpo e vejo-me a dar quatro ou cinco passos para a frente, sem sequer me aperceber disso. Quando dei por mim a minha irmã tinha desaparecido e, por breves momentos, entrei em pânico. Não sabia o que fazer num lugar tão imenso e intimidante. Rapidamente a encontrei e também ela estava desnorteada e um pouco assustada.
O apartamento ainda ficava a meia hora de distância, o que nos permitiu absorver as paisagens que agora rompiam diante de nós. O autocarro deixou-nos numa rotunda famosa em Barcelona - La Plaza de España - a três minutos daquela que seria a nossa casa nos dias seguintes.
Beneficiámos desta localização tanto a nível turístico como de transportes, o que tornou o apartamento muito prático, para além de acolhedor.
A estadia durou quatro dias e tínhamos o tempo contado para conhecer as atrações antecipadamente planeadas.
Visitámos o Museo de Arte Moderna, o que para a minha irmã, uma estudante de artes, foi muito enriquecedor. A mim encantavam-me as cores que a cidade oferecia. As formas como elas se conjugavam e transformavam, criando harmoniosas paisagens. A Casa de Batló e o Paque Guell surpreenderam-me pela sua criatividade e originalidade. A junção de uma arquitetura única com uma palete de cores vivas e chamativas caracterizava esta cidade espanhola.
Las Ramblas e o Mercado de La Boqueria deixaram-nos boquiabertas com a quantidade de pessoas que por elas passeavam. Uma avenida feita de comércio e um mercado de comércio feito. Aproveitámos para comprar lembranças para oferecer e outras tantas para nós.
Também o povo catalão me conquistou pela sua simpatia e boa vontade. Por vezes, noutras cidades de Espanha, sou abordada com um ar snob e arrogante. No entanto, em Barcelona, isso não aconteceu. Mostraram-se sempre educados, prestáveis e atenciosos.
O tão esperado concerto ajudou-nos a conhecê-los ainda mais, assim como às suas agudas e estridentes vozes. Foi divertido, mas não tanto quanto as férias em si.
A cidade provou que eu estava enganada quando me mostrei receosa em conhecê-la e só tenho de agradecer à minha irmã pelo seu gosto musical.
Obrigada pelas maravilhosas férias a duas...
Margarida P. [B+/MB-]

Peculiaridades

Desde pequena que viajo muito com os meus pais porque é assim o trabalho deles. Com a frequência de quase semana em semana, apanhamos um avião ou um barco e tanto a minha mãe como o meu pai, independentemente do país onde estivermos, encontram um internet café e passam lá os dias no computador. Ou isso, ou visitam escritórios de pessoas importantes para reuniões. O meu pai é jornalista e a minha mãe trabalha numa agência de viagens, portanto suponho que nada disto é inesperado.
E eu? Eu encontro sempre algo para me entreter. Os meus pais dão-me permissão para explorar as redondezas dos hotéis livremente, e é precisamente isso que eu faço, logo que acabo as minhas aulas (como estou sempre no estrangeiro, tenho uma professora que me ensina tudo por Skype). Ao longo dos anos, encontrei o meu passatempo preferido para estas alturas: provar gelados. Há muitos mistérios no mundo, mas um que realmente nunca vou desvendar é como é que nem toda a gente se insere no grupo “apreciadores de gelado”. É tão bom! Descubro de todas as vezes sabores diferentes, apesar de parecer sempre que já provei todos os existentes.
Viajamos tanto, que é raro visitarmos um país que eu já não conheça. E é por isso que estou a escrever sobre a minha primeira viagem ao Brasil. Mais precisamente ao Rio de Janeiro.
Não me recordo se foi em novembro ou dezembro de 2016. Talvez até tenha sido em janeiro. De qualquer maneira, estava calor, porque, salvo erro, foi a viagem durante a qual provei mais sabores de gelado diferentes. Não que a temperatura seja um fator do qual dependa o meu consumo regular de gelados, porque gosto de gelados até quando está a nevar. No entanto, como a qualquer pessoa normal, o calor incentiva-me. 
Nesta viagem fui só com o meu pai, que precisava de escrever um artigo sobre os efeitos visíveis no Rio de Janeiro posteriores aos Jogos Olímpicos daquele ano. No hotel, fomos recebidos com muita simpatia tipicamente brasileira e instalámo-nos num quarto extremamente acolhedor com vista para a praia. Logo no primeiro dia, enquanto eu tinha as minhas habituais aulas por videochamada, o meu pai fez vários telefonemas, e, quando acabei, avisou-me que ia sair, dando-me algum dinheiro para a mão.
Estava um bocado cansada da quantidade de exercícios de matemática que tinha feito, portanto instalei-me na cama a ver um episódio de Amar Não É Pecado, uma novela brasileira que, por alguma razão, era exatamente igual em Portugal. A cerca de metade do episódio, percebi que estava com demasiada preguiça para sair do quarto e ir investigar. Sendo assim, telefonei para o room service e, à pergunta “Que gelados há?”, recebi como resposta o menu mais estapafúrdio do qual alguma vez tive conhecimento. Na lista, constavam sabores como bacon, carne de cavalo, caviar, molho de soja, azeite…. Suspirei.
Umas horas depois, o meu pai entrou no quarto para me encontrar sentada no chão abraçada a uma taça de gelado vazia, rodeada de várias outras, com lágrimas nos olhos e o estômago cheio. Escusado será dizer que demorei um bom bocado a explicar-lhe o motivo daquele cenário.
Mariana S. [B+]

Cinco Minutos em Espanha

No ano passado foi a primeira vez que saí de Portugal, por cinco minutos, mas foi incrível e engraçado ao mesmo tempo. Quero repetir esta experiência mas, se calhar, no Porto, se algum dia o meu pai quiser voltar lá.
Tudo começou quando os meus pais quiserem passar umas semanas das férias no Alentejo. Então partimos de Santarém, fomos para Évora, para Beja, Setúbal e, então, voltámos para Santarém. E, no final do dia, ficamos sempre num parque de campismo diferente.
Cada dia era uma coisa diferente, ou ficávamos perdidos à procura do parque, ou porque não sabíamos o caminho para a praia ou para o mercado. Lembro-me que nessas férias ficámos quase a dormir na rua, por não encontramos um parque que aceitasse cães. E, além disso, podíamos ouvir os diferentes sotaques de Portugal.
Na época o que eu mais queria era voltar para casa. Não gosto muito de calor, e passar o tempo todo dentro de um carro ao sol não é a minha praia, se bem que o pior do verão é o calor extremo. Sofro tanto com o calor que nem consigo dormir.
Mas, voltando à viagem, quando estávamos em Évora, mais precisamente em Morão, a minha mãe deu a ideia de irmos a Espanha. No começo, o meu pai aceitou mas, ao fim dos primeiros cinco minutos, ele já se quis vir embora.
Ficámos tristes: por não temos encontrado onde comer, viemos embora de Espanha, mas sem antes comprar pelo menos uma garrafa de água. Já na viagem de volta a Portugal, os meus pais ficaram a discutir sobre os preços baixos do combustível em Espanha, eu a ouvir música e a pensar como seria bom estar em casa sem todo aquele calor e o meu cão a dormir nos meus pés.
Com certeza, o ponto alto desta viagem foi ter que levar com o pelo do meu cão durante a viagem toda. Já não chegava levar com os meus pais a cantar músicas da M80 em altos berros. Por mais que eu ponha a minha música no volume máximo, ainda consigo ouvir as bandas de rock que eles tanto adoram.
Depois disso, fomos de barco até à capital de Setúbal, onde parámos e comemos chocos fritos e depois, partimos em direção a Santarém.
Acho que quem ficou feliz com esta viagem foi o meu cão que conseguiu ladrar para muitas pessoas e roubar muitas carnes. Em cada aldeia ou vila em que passávamos, ele queria ser sempre o primeiro a sair do carro e conhecer o local.
Ou seja: a minha viagem resumiu-se a muitos parques de campismo, muitos latidos, calor extremo, cinco minutos em Espanha e, depois, para compensar, um passeio de barco em direção a Setúbal. Se, claro, e também muita esperança em chegar logo a casa. Foi divertido, mas ainda prefiro a minha casa a um carro.
Daniela [S(+)]

Uma viagem inesquecível

Tudo começou com um simples folheto que me entregaram à saída do supermercado. Para dizer a verdade nem prestei atenção, aquele folheto tinha ar de ser aqueles papéis de publicidade em que não se ganha nada. Cheguei a casa e, por curiosidade ou destino, não sei bem, o papel caíra do meu bolso e a minha mãe apanhou e leu.
Foi aí que tudo começou, o folheto tinha uma oferta de viagem para duas pessoas para Sampetersburgo, a antiga capital da Rússia. E lá fomos nós. Fizemos as malas e embarcámos numa aventura. Neste tipo de viagens (sete dias), devemos ser práticos e não encher a mala. Foi uma das coisas que aprendi nesta viagem. Também não nos devemos precipitar nas compras das lembranças, pois podemos perder muitas experiências novas. Com esta viagem pude conhecer muito: língua, cultura, religião, tradições. Foi tudo muito diferente de como é na Europa Ocidental. Ao contrário de muitas pessoas que vão passar férias ao Algarve ou a Espanha, por exemplo.
Colocámos as malas no carro e seguimos viagem para o aeroporto para o percurso Lisboa-Sampetersburgo. Fizemos escala em Moscovo (a atual capital da Rússia). Nunca tinha visto um aeroporto tão grande, com lojas das marcas mais caras que possamos imaginar. Comprei montes de recordações ao que chamamos “souvenirs”. De seguida, mal tinham passado duas horas, fomos apanhar o avião para o nosso destino final. Chegámos por volta das cinco da manhã, e muito cansada, pois não tinha dormido nada no avião por causa de algumas turbulências que houve e de dois irmãos que foram a chorar o tempo todo. Mal tinha posto o pé no avião (Moscovo) e até pôr o pé fora do avião (Sampetersburgo), eles não pararam.
Não encontramos frio porque era agosto. Saímos do aeroporto e, mesmo cheia de sono, consegui reparar logo nas características que as pessoas tinham. Eram muito diferentes das da Europa, eram altas, loiras, com a pele muito branca, que dava a sensação de uma pele suave, delicada. As igrejas do mais belo, banhadas a ouro com alturas inconcebíveis para a altura em que foram construídas e a religião com traços parecidos ao católico (cristão do ocidente) mas, ao mesmo tempo, muito diferente. Com esta viagem também consegui aumentar a minha cultura sobre religiões e ver o quão são diferentes no que aceitam. Sampetersburgo é uma cidade cheia de museus, lagos com águas cristalinas, tradições (quando começa a primavera ligam-se todas as fontes da cidade, durante a noite com iluminação, dando uma imagem completamente diferente e emocionante), clima (noites brancas).
Aqueles foram os melhores sete dias das minhas férias será uma viagem que nunca irei esquecer, durante a viagem esqueci me de todos os problemas (muitos deles percebi que eram insignificantes) percebi também que devemos aproveitar o momento pois nunca mais ira ser igual, cada momento é único e devemos usufruir do mesmo.
Lúcia [S-]

Moliceiros, ovos-moles e arte de bem receber

Mesmo à saída de casa, o meu pai colocou no GPS aquele que iria ser o nosso destino durante os próximos três dias… E o dispositivo de navegação não se fez rogado: projetou 256 Km de estrada e duas horas e meia de viagem até Aveiro!
Na bagagem a promessa de encher a barriga de ovos-moles e um passeio de moliceiro, já marcado pela Internet. Mas aqueles três dias revelaram ser muito mais do que isso!
Foram três dias de pura magia e descoberta constante.
Assim, depois de um almoço de leitão na Bairrada, que os adultos adoraram e que fizeram os mais novos suspirar pela McDonalds, chegamos a Aveiro por volta da hora do almoço ao todo eramos oito: quatro adultos, duas adolescentes e dois miúdos de onze anos, sempre com partidinhas parvas!
Era Inverno, Fevereiro para ser mais exata… estava um daqueles dias luminosos, mas muito frios. A cidade revelou-se brilhante nas suas cores, o céu muito azul refletia, com intensidade, os muitos cursos e espelhos de água que surpreendem quem vê pela primeira vez a ria em todo o seu esplendor. A mãe lá repetiu pela centésima vez que Aveiro é a Veneza de Portugal. Fui logo dizendo que, como nunca me levaram a Veneza não podia confirmar este facto. Mas, quem sabe, se um dia não poderei dizer o mesmo?
Bem, numa primeira impressão Aveiro pareceu-me uma bonita cidade. Fomos ao centro, muito bem arranjado, com ruas limpas, muita gente, de muitas nacionalidades.
Eu e o meu irmão pedimos ovos-moles, mas, a cidade reservava-nos a primeira grande surpresa: em vez disso comemos “tripas de Aveiro”! Maravilhosas: doces, fofas, quentes e com o recheio que mais desejamos: chocolate, doce de ovos, canela, ou banana… bem, só para deixar este tema por aqui, durante os dois dias seguintes adultos e crianças empanturraram-se com “Tripas de Aveiro”, uma espécie de crepe doce, com a devida adaptação local resultado: mesmo com um longo passeio pelo centro da cidade e, depois, pela praia, ninguém jantou grande coisa.
O dia seguinte amanheceu igualmente, frio e luminoso. Corremos para o nosso passeio de Moliceiro marcado pela internet… mas, ainda regateámos o preço e conseguimos um desconto lá fomos nós pelos canais, mais ou menos citadinos, bombardeados por números curiosos sobre as diferenças entre o nível do mar e dos canais e como se faz a comunicação entre eles, quando e a que horas se abre e se fecham as comportas decorar números não é comigo, mas achei a viagem um espanto. Foi muito divertido. E foi com um prolongado “Oh!” de tristeza que abandonamos o moliceiro, barco típico da região, que, no passado, transportava o moliço, uma alga que servia como adubo para a agricultura da região.
De novo com os pés na terra, continuámos à descoberta. Para o dia seguinte, agendámos um “workshop” de ovos-moles, e depois comemos mais umas tripas, não sem antes fazer um almoço de filetes e arroz de berbigão. Muito bom!
De tarde, as nuvens encheram o céu e a chuva ameaçou cair… Não nos demos por vencidos. Cheios de coragem, comprámos uma visita guiada às salinas.
Muito educativo! De tal forma que, desde esse dia, a minha mãe só compra cá para casa sal com o selo “Made in Portugal” porque nos disseram que maioria do sal que consumimos no nosso país vem do estrangeiro, sobretudo de Marrocos, depois de ser lavado por mil químicos e, que por isso, só nos faz mal os meus pais decretaram então que o que é “nacional é que é bom!” e acabou-se o sal estrangeiro.
Pudemos passear pelas salinas, perceber o que é a salicórnia e porque é que é cada vez mais usada pelos grandes chefes, gelados e um pouco molhados da chuva, terminámos a visita a comprar flor de sal. Não sem antes passarmos pela Igreja de São Gonçalo, de onde todos os anos, numa determinada festa popular, “chove” pão.
No dia seguinte voltou a fazer sol. E, pela manhã, lá fomos aprender a fazer ovos-moles. Foi um workshop delicioso: cortámos os moldes na “hóstia”, enchemos com doce de ovos e, no fim, toda a gente teve de voltar a lavar as mãos peganhosas do açúcar.
Percebi, que por ser um produto certificado, é produzido com normas, que não podem ser alteradas em nenhuma circunstância, de tal maneira que até as galinhas que põem os ovos têm de ser “nadas e criadas” em Aveiro, bem, foi uma experiência gulosa, educativa e divertida…
Percebi que em Aveiro as pessoas andam muito de bicicleta e que, se quisermos, podemos alugar uma por umas horas para dar um passeio. Os casacos compridos, as luvas e o vento fresquinho desmobilizaram o nosso grupo.
E os três dias estavam a chegar ao fim, não sem um passeio à Costa Nova para ver as casas pequeninas dos pescadores pintadas às riscas, em cores vivas e que dão à paisagem um tom de história de encantar.
De certeza que vou voltar a Aveiro.
Raquel [B(-)]

O metro de Paris

Em 2017 passei as minhas férias de verão em França. Visitei os Jardins de Monet e para ir até lá é necessário apanhar o metro para Vernon-Giverny na Gare Saint-Lazare. Comprei o bilhete desse trajeto com antecedência, pois, como tinha chegado a Paris pela Gare du Nord, vinda de Amesterdão, fui logo ao guichê  de atendimento e comprei o bilhete ida e volta nos horários que queria.
Planeei tudo mas esqueci-me de um detalhe. Já não falava com a minha familia há alguns dias. Eu não tinha muitos recursos pois na semana anterior tinha estragado o meu telemóvel e andava com um antigo que nem internet tinha, por isso era dificícil falar com eles. Eram sete da manhã, eu já estava pronta para sair quando subi para escovar os dentes e o telemóvel tocou. Eram os meus pais que queriam notícias minhas. Eles ficaram acordados até às duas da manhã de Portugal preocupados comigo. Tentei ser o mais breve possível visto que tinha um horário muito apertado para chegar à estação. Desliguei o telemóvel e fui a correr para apanhar o metro a tempo, que, em vinte minutos chegou a Saint- Lazare.
Como estava um pouco atordoada por causa da correria e com receio de perder o metro, não conseguia perceber onde é que o metro saía e perguntei a um funcionário que apontou para o metro em que eu devia ir.
Saí a correr, o metro começou a andar, os japoneses dentro da carruagem não sabiam o que fazer para me ajudar, um rapaz gritava "aperte o botão!" e eu no meio daquilo tudo não via que botão era. O pior foi que, depois de o metro partir, consegui reconhecer o enorme botão verde que abre as porrtas.
Tive eu que trocar a passagem, e ainda bem que não precisei de pagar nada a mais por isso. Fui ao guichê e pedi para trocar para o próximo metro. Só uma dica: se não falam francês, uma comunicação em gestos com um pouco de "portunhol", "italianês" ou "esplanglês" ajuda, mas, no momento em que eles dizem as horas, é mais complicado.
Lá consegui chegar aos jardins mais bonitos que eu já tinha visto. Pelo caminho, conheci uma rapariga que também era portuguesa e somos amigas até hoje.
Carolina C. [S-]

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Não enviaram reformulação Soraia, Catarina, Jónatas.