Aulas (61-65)
Aula 61-62 (19/dez [2.ª, 3.ª], 5/jan [1.ª]) Em O amor acontece (Love actually) há um passo que me lembra o texto mais conhecido da Crónica de D. João I, «Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o Meestre, e como aló foi Alvoro Paaez e muitas gentes com ele» (parcialmente na p. 380 do manual), com o povo de Lisboa a ser conduzido aos paços da rainha (restaurante), por ação de um pajem (Sofia) estimulado por Álvaro Pais (Barros), para defender o Mestre (Aurélia), que, alegadamente, o Conde Andeiro (Jamie) queria matar (comprar), acabando afinal por se festejar o triunfo do Mestre (Aurélia), que, afinal, matara o Andeiro (casa com Jamie) e sai até junto das massas (clientes do restaurante, portugueses), que aplaudem deliciadas.
Nesse trecho do filme, as personagens secundárias (ou mesmo
figurantes) portuguesas — não incluo, portanto, Aurélia — são uma espécie de personagem coletiva, plana, ingenuamente caricaturada,
talvez um estereótipo do português aos olhos dos estrangeiros. A caracterização desta «personagem» é,
como é costume em cinema, indireta,
já que decorre sobretudo das suas atitudes, da sua linguagem.
Inscreve [já inscrevi] no quadro os adjetivos
qualificativos correspondentes à característica psicológica que os
comportamentos à direita sugerem.
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portugueses são... |
comportamentos no trecho de O amor acontece |
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interesseiros, oportunistas, materialistas |
Veem o casamento da filha, ou irmã, como
possibilidade de melhoria das condições materiais. |
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informais, espontâneos |
Barros vem abrir a porta em camisola interior;
não hesita em confiar em desconhecido; chama a filha de imediato. |
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grosseiros, rudes, vulgares |
Barros diz a Sofia que até pagava para se
desenvencilhar dela. |
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indelicados, descorteses |
Sofia trata o pai por «estúpido». |
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prestáveis, diligentes |
Pai e filha tentam resolver o pedido do
estrangeiro. |
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desbragados, desbocados |
Pai e filha vão pelas ruas a contar a todos o
que se está passar. |
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exagerados, levianos |
«O meu pai vai vender a Aurélia como escrava!». |
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egoístas, apegados, insensatos |
«É a minha melhor empregada. Não se pode
casar!». |
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indiscretos, inconvenientes, intrometidos,
curiosos |
Assistem, sem desviar olhar, à declaração de
amor; [na rua, não se coibiram de engrossar o pelotão em demanda de Aurélia.] |
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ambiciosos, irrealistas |
Diz Sofia: «casa-te mas é com o príncipe
William». |
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boçais, simples |
Não percebem as mais elementares palavras
inglesas (por isso ficam calados durante o assentimento de Aurélia). |
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comunicativos, sociáveis |
Barros e Sofia beijam genro e cunhado. |
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românticos, generosos |
Todo o restaurante fica
eufórico com o sucesso da declaração de amor. |
Também em Fernão Lopes a caracterização da personagem coletiva
‘povo (de Lisboa)’ é sobretudo indireta. Em vez de adjetivos, tenta nome
(ou grupo
nominal) que corresponda à característica de comportamento
subjacente. Pus alguns, mas acrescenta.
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povo mostra... |
passos em «Do alvoroço [...]», Crónica de D. João I |
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subordinação a desígnios de outrem; cumprimento
submisso de ordens mesmo que irrazoáveis; sociabilidade; ... |
O Page do Meestre, [...]
como lhe disserom que fosse pela vila segundo já era percebido [combinado], começou d’ir rijamente a
galope [...] braadando pela rua: // — Matom o Meestre! [...] // As gentes que
esto ouviam, saíam aa rua veer que
cousa era; e, começando de falar uns com os outros, alvoroçavom-se nas
voontades, e começavom de tomar armas cada um como melhor e mais asinha
podia. |
|
disponibilidade para
adotar pontos vista que se presumem maioritários; ... |
[...] e assi como viuva que rei nom tiinha, e como se
lhe este ficara em logo de marido, se moverom todos com mão armada, correndo
a pressa pera u deziam que se esto fazia, por lhe darem vida e escusar
morte. |
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obstinação; ... |
A gente começou de se
juntar a ele, e era tanta que era estranha cousa de veer. Nom cabiam pelas
ruas principaes, e atrevessavom logares escusos desejando cada um de seer o primeiro; |
|
leviandade; ... |
e
preguntando uns aos outros quen matava o Meestre, nom minguava quem responder que o matava o Conde Joam Fernandez,
per mandado da Rainha. |
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índole vingativa; ... |
E per voontade de Deos todos feitos dum coraçom com talente de o vingar, como forom aas portas do Paaço que eram já çarradas, ante
que chegassem, [...] com espantosas palavras começarom de dizer: // — U matom
o Meestre? que é do Meestre? Quem çarrou estas portas? |
|
individualismo; indecisão; ... |
Ali eram ouvidos brados
de desvairadas maneiras. Taes i havia
que certeficavom que o Meestre era morto, pois as portas estavom
çarradas, dizendo que as britassem para entrar dentro, e veeriam que era do
Meestre, ou que cousa era aquela. // Deles
braadavom por lenha, e que veesse lume pera poerem fogo aos Paaços, e queimar o treedor e a aleivosa. Outros se aficavom pedindo escaadas
pera sobir acima, pera veerem que era do Meestre; e em todo isto era o arroido
atam grande que se nom entendiam uns
com os outros, nem determinavom nenhuma cousa. |
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cobardia; ... |
[...] dizendo muitos doestos contra a Rainha. |
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materialismo; ... |
De cima nom minguava quem
braadar que o Meestre era vivo, e o Conde Fernandez morto; mas isto nom
queria nenhum creer, dizendo: // —
Pois se vivo é, mostrae-no-lo e vee-lo-emos. [...] |
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ceticismo; ... |
[O mestre mostra-se] // E
tanta era a torvaçam deles, e assi tiinham já em creença que o Meestre eram
que taes havia i que aperfiavom que
nom era aquele; porem conhecendo-o todos claramente, houverom gram prazer
quando o virom, e deziam uüs contra os outros: //— Ó que mal fez! pois que
matou o treedor do Conde, que nom matou logo a aleivosa com ele! Creedes em
Deos, ainda lhe há de viinr algum mal
per ela. [...] O aleivosa! já nos matou um senhor, e agora nos queria
matar outro; leixae-a, ca ainda há mal
d'acabar por estas cousas que faz! |
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lhaneza; ... |
— O,
senhor! como vos quiserom matar per treiçom, beento seja Deos que vos guardou
desse treedor! Viinde-vos, dae ao demo
esses Paaços, nom sejaes lá mais. // E em dizendo esto, muitos choravom
com prazer de o veer vivo. |
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subserviência; candura; ... |
[Então o Mestre] cavalgou
com os seus acompanhado de todolos outros que era maravilha de veer. Os quaes
mui ledos arredor dele, braadavam
dizendo: // — Que nos mandaes
fazer, Senhor? que querees que façamos? // E el lhe respondia, aadur
podendo seer ouvido, que lho gradecia muito, mas que por estonce nom havia
deles mais mester. |
Explicação sobre tipo de articulação
narrativa: encadeamento, encaixe, alternância (cfr. Apresentação).
Eis os textos nas contracapas de três filmes (DVD):
[Cinema Paraíso]
Esta obra-prima do
realizador Giuseppe Tornatore é um olhar nostálgico sobre a vida de um jovem na
Itália do pós-guerra e o seu fascínio pelo cinema, tendo vencido o Óscar para o
Melhor Filme Estrangeiro e o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes.
“Alfredo está a morrer”.
Esta notícia surpreendeu o realizador de sucesso Salvatore (Jacques Perrin),
levando-o a recordar a sua infância e o tempo que passara na sala de projeção
do cinema da sua vila, Cinema Paraíso.
Alfredo (Philippe Noiret),
projecionista do cinema, foi um amigo inseparável do pequeno Salvatore,
conhecido por “Totó”, à medida que este crescia na sua terra natal, uma vila
devastada pelos horrores da guerra. O cinema oferecia fantasia e evasão aos habitantes
da pequena vila, fazendo esquecer a dura realidade da fome e da pobreza.
Cinema Paraíso é um filme inesquecível e
um maravilhoso tributo ao cinema que marcou uma geração inteira de espetadores.
[O Amor Acontece]
Dos criadores de Nothing
Hill e O Diário de Bridget Jones chega-nos a sua mais recente
comédia romântica. Um retumbante sucesso que inclui um elenco bem famoso e uma
fantástica banda sonora!
A poucas semanas do Natal,
este hilariante O Amor Acontece desvenda os altos e baixos de várias
relações. Namorados & Namoradas, Maridos & Mulheres, Pais & Filhos,
Estrelas Rock & Agentes todos se juntam para fazer de O Amor Acontece
não uma mas dez histórias de amor muito diferentes.
Porque, se estiver bem
atento, vai descobrir que O Amor Acontece
em todo o lado.
[A Idade de Adaline]
Depois de,
miraculosamente, ter ficado com 29 anos durante quase oito décadas, Adaline
Bowman (Blake Lively) leva uma vida solitária, nunca se permitindo aproximar de
ninguém que possa vir a descobrir o seu segredo.
Mas um encontro casual com
Ellis Jones, um jovem e carismático filantropo (Michiel Huisman) reacende a sua
paixão pela vida e pelo amor. Um fim de semana com os pais de Ellis (Harrison
Ford e Kathy Baker) ameaça pôr a descoberto a verdade, e Adaline toma uma
decisão que mudará para sempre a sua vida.
Redige sinopse para filme
que aproveitasse relato feito na p. 380 (incluído na Crónica de D. João I).
Esse relato é o início da revolução de 1383-85.
O filme trataria de todo
esse período mas a sinopse partiria do primeiro pretexto da ação, o início do
episódio (na tal p. 380).
Também criarás o título do filme, que seria inspirado nos testemunhos de Fernão Lopes.
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Episódio de E o resto é
História sobre «Qual a maior mentira da história de Portugal?»
TPC — (i) Se ainda não o fizeste, cumpre, na Classroom, a tarefa relativa a leitura de contos; (ii) O mesmo se diga da entrega das duas passagens a limpo pedidas de crónicas para «Fugas»; (iii) Lê esta ficha sobre atos de fala; (iv) Vai também lendo os livros combinados (logo no reinício das aulas vou querer atualizar as leituras que fizeram).
Aula 63 (5 [2.ª, 3.ª], 8/jan [1.ª])
Podes
ter o manual aberto nas pp. 344-345. Depois de veres, ou reveres, «Fiscal das
danças ridículas» (série Lopes da Silva), preenche a coluna do meio, relativa ao
Ato
ilocutório ou Ato de fala
(assertivo, expressivo, diretivo, compromissivo, declarativo):
|
Passo de «Fiscal das danças ridículas» ou de separadores |
Ato ilocutório (ou Ato de fala) |
Descrição útil para tipificar ato |
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[Incorreu na prática de danças ridículas.] Vai ter de
abandonar o estabelecimento. |
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Frase
deôntica dita por um «fiscal de danças ridículas». |
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Vi-o a
efetuar uma espécie de um comboiinho. |
|
Relato,
relativamente a que o enunciador se responsabiliza, de um acontecimento
anterior. |
|
O que é
que eu fiz? |
|
Interrogação
dirigida ao fiscal. |
|
Não
posso pactuar com comboiinhos! |
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Frase
na 1.ª pessoa, dita com ênfase, com indignação. |
|
Não vou
fechar os olhos a uma situação como a que o vi fazer. |
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Frase
com complexo verbal (ir +
infinitivo do verbo principal) com valor de futuro próximo. |
|
Não
perca a atualização das notícias sobre a seleção nacional. |
|
Frase com uso do conjuntivo, correspondente a imperativo
negativo. |
|
Ao
contrário do que fora anunciado, Paulo Ferreira não jantou o prato de peixe. |
|
Informação,
relato de uma circunstância, negando-se informação anterior. |
|
Vamos ter oportunidade de ouvir uma entrevista com Dona
Maria da Conceição Ferradinha, uma alentejana que viu o autocarro da seleção
duas vezes. |
|
Frase
com complexo verbal (ir +
infinitivo de verbo principal) com valor de futuro próximo. |
|
Ui,
tantos episódios! |
|
Frase
exclamativa, com algum teor descritivo, mas sobretudo admirativa. |
|
Agora é
calcar! |
|
Frase
de teor apelativo, ainda que sem uso de modo imperativo. |
|
Eu
estou a perder a cabeça! |
|
Descrição
de estado de espírito, sublinhada com nervosismo evidente. |
Itens de exame em torno de atos de fala
[2014, 1.ª fase]
2.3. Classifique
o ato ilocutório presente em «Como um dia veremos.» (linha 29). [É por isso que, para além do culto que a obra de
Eça legitimamente merece, por mérito próprio e grandeza genuína, se deve
reconhecer, para sermos justos, que muita da admiração totalitária que Eça
desencadeia nasce porventura duma espécie de preguiça e lentidão em entender,
ainda nos nossos dias, a linguagem diferente daqueles que lhe sucederam. O que
não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.]
R.:
___________________
[2013, 1.ª fase]
1.7. Na frase «E, após isso, ninguém lerá uma só palavra posta por mim
num pedaço de papel.» (linhas 9 e 10), o autor realiza um ato ilocutório
(A) compromissivo. | (B) declarativo. | (C) expressivo. | (D)
diretivo.
[2013, 2.ª fase]
2.2. Classifique o ato
ilocutório presente em «A sua poesia ainda tem segredos para si?» (linha 21).
R.:
___________________
A folha que serve para te guiar nesta tarefa será
também útil, mais tarde, para estudares as cinco funções sintáticas que nela estão em causa (complemento
do nome, complemento do adjetivo, complemento oblíquo, predicativo
do sujeito, predicativo do complemento direto). Guarda-a e estuda-a.
Nota que nessa folha não
estão exemplos das funções sintáticas mas das palavras que as costumam suscitar
(ou seja, que vêm antes delas e as «exigem»).
Estou aborrecido com
Camilla. || Sublinho o complemento do adjetivo (que é
suscitado pelo adjetivo «aborrecido»);
Carlos III abdicará
do trono. || O complemento oblíquo é selecionado pelo
verbo «abdicar».
William será rei
de Inglaterra. || O verbo copulativo «ser» implica haver predicativo
do sujeito.
Kate acha a vida de
princesa uma seca. || O verbo «achar», além de pedir complemento direto
(«a vida de princesa»), seleciona também predicativo do complemento
direto.
O debate sobre a
monarquia não está na ordem do dia. || O nome «debate» seleciona o complemento
do nome.
1. Procede como fiz. Ou seja: apoiando-te na folha com as
palavras que suscitam cinco funções sintáticas — CA, CO, PS,
PCD, CN —, escreve cinco frases verosímeis, cada uma com
uma dessas cinco funções sintáticas, que sublinharás. (Não uses as palavras que
já tenha eu aproveitado.)
Frase com CA:
__________________________
Frase com CO:
__________________________
Frase com PS:
__________________________
Frase com PCD:
__________________________
Frase com CN:
__________________________
Criemos agora
um texto em que estejam representadas as cinco funções sintáticas que vimos — complemento
do adjetivo, complemento oblíquo, predicativo do
sujeito, predicativo do complemento direto, complemento
do nome —, bem como estas outras nove: sujeito, predicado,
complemento direto, complemento indireto, modificador
do grupo verbal, modificador restritivo do nome, modificador
apositivo do nome, vocativo, complemento agente da
passiva.
Em breve [MGV], Carlos [S]
— o atual rei [MAN] — abdicará do trono [CO] e William será rei
de Inglaterra [PS]. Kate acha a vida de princesa [CD] uma seca
[PCD] e anda aborrecida com a sogra [CA]. Ouviu-lhe o seguinte
[P]: «André [V], o debate sobre a monarquia [CN] vai ser exigido pela
comunicação social [CAP]; não devemos dar aos jornalistas [CI]
pretextos que tenham pertinência [MRN]».
2. Também agora procede como fiz, escrevendo um texto que
inclua as funções sintáticas que vimos atrás — CA, CO, PS,
PCD, CN — e as restantes nove funções — S, P, CD,
CI, CAP, MRN, MAN, MGV, V —, todas
sublinhadas e assinaladas com as suas siglas.
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Que palavras «selecionam»
as funções sintáticas de
Complemento do adjetivo,
Complemento oblíquo,
Predicativo do sujeito,
Predicativo do complemento
direto,
Complemento do nome?
Alguns adjetivos que podem
selecionar Complemento do adjetivo
|
aborrecido (com) abundante (em) adaptado (a) admissível (a/em) agradável (de) alérgico (a) alheio (a) amável (com) anexo (a) ansioso (por) anterior (a) apto (a) atento* (a) ausente (de) ávido (de) baseado (em) benéfico (a) cansado (de) capaz* (de) cercado (de/por) certo (de) cheio (de) |
compatível* (com) conciliável* (com) condescendente (com) confiante (em) conivente (com) consciente* (de) contemporâneo (de) contente* (com) convencido (de) convergente (com) crente (em) desejoso (de) difícil (de) digno* (de) disponível* (para) distante (de) divergente (de) doente (por) entendido (em) estranho (a) experiente* (em) fácil (de) |
feliz* (por) fiel* (a) hábil (em) hostil (a) ignorante (de) iludido* (com) impossível (de) imune (a) indeciso (em) indispensável (a/para) inerente (a) interessado (em) leal* (a) livre (de) necessário* (a/para) nocivo (a) orgulhoso (de) originário (de) parecido (com) passível (de) posterior (a) predisposto (a) |
prejudicial (a) preocupado (com) presente (em) pronto (a) propenso (a) propício (a) próximo (de) radiante (a/com) receoso (de) recetivo(a) resistente (a) satisfeito* (com) seguro (de) semelhante (a) sensível* (a) simpático (com) solúvel* (em) surpreendido (com) suscetível (a/de) triste (com) unânime (em) útil* (a) |
* E respetivos antónimos derivados por prefixação (“desatento
(a)”, “incapaz (de)”, “incompatível (com)”, ...)
Alguns
verbos que selecionam Complemento oblíquo
|
abdicar (de) |
concorrer (a) |
entrar (em) |
precisar (de) |
|
abster-se (de) |
confiar (em) |
esquecer-se (de) |
recordar-se (de) |
|
abusar (de) |
contar (com) |
falar (de) |
recorrer (a) |
|
acabar (com) |
convencer-se (de) |
fugir (de) |
renunciar (a) |
|
aceder (a) |
crer (em) |
gostar (de) |
residir (em) |
|
acreditar (em) |
cuidar (de) |
importar-se (com) |
sair (de) |
|
aderir (a) |
delegar (em) |
insistir (em) |
simpatizar (com) |
|
afastar-se (de) |
depender (de) |
interessar-se (por) |
sofrer (de) |
|
aludir (a) |
descer (de) |
interferir (em) |
subir (a) |
|
apaixonar-se (por) |
desconfiar (de) |
investir (em) |
suspeitar (de) |
|
apoderar-se (de) |
descrer (de) |
ir (a/para) |
transformar (em) |
|
aspirar (a) |
desistir (de) |
livrar (de) |
vir (de) |
|
assistir (a) |
dirigir-se (a/para) |
munir-se (de) |
viver (em) |
|
atrever-se (a) |
discordar (de) |
necessitar (de) |
voltar (a/de) |
|
candidatar-se (a) |
dispor (de) |
olhar (por) |
votar (em) |
|
cansar-se (de) |
dispor-se (a) |
participar (em) |
zelar (por) |
|
chegar (a) |
dotar (de) |
partir (para) |
|
|
concordar (com) |
duvidar (de) |
pensar (em) |
|
Verbos
copulativos (selecionam Predicativo do
sujeito)
ser, estar, continuar,
ficar, parecer, permanecer, revelar-se, tornar-se, andar [no sentido de ‘estar’], ...
Verbos transitivos predicativos (selecionam Predicativo do complemento direto)
achar, chamar, considerar,
declarar, deixar [“deixou aberta a porta”], designar, eleger, julgar, nomear,
proclamar, supor, ter (por), tornar, tratar (por), ...
Alguns
nomes que podem selecionar Complemento do
nome
|
Nomes que podem precisar de
complemento do nome |
Exemplos |
|
Nomes deverbais (derivados de um verbo), que referem situações localizadas
no espaço e no tempo (que «ocorrem» ou «acontecem», tal como os verbos de que
estes nomes derivam). |
corrida, invenção,
interesse, receio, respeito, conquista, oferta, debate, explosão, promessa,
assalto, tradução, ... |
|
Nomes derivados através
do sufixo -dor de um verbo transitivo
(referem o agente da ação expressa pelo verbo de que derivam). |
comprador, colecionador,
produtor, vendedor, possuidor, ... |
|
Nomes derivados de um
adjetivo (deadjetivais). |
humildade, eficácia,
lealdade, beleza, ... |
|
Nomes que classificam a
situação descrita pelo
complemento do nome. |
possibilidade, hipótese,
facto, certeza, probabilidade, ... |
|
Nomes de parentesco (ligados ao complemento do nome através da preposição de). |
filho, pai, irmã, prima,
tio, avó, ... |
|
Nomes de relações
institucionais ou sociais (ligados ao complemento do através da preposição de). |
diretor, professor,
sócio, amigo, chefe, instrutor, porteiro, ... |
|
Nomes que expressam
estados psicológicos (acerca dos quais o
complemento do nome pode referir o experienciador, introduzido pela
preposição de, ou o conteúdo do estado psicológico, introduzido pelas
preposições de, a, com, contra ou em). |
alegria, amor, ódio,
angústia, simpatia, medo, temor, vontade, fúria, orgulho, desejo, receio,
pena, ... |
|
Nomes que referem obras
culturais (acerca dos quais o
complemento do nome pode referir o autor, iniciado pelas preposições de
ou por, ou o assunto, regido pelas preposições sobre ou de). |
filme, livro, capítulo,
história, peça, conto, sinfonia, trabalho, poema, ... |
|
Nomes que referem
representações visuais (nomes icónicos) ou gráficas (acerca dos quais o complemento do nome
pode referir o autor/agente, introduzido pelas preposições de ou por,
ou aquilo que é representado, regido pela preposição de). |
descrição, desenho,
fotografia, radiografia, retrato, quadro, imagem, caricatura, serigrafia, ... |
|
Nomes coletivos, que referem um todo constituído por partes (introduzidas
pelo complemento do nome), e nomes fragmentadores, que designam partes
(estruturais ou materiais) de um todo (identificado através do complemento do
nome). |
grupo, série, equipa,
pilha, coleção, fila... parcela, porção, pedaço, tira, dose, fatia, centro,
ponta, ... [e nomes de partes estruturais de objetos, como pernas e tampo da mesa, capa e lombada
de um livro, ...] |
Classifica
as orações sublinhadas (com espaço para tal à direita):
«A escola» (Jorge Palma)
Eu nasci lá para os
lados do rio, | coordenada
Passava os dias a jogar à bola,
|coordenada assindética
Mas eu não era exceção
| coordenada adversativa
E,
antes que desse por isso, | _________________
Já
estava na escola. | coordenada copulativa (e subordinante) [começa no «E»]
O programa era elementar,
| _________________
Entre o Euclides e o Arquimedes,
Mas,
sempre que a informação | subordinada adverbial temporal
Dá uma volta no espaço,
Eu
quero sintonizar.| coordenada
adversativa [começada no «Mas»]
A escola ainda não acabou,
Há sempre tanta matéria a estudar,
Que eu chego mesmo a ter medo
| __________________
De, em qualquer momento,
Já não ter lugar,
Já não ter lugar,
Para mais conhecimento.
Já consigo filosofar,
Sei uma ou duas palavras em grego.
Enquanto o tempo deixar
| ___________________
E a escola não se afundar,
Vou alterando o meu ego,
| ___________________
Vou deixando as moscas pairar,|
coordenada assindética
Vou vendo se o Godot já chegou | ___________________
E,
quando me dá na tola, | subordinada adverbial temporal
Dou
um chuto na bola, | coordenada copulativa (e subordinante) [começa no
«E»]
Só para me aliviar.
| subordinada adverbial final
A escola ainda não acabou,
| coordenada
Há sempre tanta matéria a estudar,
| _________________ (e coordenada assindética)
Que eu chego mesmo a ter medo
De, em qualquer momento,
Já não ter lugar,
Já não ter lugar,
Para mais conhecimento.
TPC — Lê o conto «Famílias
desavindas», de Mário de Carvalho (pp. 163-165 do manual). Quanto às leituras
de livros, proximamente vou querer saber o que tem sido lido (o que implica que
tenhas suficiente conhecimento do que leste).
Aula 64-65 (6 [1.ª, 2.ª], 8/jan [3.ª]) Correções de tarefas de aulas anteriores.
Com exemplares de Mensagem (da coleção «iagora»),
preenchimento de grelha acerca do paratexto e da estrutura da obra.
Fernando Pessoa,
Mensagem
Paratexto e estrutura
Faz a referência bibliográfica (autor, título, cidade da editora, editora, ano da edição).
A primeira fonte destes
elementos deve ser o frontispício (página [3], neste caso). Quando haja
dados de que não possamos certificar-nos pelo rosto (o referido
frontispício), recorreremos ao colofão (na última folha), à ficha
técnica, à capa:
___________________________
Este livro não numera a edição.
Se o fizesse, esse elemento poderia constar logo após o título. E poríamos a
seguir à data da edição e entre parênteses o ano da 1.ª edição, 1934.
Verifica estas partes do livro (matéria que se integra
no estudo do paratexto):
Capa:
tem um ________ (poema visual) que usa versos de Pessoa e desenha a efígie do
poeta.
Contracapa: reproduz o poema «________», o primeiro texto de Mensagem; em baixo, vêm os logótipos dos
________.
Lombada: tem só o ______ da obra.
Colofão (ou, à latina, colofon):
em vez do tradicional «Acabou de imprimir-se a […]», contém uma espécie de
__________.
O anterrosto repete o desenho caligramático da capa. No entanto, há
na p. ____ o que poderia ser o verdadeiro anterrosto, já que a página tem
apenas o título, como é característico das páginas três. Terá sido lapso (e a
ordem das pp. 5 e 3 ter saído mal, sendo a p. 1 uma mera folha de guarda)?
No miolo do livro há, no cabeçalho, o título corrente, nas
páginas ímpares, e nome do autor, nas _____. Nesse espaço, dito dos «títulos
correntes», vem «Índice» na parte do livro que lhe corresponde.
Na p. [7], temos a epígrafe: «_________» (‘Bendito Deus
Nosso Senhor que nos deu o Sinal’).
Preenche as quadrículas vagas da tábua
seguinte, sobre a estrutura de Mensagem:
|
Primeira parte / Brasão |
Os Campos |
O dos Castelos |
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Ulisses |
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Viriato |
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O Conde D. Henrique |
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|
D. Tareja |
|||
|
D. Afonso Henriques |
|||
|
D. Dinis |
|||
|
D. João o Primeiro |
D. Filipa de Lencastre |
||
|
As Quinas |
|
||
|
D. Fernando, Infante de Portugal |
|||
|
D. Pedro, Regente de Portugal |
|||
|
D. João, Infante de Portugal |
|||
|
D. Sebastião, Rei de Portugal |
|||
|
A Coroa |
Nun’Álvares Pereira |
||
|
|
[A Cabeça do Grifo:] O Infante D. Henrique |
||
|
[Uma Asa do Grifo:] D. João o Segundo |
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|
[A Outra Asa do Grifo:]
Afonso de Albuquerque |
|||
|
Segunda parte / Mar Português |
O Infante |
||
|
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|
Padrão |
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|
O Mostrengo |
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|
Epitáfio de Bartolomeu Dias |
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|
Os Colombos |
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Ocidente |
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Fernão de Magalhães |
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|
Ascensão de Vasco da Gama |
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A Última Nau |
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Prece |
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Os Símbolos |
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O Quinto Império |
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O Desejado |
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As Ilhas Afortunadas |
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O Bandarra |
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António Vieira |
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«Screvo meu livro à beira-mágoa» |
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|
Os Tempos |
Noite |
||
|
Tormenta |
|||
|
Calma |
|||
|
Antemanhã |
|||
|
|
|||
De que tratam as três partes de Mensagem?
A 1.ª
parte, «Brasão», trata da fase de _______ de Portugal e seu crescimento. A 2.ª
parte, «Mar Português», versa a ______ de Portugal, os Descobrimentos. A 3.ª
parte, «O Encoberto», trata da estagnação da pátria e, profeticamente, do seu
ressurgimento.
«Brasão» tem _______ {numeral,
mas por extenso} poemas, repartidos por cinco partes, que aproveitam
classificações heráldicas (campos; castelos, quinas; coroa; timbre). A primeira
destas sub-partes funciona como introdução às dezassete _________, abordadas em
cada poema, que representam características do povo português. A epígrafe de
«Brasão» é «________», um oxímoro (‘Guerra sem guerra’).
A parte «Mar Português» é constituída por _____ poemas e não tem outra
repartição. A epígrafe desta parte, «________» (‘Posse do mar’), alude à saga
dos descobrimentos. Desta parte já referimos em aula um dos poemas,
precisamente o homónimo da secção, «__________», a propósito da frase tornada
proverbial «Tudo vale a pena, se a alma não é pequena».
A parte «O Encoberto» implica a visão esotérica de Pessoa, uma síntese
de história, mito e profecia. Esta parte situa-se depois do desastre de
_______. Está aliás toda centrada na figura do rei ______, o encoberto. Logo
pelos títulos se vê que a organização, agora, decorre mais do simbolismo, não
se adotando tanto o formato ‘galeria de personagens’. A epígrafe é «________»
(‘Paz nos céus’), que corresponderá ao estado ideal conseguido com o
profetizado Quinto Império.
Pelo
índice, repara nas datas
predominantes da elaboração dos poemas. Os poemas da primeira parte são quase
todos posteriores a ______, ou deste exato ano. Os textos de «Mar Português»
são maioritariamente de _____-_____, a época do sidonismo. Finalmente, o ano
mais representado na terceira parte é 1934 (precisamente, o ano da publicação
de Mensagem, penúltimo da vida de
Pessoa, quando o Estado Novo se implantava).
Vejamos a estrutura formal, em termos de versificação, de Mensagem.
Que tipo de estrofe predomina? {circunda os quatro tipos que consideres mais
presentes, após folheares o livro sem grandes demoras} Dísticos, tercetos,
quartetos ou quadras, quintilhas, sextilhas, sétimas, oitavas, nonas ou
novenas, décimas, centésimas.
Os versos {escolhe} são brancos / têm rima / são
amarelos.
O metro (o número de sílabas métricas) predominante deve ser o {escolhe} monossílabo, dissílabo,
trissílabo, tetrassílabo, pentassílabo (ou redondilha menor), hexassílabo,
heptassílabo (ou redondilha maior), octossílabo, eneassílabo, decassílabo,
hendecassílabo, dodecassílabo (alexandrino).
O único poema que não tem
título é o terceiro aviso, que está na p. ____. É o único texto em que o
assunto parece ser o próprio poeta.
O último verso de Mensagem é «______», seguindo-se-lhe a
fórmula de despedida latina, «_________» (‘Saúde [Força, Felicidade], Irmãos’).
Na tábua da p. 109 do
manual, os poemas que são reproduzidos estão identificados pela indicação da
página, entre parênteses retos e a azul.
Classifica
as orações sublinhadas.
Efeito do observador
(Os
Azeitonas)
A ciência, aos dezasseis,
Desafia algumas leis
E, já que Saturno tem anéis, | ______________
Pode a Lua encher só para mim.
Já vi um arco-íris circular,
Já dei dois tiros no mesmo lugar,
Mas o que considero singular
É que a Lua insiste em se encher assim.
Já fiz as equações,
Determinei as funções.
A ciência comprovou | _____________
[Que] somos todos iguais
Lá no fundo,
Pó de estrela e nada mais.
Somos todos condutores de carrosséis,
Não lemos mapas, andamos aos papéis, | _____________
Então deitamos fora a sorte deste Norte, | _____________
Fazemo-nos reis,
Já que a Lua se pode comportar assim.
Sou dos do bem,
Mas não sei bem o que é do mal. | ______________
Sou um cético otimista, hipócrita ocasional,
E, se observo mudo o resultado experimental, | _____________
Então que a Lua sorria só porque sim.
Já fiz as equações,
Determinei as funções.
A ciência comprovou
[Que] somos todos iguais | ____________
Lá no fundo,
Pó de estrela e nada mais.
E, se o espaço curva para ti, | ____________
Vou aos esses até chegar aí
E fico a contar que um dia, ao luar,
Tudo vá mudar e, só porque sim, | ____________
Mude o nosso spin
E consiga provar
Que estamos entrelaçados no fim... | ____________
No fim!
Já fiz as equações, | _____________
Determinei as funções.
A ciência comprovou
[Que] somos todos iguais
Lá no fundo,
Pó de estrela e nada mais.
Vejamos
o grupo III da prova de exame do ano passado (2025, 1.ª fase):
III
Para uns, é o indivíduo
que faz a sociedade; para outros, é a sociedade que faz o indivíduo. Num texto
de opinião bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas
e cinquenta palavras, defenda uma perspetiva pessoal sobre o conteúdo da
afirmação.
No seu texto:
− explicite, de forma
clara e pertinente, o seu ponto de vista, fundamentando-o em dois
argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;
− utilize um discurso
valorativo (juízo de valor explícito ou implícito);
− formule uma conclusão
adequada à argumentação desenvolvida.
Os parágrafos a seguir também poderiam suscitar um
texto de opinião, em que, como se pede nestes grupos III de exame, apresentasses
a tua perspetiva sobre o assunto (fundamentada em dois argumentos, cada um
deles respaldado em um exemplo):
Para a deputada Joana Mortágua, é intolerável a disparidade salarial entre as
futebolistas e os futebolistas que representam a seleção nacional. O Bloco de
Esquerda apresentou uma proposta no Orçamento do Estado para garantir a
igualdade de remuneração nas seleções nacionais.
Na
sua mensagem de Natal, Luís Montenegro defendeu que os portugueses deveriam
adotar a «mentalidade de Cristiano Ronaldo», superando a atitude «do deixar
andar». (Entretanto, o ex-líder da Iniciativa Liberal tuitou
que o próprio governo tinha uma performance ao estilo de Ricardo Esgaio.)
A juíza Ana Barão ordenou a remoção dos cartazes com a frase «Os
ciganos têm de cumprir a lei», por visarem um grupo específico com base na sua etnia,
sendo ofensivos para a dignidade da comunidade cigana, e
não se enquadrarem no exercício legítimo da liberdade de pensamento.
Donald Trump assinou uma
ordem executiva para impedir que atletas transgénero compitam em categorias
femininas em instituições de ensino que recebam financiamento federal.
Em
Paris, as trotinetas elétricas de aluguer foram proibidas e retiradas das ruas
em 1 de setembro de 2023, dado o elevado número de atropelamentos e o constante
abandono das trotinetes nos passeios.
Escolhe um dos temas e redige o que seriam o segundo e terceiro
parágrafos do teu texto de opinião (ou seja, o primeiro argumento e
respetivo exemplo, o segundo argumento e respetivo exemplo).
[ Sublinha a tese que defenderás: (1) as futebolistas (não) devem receber o mesmo que os futebolistas; (2) Cristiano Ronaldo (não) deve servir de modelo à atitude dos portugueses; (3) os cartazes com a mensagem sobre ciganos (não) devem ser proibidos; (4) atletas trans (não) devem competir nas provas femininas; (5) o uso das trotinetas nas cidades (não) deve ser incentivado. ]
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
TPC — Lê a ficha corrigida sobre Crónica de D. João I,
de Fernão Lopes, em Gaveta de Nuvens.
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Português / 12.º 1.ª; 12.º 2.ª; 12.º 3.ª / Escola Secundária José Gomes Ferreira / 2025-2026
(O nome do blogue aproveita título de um livro do patrono da escola.)
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