Saturday, August 23, 2025

Aula 110-111

Aula 110-111 (23 [1.ª], 24 [2.ª], 26/mar [3.ª]) Correção de questionário sobre apreciação crítica a filme de João Botelho.

Para encontrarmos um motivo que oponha a poesia de Ana Luísa Amaral às de Miguel Torga e Alexandre O’Neill, talvez pudéssemos centrarmo-nos no que mais influencia cada uma das três escritas. Ana Luísa Amaral aproveita mais a poesia de outros escritores — os seus poemas têm muitas vezes marcas de intertextualidade evidentes —, o que é associável ao facto de ser professora de literatura e ter investigado poetisas como Emily Dickinson e Sylvia Plath. Os poemas de Ana Luísa Amaral são de amor e acerca do quotidiano.

Alexandre O’Neill é muitas vezes irónico, brinca com a linguagem e com os modos de ser.(Entretanto, também nos falta conhecer alguns poemas de Nuno Júdice).

No caso de Miguel Torga, a escolher um inspirador constante da sua poesia, talvez devêssemos apontar a terra, a natureza, um certo Portugal.


«Sísifo» (p. 199), de Miguel Torga. Completa a resposta aos itens 1 e 2, da mesma p. 199, que já fui esboçando:

1. Justifica a utilização do modo imperativo na primeira estrofe, considerando a intencionalidade e o assunto do texto.

1. O imperativo anuncia uma intencionalidade didática, moralista. Ao longo do texto, o sujeito poético procura transmitir ao seu interlocutor («tu») ___________ de vida.

2. Interpreta o uso de reticências no primeiro verso.

2. Considerando a figura mitológica que inspira o poema, identificada no título, as reticências sugerem o caráter __________ da ação humana.


Lê agora «Orfeu Rebelde» (pp. 197-198). Explica o título, associando-o à «teoria» que o sujeito poético faz acerca da sua poesia.

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Depois de assistirmos a partes do documentário Miguel Torga, o meu Portugal, assinala como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações abaixo:

I — Eduardo Lourenço afirma que

A. Miguel Torga analisou Portugal sem conhecer Frederico Varandas.

B. Miguel Torga fez o retrato de Portugal.

C. Miguel Torga retratou um Portugal integrado na Europa.

D. Nos portugueses, Miguel Torga admirava a assiduidade e a pontualidade.

E. Aquilino Ribeiro e Miguel Torga são os grandes retratistas de Portugal.

II — António Barreto afirma que

F. Miguel Torga mostrou a Natureza de uma região do país.

G. O sofrimento é uma dominante na obra de Miguel Torga, mas não na sua poesia.

H. A pobreza, a inveja, o desconhecimento de si mesmos, o lerem mal os enunciados das tarefas são alguns dos defeitos dos portugueses revelados por Miguel Torga.

I. Miguel Torga desejava que os portugueses fossem capazes de olhar a realidade e não vivessem a pensar só nos testes de Matemática.

III — José Manuel Mendes afirma que

J. Miguel Torga considera Portugal o reino das sombras.


Itens de provas de exame com figuras de estilo

[2016, 2.ª fase]

7. No último parágrafo [«Falo do tempo e de pedras, e, contudo, é em homens que penso. Porque são eles a verdadeira matéria do tempo, a pedra de cima e a pedra de baixo, a gota de água que é sangue e é também suor. Porque são eles a paciente coragem, e a longa espera, e o esforço sem limites, a dor aceite e recusada — duzentos anos, se assim tiver de ser.»], são utilizados vários recursos estilísticos, entre os quais

(A) a sinestesia e a anáfora. | (B) a ironia e a sinestesia. | (C) a anáfora e a hipérbole. | (D) a hipérbole e a ironia.

[2015, 1.ª fase]

6. Na expressão «paisagens olfativas» (linha 27), o autor utiliza

(A) uma metonímia. | (B) um eufemismo. | (C) um paradoxo. | (D) uma sinestesia.

[2015, 2.ª fase]

6. No contexto em que ocorre, a expressão «grosso volume do romance de Eça de Queirós» (linha 4 [«Hesitei nesta escolha: pensei que seria como ler o resumo em lugar de regressar — como tantas vezes já regressei — ao grosso volume do romance de Eça de Queirós.»]) constitui um exemplo de

(A) perífrase. | (B) hipálage. | (C) eufemismo. | (D) paradoxo.

[2014, 1.ª fase]

1.5. Na expressão «deflagração extraordinária» (linha 18) [«Não viveu, porém, e infelizmente, a deflagração extraordinária operada no seio das certezas e dos objetos, decomposição dos seres visíveis e invisíveis que viria a produzir as grandes experiências literárias do século XX.»], a autora recorre a

(A) uma antítese. | (B) um oxímoro. | (C) uma metáfora. | (D) um eufemismo

[2013, época especial]

1.7. Na expressão «Oh, nossa deslumbrante desgraça mudadora» (linha 14; [As casas de papel são modos de pensar na tangibilidade do texto, na manualidade de que ele dependeu para ser lido. São modos de pensar nos autores. Cada autor como um lugar e um abrigo. Um lugar. Ler um livro é estar num autor. Preciso de pensar nos objetos para acreditar nos lugares. Oh, nossa deslumbrante desgraça mudadora, não consigo sentir-me bonito dentro de um Kindle, de um iPad ou de um Kobo. Penso em mim melhor numa coisa entre capas. A ilustração sem pilhas. As letras sem pilhas. Eternas e sem mudanças. De confiança.]), o autor recorre à

(A) hipálage. | (B) metáfora. | (C) metonímia. | (D) ironia

[2016, 1.ª fase, item do grupo I]

1. Explique o sentido quer das antíteses quer das interrogações retóricas presentes no início do monólogo de Matilde (linhas de 1 a 14) [«Ensina-se-lhes que sejam valentes, para um dia virem a ser julgados por covardes! Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo em que reina a injustiça! Ensina-se-lhes que sejam leais, para que a lealdade, um dia, os leve à forca! (Levanta-se) Não seria mais humano, mais honesto, ensiná-los, de pequeninos, a viverem em paz com a hipocrisia do mundo? (Pausa) Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?»].

[2016, época especial, item do grupo I]

4. Explique o sentido da metáfora «São o pão quotidiano dos grandes» (linhas 12 e 13 [«São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos»]), tendo em conta o conteúdo do excerto.

[2016, época especial, item do grupo I]

5. Relacione o recurso à interrogação retórica presente na linha 16 [«Qui devorant plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?»] com a intenção crítica do pregador presente nas linhas que se lhe seguem.

Cenário de resposta do item 1 do exame de 2016, 1.ª fase

As antíteses expressam a oposição entre os valores ensinados aos filhos (valentia, justiça, lealdade) e a realidade político-social, na qual vinga quem é cobarde, injusto e desleal. Deste modo, Matilde põe em evidência a hipocrisia instalada na sociedade, que aparenta defender determinados valores, mas promove quem não os pratica.

Na sequência da reflexão anterior, Matilde interroga-se ironicamente sobre a necessidade de se ensinar a viver em conformidade com a hipocrisia a fim de alcançar a paz e a felicidade, ainda que tal signifique uma vida pautada pela alienação, pelo conformismo e pela indignidade.

Cenário de resposta do item 4 do exame de 2016, época especial

A metáfora «São o pão quotidiano dos grandes» (linhas 12 e 13) associa os «pequenos», os socialmente frágeis, ao pão. Assim, tal como o pão acompanha sempre os outros alimentos, também o povo é alimento constante para os poderosos.

Através da metáfora, o orador sublinha, por um lado, a insaciável ganância dos poderosos e, por outro, a vulnerabilidade dos pequenos, submetidos a uma exploração sem tréguas.

Cenário de resposta do item 5 do exame de 2016, época especial

Com o recurso à interrogação retórica, o orador conduz o auditório à tomada de consciência de que a exploração dos «pequenos» por parte dos poderosos é um comportamento condenável.

Assumida esta condenação por parte do auditório, Vieira acusa-o de ter, também ele, um comportamento em tudo semelhante ao anteriormente apontado.

Alexandre O'Neill (ou alguém referindo-se-lhe?) disse que os seus textos pretendiam «desimportantizar a poesia».

Aproveitando a necessária explicação (gramatical mesmo) do processo de formação deste neologismo, comenta como se exprime assim tão bem uma das características da escrita de O'Neill.

A tinta.

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