Camões pelo 12.º 2.ª
Catarina B.,
Inês P., Margarida M., Margarida O.
(12.º 2.ª)
Versos que não ficaram
no passado
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A estratégia é entretecer
num diálogo entre alunas (sobre situações que afetam o mundo atual) citações de
Camões (buscadas em versos de Os Lusíadas nos cantos VIII, IX e X e na
esparsa «[ao desconcerto do mundo] Os bons vi sempre passar»). Houve cuidado na
elaboração do texto (fundado em textos que nos interessam particularmente pois
são algumas das reflexões do poeta nos finais dos cantos) e houve igualmente ensaio
rigoroso. Talvez falte na redação mais tempo para trechos apenas coloquiais,
que tornariam o diálogo mais realista, mais espontâneo, implicando decerto uma
representação mais naturalista. O texto está tão certinho que parece mais
declamado do que representado. O filme revela competência técnica (lettering,
efeitos, montagem). Tratando-se de trabalho a quatro, talvez esperasse mais
tempo (já perto dos três minutos). Correção: «*cede inimiga» é «sede inimiga»
(aliás, «sede imiga»); em «*mas se aceitarmos isso como inevitável, estamos a
alimentar o ciclo» falta vírgula no início da oração adverbial condicional
(seria: «mas, se aceitarmos isso como inevitável, estamos a alimentar o
ciclo»). Bom+/Muito Bom-
Inês F., Isa, Laura,
Santiago (12.º 2.ª)
Frente a frente
com Camões
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Não se usa, na íntegra,
nenhum poema ou estância mas surgem excertos dos sonetos «Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades», «Amor é fogo que arde sem se ver» e alude-se ao episódio
do Adamastor (Os Lusíadas, V, 37-60). De qualquer modo, há bastante
texto dos autores, não se notam tempos mortos, o ritmo é bom, o que também
advém de haver dois formatos (entrevista propriamente dita; diálogo musicado),
ainda que cumprindo ambos o tópico «frente a frente com Camões». Representação
foi ensaiada. Não há erros no texto elaborado (quer da primeira quer da segunda
parte), há mérito em vários momentos, embora talvez se abuse de lugares comuns
na parte rimada. Na entrevista, oscila-se no tratamento de Camões — ora «tu» («sabes»)
ora de 3.ª pessoa («consegue descrever...») —, mas podemos alegar que é mesmo
assim na vida real (na televisão, vemos que os pivôs dos programas hesitam por
vezes no tratamento, sobretudo quando têm de lidar com pessoas de que querem
parecer próximas mas são mais velhas do que eles). Correção: numa das legendas
está «*descontete» (por «descontente») e fecham-se aspas que não tinham sido
abertas antes; era preferível usar maiúscula em «Adamastor»; numa das falas,
diz-se «terceiro, e o meu pessoal favorito» (seria «terceiro e, pessoalmente, o
meu favorito»?). Muito Bom – /Bom +
Carolina,
Guilherme, João, Sarah
(12.º 2.ª)
O verdadeiro
museu de Camões
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Filme não trata
de um texto particular de Camões, há apenas alusões ao episódio do Adamastor,
ao Concílio dos deuses, a Vénus e a Baco, à ilha dos Amores (mas fere-se aqui
uma das instruções, porque não há um texto de Camões que seja ponto de partida;
em vez do olho não se poderia ter referido com mais algum tempo um passo
qualquer da épica ou um soneto?). Em termos de conceção cinematográfica
(idealização de argumento, montagem, a organização das cenas, a própria
filmagem) há muito mérito: consegue contar-se uma história que até tem outra
dentro de si (dentro do plano da visita, surge o encaixe que constitui o
aparecimento de Camões, que possibilita a referência à obra). Há o ritmo
característico dos filmes. Também a representação e o domínio técnico merecem
elogio. Legendas automáticas reproduzem erros de pronúncia (aliás, não se trata
de erros na oralidade, mas, se transcrevo essas pronúncias como se fosse
escrita, são erros: «*tava» por «estava»; «*tamos» por «estamos»; «pá» por
«para»: um «os» que não era para ser dito; várias maiúsculas em falta nos nomes
próprios; «*a parte que eu mais gosto» por «a parte de que eu mais gosto»), teria
sido possível corrigir os erros (ou desligar as legendas). Onze segundos a mais
do que o estipulado. Bom +/Muito Bom-.
Luísa, Noa, Sofia,
Yara (12.º 2.ª)
História com H
grande: Entrevista com Camões
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Adota-se o
formato dos programas de tributo a alguém que assim se homenageia (ou ao estilo
daquele programa que termina com «o que dizem os seus olhos?»). A possibilidade
de inserir depoimentos de «personagens» da obra de Camões (Lianor, Vasco da
Gama) favorece muito o ritmo. Houve trabalho no sentido de imitar bem o
formato, o que torna a paródia mais efetiva. Também não falta o outro lado de
uma paródia: o exagero, o disparate, a caricatura do que está a ser parodiado:
a resposta a «o que dizem os seus olhos?» por um zarolho; Vasco da Gama, a
fazer depoimento diretamente do túmulo; Lianor dengosa e sedutora, com um
garrafão de água mineral e meias inesperadas; o grito desbragado da
entrevistadora a chamar por Leanor. Também teve de haver domínio técnico porque
o ritmo exigido por este tipo de programas implica efeitos, muitos planos, etc.
(as autoras conseguiram imitar esse modelo mesmo quanto a esses aspetos da
realização televisiva). E o texto está bem redigido. É nas respostas de Camões
que vão surgindo versos dispersos de Camões (dos sonetos «Amor é um fogo que
arde sem se ver», «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», «Erros meus, má
fortuna, amor ardente»; da cantiga «Descalça vai para a fonte». Correção:
«naufrágio na foz do rio [*?]» (o rio seria o «Mekong»; pareceu-me que Yara diz
«Mongok»). Muito Bom
Moita, Pedro (12.º 2.ª)
Camões no século
XXI
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O poema usado é o
soneto «Amor é um fogo que arde sem se ver» (na verdade há pouco Camões).
Funciona bem o facto de os dois autores/atores estarem em espaços/tempos
diferentes e é interessante o encaixe de um segmento que já se vira em direto
(na produção pelo «influencer» Camões) recuperado num outro plano narrativo
(quando um seguidor, depois de percebermos que está com problemas nos seus
amores, consulta o telemóvel, vê o ensinamento do «influencer» e sobre ele
reflete). Nesta construção da narrativa (com mais do que um nível narrativo),
revela-se boa noção de como se faz cinema. Ritmo é bom, porque foram planeadas as
cenas (pormenor de cenário que se podia ter evitado: percebe-se que as duas
cenas foram filmadas na mesma casa, por causa de uma parede, pelo menos). Muito
boas representações. Bom domínio técnico. Texto sem erros (não houve IA?);
enfim, ninguém diz «término». Bom+/Muito Bom- ou Muito Bom- (como foi entregue
com um dia ou dois de atraso: Bom +)
Mariana
A., Mariana C. e Rita (12.º 2.ª)
Camões ressuscita
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Imita-se um podcast que se debruçaria sobre Camões, com a presença de uma prima do poeta (devia ser muito velha...) e com análise de um soneto (esta parte descartá-la-ia; creio que terão recolhido a análise em algum manual ou em alguma net). Às tantas, surge o próprio poeta, a interromper as outras e a proclamar-se mulherengo. Quanto a mim, tiveram boas ideias, mas faltou tempo para as rever e, sobretudo, para ensaiar mais a leitura (ou a representação radiofónica). Aqui e ali, nota-se que faltou repetir mais, até não haver hesitações. Soneto não é «A dor da ausência fica mais pequena» (o v. 1, e é por ele que se deve citar, é «Quando vejo que meu destino ordena»). Na leitura do soneto, «refrearei» não foi bem pronunciado (quase «*refrarei»). Correções: «o sentimento da perda fica mais pequena*» (seria «pequeno», porque «sentimento» é masculino); «que irá mais tarde ser discutida* com uma prima» (teria de ser «discutido», uma vez que se tratava de «poema»); «mais a memória escassa*» seria «mais a memória escasseia». Bom -
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Português / 12.º 1.ª; 12.º 2.ª; 12.º 3.ª / Escola Secundária José Gomes Ferreira / 2025-2026
(O nome do blogue aproveita título de um livro do patrono da escola.)
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