Saturday, August 23, 2025

Camões pelo 12.º 2.ª

Catarina B., Inês P., Margarida M., Margarida O. (12.º 2.ª)

Versos que não ficaram no passado

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A estratégia é entretecer num diálogo entre alunas (sobre situações que afetam o mundo atual) citações de Camões (buscadas em versos de Os Lusíadas nos cantos VIII, IX e X e na esparsa «[ao desconcerto do mundo] Os bons vi sempre passar»). Houve cuidado na elaboração do texto (fundado em textos que nos interessam particularmente pois são algumas das reflexões do poeta nos finais dos cantos) e houve igualmente ensaio rigoroso. Talvez falte na redação mais tempo para trechos apenas coloquiais, que tornariam o diálogo mais realista, mais espontâneo, implicando decerto uma representação mais naturalista. O texto está tão certinho que parece mais declamado do que representado. O filme revela competência técnica (lettering, efeitos, montagem). Tratando-se de trabalho a quatro, talvez esperasse mais tempo (já perto dos três minutos). Correção: «*cede inimiga» é «sede inimiga» (aliás, «sede imiga»); em «*mas se aceitarmos isso como inevitável, estamos a alimentar o ciclo» falta vírgula no início da oração adverbial condicional (seria: «mas, se aceitarmos isso como inevitável, estamos a alimentar o ciclo»). Bom+/Muito Bom-

 

Inês F., Isa, Laura, Santiago (12.º 2.ª)

Frente a frente com Camões

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Não se usa, na íntegra, nenhum poema ou estância mas surgem excertos dos sonetos «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», «Amor é fogo que arde sem se ver» e alude-se ao episódio do Adamastor (Os Lusíadas, V, 37-60). De qualquer modo, há bastante texto dos autores, não se notam tempos mortos, o ritmo é bom, o que também advém de haver dois formatos (entrevista propriamente dita; diálogo musicado), ainda que cumprindo ambos o tópico «frente a frente com Camões». Representação foi ensaiada. Não há erros no texto elaborado (quer da primeira quer da segunda parte), há mérito em vários momentos, embora talvez se abuse de lugares comuns na parte rimada. Na entrevista, oscila-se no tratamento de Camões — ora «tu» («sabes») ora de 3.ª pessoa («consegue descrever...») —, mas podemos alegar que é mesmo assim na vida real (na televisão, vemos que os pivôs dos programas hesitam por vezes no tratamento, sobretudo quando têm de lidar com pessoas de que querem parecer próximas mas são mais velhas do que eles). Correção: numa das legendas está «*descontete» (por «descontente») e fecham-se aspas que não tinham sido abertas antes; era preferível usar maiúscula em «Adamastor»; numa das falas, diz-se «terceiro, e o meu pessoal favorito» (seria «terceiro e, pessoalmente, o meu favorito»?). Muito Bom – /Bom +

 

Carolina, Guilherme, João, Sarah (12.º 2.ª)

O verdadeiro museu de Camões

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Filme não trata de um texto particular de Camões, há apenas alusões ao episódio do Adamastor, ao Concílio dos deuses, a Vénus e a Baco, à ilha dos Amores (mas fere-se aqui uma das instruções, porque não há um texto de Camões que seja ponto de partida; em vez do olho não se poderia ter referido com mais algum tempo um passo qualquer da épica ou um soneto?). Em termos de conceção cinematográfica (idealização de argumento, montagem, a organização das cenas, a própria filmagem) há muito mérito: consegue contar-se uma história que até tem outra dentro de si (dentro do plano da visita, surge o encaixe que constitui o aparecimento de Camões, que possibilita a referência à obra). Há o ritmo característico dos filmes. Também a representação e o domínio técnico merecem elogio. Legendas automáticas reproduzem erros de pronúncia (aliás, não se trata de erros na oralidade, mas, se transcrevo essas pronúncias como se fosse escrita, são erros: «*tava» por «estava»; «*tamos» por «estamos»; «pá» por «para»: um «os» que não era para ser dito; várias maiúsculas em falta nos nomes próprios; «*a parte que eu mais gosto» por «a parte de que eu mais gosto»), teria sido possível corrigir os erros (ou desligar as legendas). Onze segundos a mais do que o estipulado. Bom +/Muito Bom-.

 

Luísa, Noa, Sofia, Yara (12.º 2.ª)

História com H grande: Entrevista com Camões

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Adota-se o formato dos programas de tributo a alguém que assim se homenageia (ou ao estilo daquele programa que termina com «o que dizem os seus olhos?»). A possibilidade de inserir depoimentos de «personagens» da obra de Camões (Lianor, Vasco da Gama) favorece muito o ritmo. Houve trabalho no sentido de imitar bem o formato, o que torna a paródia mais efetiva. Também não falta o outro lado de uma paródia: o exagero, o disparate, a caricatura do que está a ser parodiado: a resposta a «o que dizem os seus olhos?» por um zarolho; Vasco da Gama, a fazer depoimento diretamente do túmulo; Lianor dengosa e sedutora, com um garrafão de água mineral e meias inesperadas; o grito desbragado da entrevistadora a chamar por Leanor. Também teve de haver domínio técnico porque o ritmo exigido por este tipo de programas implica efeitos, muitos planos, etc. (as autoras conseguiram imitar esse modelo mesmo quanto a esses aspetos da realização televisiva). E o texto está bem redigido. É nas respostas de Camões que vão surgindo versos dispersos de Camões (dos sonetos «Amor é um fogo que arde sem se ver», «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», «Erros meus, má fortuna, amor ardente»; da cantiga «Descalça vai para a fonte». Correção: «naufrágio na foz do rio [*?]» (o rio seria o «Mekong»; pareceu-me que Yara diz «Mongok»). Muito Bom

 

Moita, Pedro (12.º 2.ª)

Camões no século XXI

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O poema usado é o soneto «Amor é um fogo que arde sem se ver» (na verdade há pouco Camões). Funciona bem o facto de os dois autores/atores estarem em espaços/tempos diferentes e é interessante o encaixe de um segmento que já se vira em direto (na produção pelo «influencer» Camões) recuperado num outro plano narrativo (quando um seguidor, depois de percebermos que está com problemas nos seus amores, consulta o telemóvel, vê o ensinamento do «influencer» e sobre ele reflete). Nesta construção da narrativa (com mais do que um nível narrativo), revela-se boa noção de como se faz cinema. Ritmo é bom, porque foram planeadas as cenas (pormenor de cenário que se podia ter evitado: percebe-se que as duas cenas foram filmadas na mesma casa, por causa de uma parede, pelo menos). Muito boas representações. Bom domínio técnico. Texto sem erros (não houve IA?); enfim, ninguém diz «término». Bom+/Muito Bom- ou Muito Bom- (como foi entregue com um dia ou dois de atraso: Bom +)

 

Mariana A., Mariana C. e Rita (12.º 2.ª)

Camões ressuscita

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Imita-se um podcast que se debruçaria sobre Camões, com a presença de uma prima do poeta (devia ser muito velha...) e com análise de um soneto (esta parte descartá-la-ia; creio que terão recolhido a análise em algum manual ou em alguma net). Às tantas, surge o próprio poeta, a interromper as outras e a proclamar-se mulherengo. Quanto a mim, tiveram boas ideias, mas faltou tempo para as rever e, sobretudo, para ensaiar mais a leitura (ou a representação radiofónica). Aqui e ali, nota-se que faltou repetir mais, até não haver hesitações. Soneto não é «A dor da ausência fica mais pequena» (o v. 1, e é por ele que se deve citar, é «Quando vejo que meu destino ordena»). Na leitura do soneto, «refrearei» não foi bem pronunciado (quase «*refrarei»). Correções: «o sentimento da perda fica mais pequena*» (seria «pequeno», porque «sentimento» é masculino); «que irá mais tarde ser discutida* com uma prima» (teria de ser «discutido», uma vez que se tratava de «poema»); «mais a memória escassa*» seria «mais a memória escasseia». Bom -

 

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