Saturday, August 23, 2025

Camões pelo 12.º 1.ª

Matilde C., Chung, Teresa L. (12.º 1.ª)

A Batalha

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Resume-se, numa encenação «estilizada», o passo da Batalha de Aljubarrota (Os Lusíadas, IV, 28-44) e estrofes anteriores (creio que também o discurso de Nuno Álvares Pereira, em IV, 14-19). No vídeo, Vasco da Gama dirige-se aos marinheiros, embora, nos Lusíadas, se dirija ao rei de Melinde (não vejo benefício nesta troca). Há partes bem ensaiadas e outras que podiam ter sido talvez um pouco mais repetidas. A planificação das cenas e a boa montagem, em trechos pequenos, permitem dar o essencial do episódio em pouco tempo, com bom ritmo. Favorecem essa capacidade de narrar também os sons (trombeta, cavalos; hino tem a desvantagem de ser o hino republicano). A identificação das personagens através de legendas é recurso pouco cinematográfico, mas aceita-se, dado que a encenação tinha de ser rápida. Correção: «*ousámos a ir além» > «ousámos ir além» (ou é de Camões e eu não consegui localizar esta frase?); em duas legendas (cerca de 0.30 e 1.15) ficou «Nuno Álvares *Cabral» (em vez de «Nuno Álvares Pereira»). Bom (+)/Bom+

 

Catarina (12.º 1.ª)

O Adamastor não desapareceu

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O filme, que se centra no passo do Adamastor (Os Lusíadas, V, 37-60), está dividido em três partes: uma, em que se lê Camões; outra, em que se comenta o passo em termos escolares, digamos, literários; e outra ainda, em que se procura interpretar a alegoria em termos de lição para todos e em todas as épocas (o Adamastor = medo). Esta divisão em momentos é boa estratégia porque permite dar conta de requisito do trabalho (citar Camões) sem a autora ter de lidar diretamente (a não ser lendo-o) com o texto de Camões. E, claro, a variedade de estilo, cenário, etc., torna o conjunto mais leve. Correções: nas personagens, talvez se pudesse assumir ser Vasco da Gama em vez de Camões, já que o passo do Adamastor é narrado por Vasco da Gama; e seria «crítica literária» (e não «narrador», para não se confundir com a primeira personagem, essa sim, um narrador). Bom «lettering», sem erros. Também no texto de Camões e no resto do texto lido não houve erros. Bom +

 

João C., João P., Manaen (12.º 1.ª)

O eco de um poema antigo

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Não se faz referência a um texto especificamente, refere-se só, muito genericamente, Os Lusíadas e o soneto «Amor é um fogo que arde sem se ver». Teria de haver mais planificação das ideias para se chegar a um filme mais acabado. O cinema não se coaduna com certo improviso, implica organizar tudo. Há indícios de que conseguiriam ter ideias interessantes (o vento a colocar o livro numa dada página é uma delas; logo o início, a encontrarem um livro inesperadamente, também; e há uma série de frases sobre Camões que eram aproveitáveis se houvesse algum desenvolvimento, mais trabalho). Boa representação (saliento a de João C., que diz com muita clareza as suas falas). E, repito, há algumas boas observações, ao lado de frases um pouco soltas. Correção: a meio diz-se «Por mares de antes nunca navegados», mas é «Por mares nunca de antes navegados». Bom (-)

 

Mariana, Marta, Matilde A., Raquel (12.º 1.ª)

“Get ready with Camões e Vasco da Gama”

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O texto de Camões aproveitado é o passo do Adamastor (Os Lusíadas, V, 37-60). Transpõe-se o relato do Gama (ao rei de Melinde) para narração por um Camões e um Vasco da Gama que estivessem em cruzeiro e dele transmitissem novidades. Trata-se da visão de uma figura como a do Adamastor num registo que parece o de «influencers» na net, em diretos, de estilo fútil, ou o de conversas dentro de reality shows. Consegue-se representação muito próxima dos estereótipos destas personagens (nestes Camões e Gama influencers), mostrando Mariana e Matilde capacidades teatrais para caricaturar (gestos, pronúncias, entoações) com inteligência. Também o texto apanha bem alguns tiques da linguagem que conhecemos neste tipo de diálogos («do nada»; «voz bué grossa», «tipo cheios de medo», «alguém avise», «malta», «qual é o teu problema?»). Há demasiada desproporção entre o tempo de exercício de oralidade das quatro autoras (Marta e Raquel quase não intervêm oralmente). Correção: na verdade, Camões não deveria ser um dos participantes no cruzeiro, já que não faz a viagem que nos relata (quer dizer, a mesma que fez Vasco da Gama em 1498); podiam ser relatores o Gama e o irmão, Paulo da Gama; ou o Gama e um dos marinheiros, Fernão Veloso, por exemplo. Bom+/Muito Bom-

 

Madalena A., Mafalda, Maria (12.º 1.ª)

Na cozinha com Camões

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Recorre-se ao soneto «Amor é um fogo que arde sem se ver» num contexto de programa de culinária, em que se preparariam «cookies». Podiam as partes de declamação do texto e de confeção dos bolos articular-se mais (há um momento que poderia servir de modelo: quando se relaciona a temperatura da chama do fogão com a do amor no poema; mas também quando Mafalda/Camões esmaga um dos bolos ao mesmo tempo que diz um verso mais altissonante). A elaboração do texto terá sido apressada. Acabaram por reproduzir informações encontráveis nos manuais (a parte sobre rima e soneto parece mesmo para encher). Tiveram uma boa ideia para abordar o tema, faltou investimento na escrita. Talvez tivessem encontrado poemas até mais relacionáveis com a situação culinária. Mostram facilidade na representação, competência técnica no que se refere ao filme (e, já agora, no que se refere à culinária, uma vez que os bolos têm bom aspeto). Correção: «é preciso uma *complexidade para escrever» seria «é preciso génio/grande jeito para escrever com esta complexidade». Bom (+) / Bom

 

Diogo (12.º 1.ª)

Da primeira à última palavra

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Leem-se quatro estrofes de Os Lusíadas (em itálico, não aspado...), as duas primeiras e as duas últimas (o título do filme também poderia ser «Das armas à inveja»). Pelo meio, há slide com síntese biográfica (transposta de algum manual ou de wikipédia). Falta criação pessoal: não há texto original (se tirarmos o interessante título), nem propriamente abordagem fílmica. Adotou-se estratégia demasiado económica, para não dizer um pouco preguiçosa. A leitura em voz alta não tem erros mas é relativamente insegura, aqui e ali tateante. Ao longo das estâncias lidas poderia ter havido ritmos diferentes, entoações que acompanhassem mais a especificidade da sintaxe. Correção: costuma dizer-se que Camões nasceu por volta de 1524-25 (só o primeiro biógrafo, que, hoje em dia, não se considera fiável, referiu 1517). Suf+

 

Luiza e Teresa M. (12.º 1.ª)

O amor que culpa e liberta

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Dramatiza-se o passo de Inês de Castro (Os Lusíadas, III, 118-135). O texto que resume o episódio é curto, acaba por cortar bastante da peripécia, focando-se no assassinato (por exemplo, o facto de Inês estar desprevenida, feliz a pensar no seu Pedro, nas margens do Mondego, podia constar mais, até porque nos interessa por causa de Frei Luís de Sousa). Mostram boa noção de como se pode adaptar uma narrativa ao cinema, revelam também competência técnica, mas poderiam ter desenvolvido mais a história (no fundo, não resolver tudo em um minuto mas, pelo menos, no dobro do tempo). O vocativo inicial (a «Majestade» a quem se diz ir contar uma história de amor é quem: o rei de Melinde? D. Afonso IV?). Bom(-)

 

Rodrigo e Sara (12.º 1.ª)

Camões pelo tempo

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Não se usa texto muito localizado: alude-se ao passo do Adamastor (Os Lusíadas, V, 37-60) e também se referem os sonetos «Amor é um fogo que arde sem se ver» e «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades». Situação criada envolve a chegada de Camões (teletransportado?) aos nossos dias, quase chocando com alguém que está a dançar ao estilo da rapariga que não gosta de químicos nos produtos Pingo Doce. O que se diz sobre matéria literária é muito superficial mas há algumas boas ideias (os efeitos para delimitar o encaixe para a recordação do episódio do Adamastor; o truque para simular o Adamastor só com cabelos; a frase final, «talvez a poesia nunca deixe de fazer sentido» com a câmara a apontar para o azul do céu). Boa representação (sobretudo, de Sara). Houve boa planificação em termos de cinema (consegue-se contar uma história em pouco tempo graças à boa montagem e à idealização do «argumento»). Podia o vídeo demorar um pouco mais. Correção: em vez de «histórias de amor», «poemas de amor» (embora me possam alegar que a personagem quis mesmo passar por ligeira, pouco informada); Camões não escreveu «mudam-se tempos, mudam-se vontades» (como se ouve), mas «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades» (na legenda está bem). Bom+ (mas entregue com um dia de atraso; logo, Bom (+))

 

Miguel e Vasco (12.º 1.ª)

Portugal, a origem

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Trabalho não se debruça sobre nenhum texto localizado, alude aos Lusíadas genericamente. Dois amigos conversam sobre a epopeia, um mostrando desconfiança, rejeição, menorizando o poema, e o outro procurando mostrar que não se trata de obra só sobre «barcos» (por acaso, não me parece que seja definição alegada habitualmente). O texto, tirando raros momentos (por exemplo, a referência à Netflix e o título que teria em filme a obra de Camões; expressões mais coloquiais, como «Camões não brincava em serviço») é uma súmula do que se encontra aqui e ali em textos expositivos escolares, não envolve grande originalidade, embora a construção do diálogo mostre algum engenho e se deva dizer que não há erros. A conversa poderia ter sido mais bem representada. Texto teria de estar bem decorado (é demasiado evidente que se vai olhando para a cábula); a velocidade, excessiva, também é indício de que não estava tudo suficientemente ensaiado. O vídeo é demasiado curto para o que se espera de trabalho pedido com tanto tempo de antecedência (assumido como trabalho principal de oralidade); enfim, não houve grande investimento. Correção: em vez de «deuses gregos», talvez seja preferível «deuses antigos ou greco-latinos», uma vez que que os nomes que assumem nos Lusíadas são até os latinos (Vénus e não Afrodite; Júpiter e não Zeus; etc.); lembremos que o modelo de Os Lusíadas é a Eneida, romana. Bom -/Suf+ ou Bom-

 

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