Aula 85
Aula 85 (9 [3.ª, 2.ª], 12/fev [1.ª]) Recorda as cenas XIV e XV do segundo ato de Frei Luís de Sousa. Procura criar um título-síntese expressivo para cada uma dessas cenas. (Deixei as cenas anteriores para perceberes o estilo que devem ter as frases-sínteses.)
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X |
D.
Madalena desabafa com Frei Jorge as razões do seu desespero em relação ao dia
em que decorre a ação e o seu sentimento de pecado em relação ao amor por
Manuel de Sousa. |
Três
efemérides (e a última com um pecado em anexo) |
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XI |
Miranda
anuncia a chegada de um peregrino que vem da Terra Santa com um recado para
Madalena que apenas a ela dará. Madalena decide recebê-lo. |
«Venho
trazer-vos recado... Um estranho recado» |
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XII |
Frei
Jorge reflete sobre o comportamento de muitos falsos peregrinos que se
aproveitam da caridade dos fiéis. |
Cuidado
com os romeiros! (E o caso não é para menos...) |
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XIII |
Encontro
do Romeiro com Madalena. |
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XIV |
O
Romeiro vai dando a conhecer a sua identidade (ainda que os seus sinais não
sejam entendidos). A revelação de que D. João está vivo é para D. Madalena a
confirmação de todos os presságios de desgraça. |
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XV |
À
pergunta de Frei Jorge sobre a sua identidade, o Romeiro responde «Ninguém!» e identifica-‑se apontando com o bordão para o retrato de D.
João de Portugal. |
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Num livro saído há quase dez anos
— Malparado. Diários (novembro de 2012 —
março de 2015), Lisboa, Tinta-da-China, 2017, pp. 56-57 —, Pedro Mexia escreveu o seguinte a
propósito do final do ato II de Frei Luís de Sousa, de Almeida
Garrett:
O Frei Luís de Sousa é, convenhamos, um bocado
intragável. E todos se lembram da cena emblemática em que um dos protagonistas
está disfarçado de peregrino, e alguém lhe pergunta: «Romeiro, quem és tu?».
Ele então responde: «Ninguém». Durante mais de um século, segundo me contam, os
atores paravam uns segundos, olhavam para a plateia, abriam os braços e exclamavam
um «nin-guém» escandido e em maiúsculas.
Era horrível, e toda a gente adorava. Um dia, um encenador checo, o Listopad,
fez a peça cá, e pediu ao ator que dissesse esse «ninguém» para dentro, de um
modo murmurado, quase inaudível. Toda a gente detestou, mas eu acho
maravilhoso. Certo tipo de coisas só podem ser ditas como aquele ator disse
«ninguém», quase para si mesmo, e não com uma ênfase exibicionista, de braços
estendidos para a audiência.
Reflete, também tu, acerca
da melhor forma de dizer aquele «ninguém». Fundamenta a tua opinião na interpretação
desse momento da peça. (que repito em baixo).
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[...]
JORGE — Homem, acabai!
ROMEIRO — Agora acabo; sofrei, que ele também sofreu muito. Aqui
estão as suas palavras: «Ide a D. Madalena de Vilhena, e dizei-lhe que um homem
que muito bem lhe quis... aqui está vivo... por seu mal... e daqui não pode
sair nem mandar-lhe novas suas, de há vinte anos que o trouxeram cativo».
MADALENA (na maior ansiedade)
— Deus tenha misericórdia de mim! E esse homem, esse homem... Jesus! esse homem
era... esse homem tinha sido... levaram-no aí de donde?... de África?
ROMEIRO — Levaram.
MADALENA — Cativo?
ROMEIRO — Sim.
MADALENA — Português!... cativo da batalha de?...
ROMEIRO — De Alcácer-Quibir.
MADALENA (espavorida) — Meu
Deus, meu Deus! Que se não abre a terra debaixo de meus pés... Que não caem
estas paredes, que me não sepultam já aqui?...
JORGE — Calai-vos, D. Madalena! A misericórdia de Deus é infinita.
Esperai. Eu duvido, eu não creio... estas não são cousas para se crerem de
leve. (Reflete, e logo como por uma ideia
que lhe acudiu de repente.) Oh! inspiração divina... (chegando ao romeiro). Conheceis bem esse homem, romeiro, não é
assim?
ROMEIRO — Como a mim mesmo.
JORGE — Se o víreis... ainda que fora noutros trajos... com menos
anos, pintado, digamos, conhecê-lo-eis?
ROMEIRO — Como se me visse a mim mesmo num espelho.
JORGE — Procurai nesses retratos, e dizei-me se algum deles pode
ser.
ROMEIRO (sem procurar, e
apontando logo para o retrato de D. João) — É aquele.
MADALENA (com um grito espantoso)
— Minha filha, minha filha, minha filha!... (Em tom cavo e profundo.) Estou... estás... perdidas, desonradas...
infames! (Com outro grito do coração.)
Oh! minha filha, minha filha!... (Foge
espavorida e neste gritar.)
CENA XV
JORGE e o ROMEIRO, que seguiu Madalena com os olhos, e está alçado no meio da casa, com
aspeto severo e tremendo
JORGE — Romeiro, romeiro, quem és tu?
ROMEIRO (apontando com o bordão
para o retrato de D. João de Portugal) — Ninguém! (Frei Jorge cai prostrado no chão, com os braços estendidos diante da
tribuna. O pano desce lentamente.)
A encenação de Jorge Listopad (ato II): https://arquivos.rtp.pt/conteudos/frei-luis-de-sousa-parte-ii/
As representações de que vimos a parte
correspondente ao final do Ato II de Frei Luís Sousa, de Almeida Garrett, foram:
|
Filme
/ Peça |
Ano |
Realizador
/ Encenador / Grupo |
|
Frei Luís de Sousa |
1950 |
António Lopes Ribeiro |
|
Frei Luís de Sousa |
1958 |
Edgar Marques («Noite de teatro» da Emissora
Nacional) |
|
Frei
Luís de Sousa |
1967 |
Jorge
Listopad |
|
Quem és tu? |
2001 |
João Botelho |
|
Madalena |
2013 |
Jorge
Pinto |
|
Frei
Luís de Sousa |
2019 |
Miguel
Loureiro |
O exame de 2020, fase especial, tinha este item 7 em torno de Frei Luís de Sousa:
Grupo I — Parte C
7. Em Frei Luís de Sousa,
de Almeida Garrett, são vários os aspetos que conferem uma dimensão trágica à obra,
nomeadamente a mudança do espaço onde vai decorrendo a ação.
Escreva uma breve exposição
na qual comprove esta afirmação, baseando-se na sua experiência de leitura da peça.
A sua exposição deve incluir:
• uma introdução ao tema;
• um desenvolvimento no qual refira duas alterações significativas observáveis no espaço em que decorre
a ação e explique o modo como essas alterações contribuem para a dimensão trágica
da obra;
• uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.
[Dos Critérios de
Correção:
Devem ser abordados dois
dos tópicos seguintes, ou outros igualmente relevantes:
—
a passagem do palácio de Manuel de Sousa Coutinho, aberto ao
exterior/luminoso/luxuoso, para o palácio de D. João de Portugal,
opressivo/austero/melancólico e ligado ao passado de Madalena, simbolizando a
destruição da felicidade familiar (ainda que aparente) e a aproximação do
destino fatal;
—
o progressivo fechamento do espaço, patente, por exemplo, na passagem da sala
dos retratos do palácio de D. João de Portugal para a parte baixa desse mesmo
palácio e, posteriormente, para a capela, simbolizando o aprisionamento das
personagens, cujo destino as conduz inexoravelmente à entrada na vida
religiosa;
—
a alteração dos adereços, evidente, por exemplo, na introdução de elementos
como o caixão e as cruzes/o hábito de religioso domínico, simbolizando a
morte/a penitência, por oposição aos objetos que, inicialmente, revelavam o
luxo e a elegância do palácio de D. Manuel (porcelanas, sedas, flores, livros,
tapeçarias...).]
TPC — Na Classroom a que vais
ser chamado, passa a limpo (apenas com as minhas alterações) o texto sobre
«Ética no desporto».
#
Português / 12.º 1.ª; 12.º 2.ª; 12.º 3.ª / Escola Secundária José Gomes Ferreira / 2025-2026
(O nome do blogue aproveita título de um livro do patrono da escola.)
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