Sunday, August 24, 2025

Aula 61-62

Aula 61-62 (19/dez [2.ª, 3.ª], 5/jan [1.ª]) Em O amor acontece (Love actually) há um passo que me lembra o texto mais conhecido da Crónica de D. João I, «Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o Meestre, e como aló foi Alvoro Paaez e muitas gentes com ele» (parcialmente na p. 380 do manual), com o povo de Lisboa a ser conduzido aos paços da rainha (restaurante), por ação de um pajem (Sofia) estimulado por Álvaro Pais (Barros), para defender o Mestre (Aurélia), que, alegadamente, o Conde Andeiro (Jamie) queria matar (comprar), acabando afinal por se festejar o triunfo do Mestre (Aurélia), que, afinal, matara o Andeiro (casa com Jamie) e sai até junto das massas (clientes do restaurante, portugueses), que aplaudem deliciadas.

Nesse trecho do filme, as personagens secundárias (ou mesmo figurantes) portuguesas — não incluo, portanto, Aurélia — são uma espécie de personagem coletiva, plana, ingenuamente caricaturada, talvez um estereótipo do português aos olhos dos estrangeiros. A caracterização desta «personagem» é, como é costume em cinema, indireta, já que decorre sobretudo das suas atitudes, da sua linguagem.

Inscreve [já inscrevi] no quadro os adjetivos qualificativos correspondentes à característica psicológica que os comportamentos à direita sugerem.

portugueses são...

comportamentos no trecho de O amor acontece

interesseiros, oportunistas, materialistas

Veem o casamento da filha, ou irmã, como possibilidade de melhoria das condições materiais.

informais, espontâneos

Barros vem abrir a porta em camisola interior; não hesita em confiar em desconhecido; chama a filha de imediato.

grosseiros, rudes, vulgares

Barros diz a Sofia que até pagava para se desenvencilhar dela.

indelicados, descorteses

Sofia trata o pai por «estúpido».

prestáveis, diligentes

Pai e filha tentam resolver o pedido do estrangeiro.

desbragados, desbocados

Pai e filha vão pelas ruas a contar a todos o que se está passar.

exagerados, levianos

«O meu pai vai vender a Aurélia como escrava!».

egoístas, apegados, insensatos

«É a minha melhor empregada. Não se pode casar!».

indiscretos, inconvenientes, intrometidos, curiosos

Assistem, sem desviar olhar, à declaração de amor; [na rua, não se coibiram de engrossar o pelotão em demanda de Aurélia.]

ambiciosos, irrealistas

Diz Sofia: «casa-te mas é com o príncipe William».

boçais, simples

Não percebem as mais elementares palavras inglesas (por isso ficam calados durante o assentimento de Aurélia).

comunicativos, sociáveis

Barros e Sofia beijam genro e cunhado.

românticos, generosos

Todo o restaurante fica eufórico com o sucesso da declaração de amor.

Também em Fernão Lopes a caracterização da personagem coletiva ‘povo (de Lisboa)’ é sobretudo indireta. Em vez de adjetivos, tenta nome (ou grupo nominal) que corresponda à característica de comportamento subjacente. Pus alguns, mas acrescenta.

povo mostra...

passos em «Do alvoroço [...]», Crónica de D. João I

subordinação a desígnios de outrem; cumprimento submisso de ordens mesmo que irrazoáveis; sociabilidade;

...

O Page do Meestre, [...] como lhe disserom que fosse pela vila segundo já era percebido [combinado], começou d’ir rijamente a galope [...] braadando pela rua: // — Matom o Meestre! [...] // As gentes que esto ouviam, saíam aa rua veer que cousa era; e, começando de falar uns com os outros, alvoroçavom-se nas voontades, e começavom de tomar armas cada um como melhor e mais asinha podia.

disponibilidade para adotar pontos vista que se presumem maioritários; ...

[...] e assi como viuva que rei nom tiinha, e como se lhe este ficara em logo de marido, se moverom todos com mão armada, correndo a pressa pera u deziam que se esto fazia, por lhe darem vida e escusar morte.

obstinação; ...

A gente começou de se juntar a ele, e era tanta que era estranha cousa de veer. Nom cabiam pelas ruas principaes, e atrevessavom logares escusos desejando cada um de seer o primeiro;

leviandade; ...

e preguntando uns aos outros quen matava o Meestre, nom minguava quem responder que o matava o Conde Joam Fernandez, per mandado da Rainha.

índole vingativa; ...

E per voontade de Deos todos feitos dum coraçom com talente de o vingar, como forom aas portas do Paaço que eram já çarradas, ante que chegassem, [...] com espantosas palavras começarom de dizer: // — U matom o Meestre? que é do Meestre? Quem çarrou estas portas?

individualismo; indecisão; ...

 

Ali eram ouvidos brados de desvairadas maneiras. Taes i havia que certeficavom que o Meestre era morto, pois as portas estavom çarradas, dizendo que as britassem para entrar dentro, e veeriam que era do Meestre, ou que cousa era aquela. // Deles braadavom por lenha, e que veesse lume pera poerem fogo aos Paaços, e queimar o treedor e a aleivosa. Outros se aficavom pedindo escaadas pera sobir acima, pera veerem que era do Meestre; e em todo isto era o arroido atam grande que se nom entendiam uns com os outros, nem determinavom nenhuma cousa.

cobardia; ...

[...] dizendo muitos doestos contra a Rainha.

materialismo; ...

De cima nom minguava quem braadar que o Meestre era vivo, e o Conde Fernandez morto; mas isto nom queria nenhum creer, dizendo: // — Pois se vivo é, mostrae-no-lo e vee-lo-emos. [...]

ceticismo; ...

[O mestre mostra-se] // E tanta era a torvaçam deles, e assi tiinham já em creença que o Meestre eram que taes havia i que aperfiavom que nom era aquele; porem conhecendo-o todos claramente, houverom gram prazer quando o virom, e deziam uüs contra os outros: //— Ó que mal fez! pois que matou o treedor do Conde, que nom matou logo a aleivosa com ele! Creedes em Deos, ainda lhe há de viinr algum mal per ela. [...] O aleivosa! já nos matou um senhor, e agora nos queria matar outro; leixae-a, ca ainda há mal d'acabar por estas cousas que faz!

lhaneza; ...

— O, senhor! como vos quiserom matar per treiçom, beento seja Deos que vos guardou desse treedor! Viinde-vos, dae ao demo esses Paaços, nom sejaes lá mais. // E em dizendo esto, muitos choravom com prazer de o veer vivo.

subserviência; candura; ...

[Então o Mestre] cavalgou com os seus acompanhado de todolos outros que era maravilha de veer. Os quaes mui ledos arredor dele, braadavam dizendo: // — Que nos mandaes fazer, Senhor? que querees que façamos? // E el lhe respondia, aadur podendo seer ouvido, que lho gradecia muito, mas que por estonce nom havia deles mais mester.

 

 

Explicação sobre tipo de articulação narrativa: encadeamento, encaixe, alternância (cfr. Apresentação).

Eis os textos nas contracapas de três filmes (DVD):

[Cinema Paraíso]

Esta obra-prima do realizador Giuseppe Tornatore é um olhar nostálgico sobre a vida de um jovem na Itália do pós-guerra e o seu fascínio pelo cinema, tendo vencido o Óscar para o Melhor Filme Estrangeiro e o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes.

“Alfredo está a morrer”. Esta notícia surpreendeu o realizador de sucesso Salvatore (Jacques Perrin), levando-o a recordar a sua infância e o tempo que passara na sala de projeção do cinema da sua vila, Cinema Paraíso.

Alfredo (Philippe Noiret), projecionista do cinema, foi um amigo inseparável do pequeno Salvatore, conhecido por “Totó”, à medida que este crescia na sua terra natal, uma vila devastada pelos horrores da guerra. O cinema oferecia fantasia e evasão aos habitantes da pequena vila, fazendo esquecer a dura realidade da fome e da pobreza.

Cinema Paraíso é um filme inesquecível e um maravilhoso tributo ao cinema que marcou uma geração inteira de espetadores.

[O Amor Acontece]

Dos criadores de Nothing Hill e O Diário de Bridget Jones chega-nos a sua mais recente comédia romântica. Um retumbante sucesso que inclui um elenco bem famoso e uma fantástica banda sonora!

A poucas semanas do Natal, este hilariante O Amor Acontece desvenda os altos e baixos de várias relações. Namorados & Namoradas, Maridos & Mulheres, Pais & Filhos, Estrelas Rock & Agentes todos se juntam para fazer de O Amor Acontece não uma mas dez histórias de amor muito diferentes.

Porque, se estiver bem atento, vai descobrir que O Amor Acontece em todo o lado.

[A Idade de Adaline]

Depois de, miraculosamente, ter ficado com 29 anos durante quase oito décadas, Adaline Bowman (Blake Lively) leva uma vida solitária, nunca se permitindo aproximar de ninguém que possa vir a descobrir o seu segredo.

Mas um encontro casual com Ellis Jones, um jovem e carismático filantropo (Michiel Huisman) reacende a sua paixão pela vida e pelo amor. Um fim de semana com os pais de Ellis (Harrison Ford e Kathy Baker) ameaça pôr a descoberto a verdade, e Adaline toma uma decisão que mudará para sempre a sua vida.

Redige sinopse para filme que aproveitasse relato feito na p. 380 (incluído na Crónica de D. João I). Esse relato é o início da revolução de 1383-85.

O filme trataria de todo esse período mas a sinopse partiria do primeiro pretexto da ação, o início do episódio (na tal p. 380).

Também criarás o título do filme, que seria inspirado nos testemunhos de Fernão Lopes.

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Episódio de E o resto é História sobre «Qual a maior mentira da história de Portugal?»

TPC — (i) Se ainda não o fizeste, cumpre, na Classroom, a tarefa relativa a leitura de contos; (ii) O mesmo se diga da entrega das duas passagens a limpo pedidas de crónicas para «Fugas»; (iii) Lê esta ficha sobre atos de fala; (iv) Vai também lendo os livros combinados (logo no reinício das aulas vou querer atualizar as leituras que fizeram).

 

 

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