Aula 61-62
Aula 61-62 (19/dez [2.ª, 3.ª], 5/jan [1.ª]) Em O amor acontece (Love actually) há um passo que me lembra o texto mais conhecido da Crónica de D. João I, «Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o Meestre, e como aló foi Alvoro Paaez e muitas gentes com ele» (parcialmente na p. 380 do manual), com o povo de Lisboa a ser conduzido aos paços da rainha (restaurante), por ação de um pajem (Sofia) estimulado por Álvaro Pais (Barros), para defender o Mestre (Aurélia), que, alegadamente, o Conde Andeiro (Jamie) queria matar (comprar), acabando afinal por se festejar o triunfo do Mestre (Aurélia), que, afinal, matara o Andeiro (casa com Jamie) e sai até junto das massas (clientes do restaurante, portugueses), que aplaudem deliciadas.
Nesse trecho do filme, as personagens secundárias (ou mesmo
figurantes) portuguesas — não incluo, portanto, Aurélia — são uma espécie de personagem coletiva, plana, ingenuamente caricaturada,
talvez um estereótipo do português aos olhos dos estrangeiros. A caracterização desta «personagem» é,
como é costume em cinema, indireta,
já que decorre sobretudo das suas atitudes, da sua linguagem.
Inscreve [já inscrevi] no quadro os adjetivos
qualificativos correspondentes à característica psicológica que os
comportamentos à direita sugerem.
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portugueses são... |
comportamentos no trecho de O amor acontece |
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interesseiros, oportunistas, materialistas |
Veem o casamento da filha, ou irmã, como
possibilidade de melhoria das condições materiais. |
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informais, espontâneos |
Barros vem abrir a porta em camisola interior;
não hesita em confiar em desconhecido; chama a filha de imediato. |
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grosseiros, rudes, vulgares |
Barros diz a Sofia que até pagava para se
desenvencilhar dela. |
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indelicados, descorteses |
Sofia trata o pai por «estúpido». |
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prestáveis, diligentes |
Pai e filha tentam resolver o pedido do
estrangeiro. |
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desbragados, desbocados |
Pai e filha vão pelas ruas a contar a todos o
que se está passar. |
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exagerados, levianos |
«O meu pai vai vender a Aurélia como escrava!». |
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egoístas, apegados, insensatos |
«É a minha melhor empregada. Não se pode
casar!». |
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indiscretos, inconvenientes, intrometidos,
curiosos |
Assistem, sem desviar olhar, à declaração de
amor; [na rua, não se coibiram de engrossar o pelotão em demanda de Aurélia.] |
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ambiciosos, irrealistas |
Diz Sofia: «casa-te mas é com o príncipe
William». |
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boçais, simples |
Não percebem as mais elementares palavras
inglesas (por isso ficam calados durante o assentimento de Aurélia). |
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comunicativos, sociáveis |
Barros e Sofia beijam genro e cunhado. |
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românticos, generosos |
Todo o restaurante fica
eufórico com o sucesso da declaração de amor. |
Também em Fernão Lopes a caracterização da personagem coletiva
‘povo (de Lisboa)’ é sobretudo indireta. Em vez de adjetivos, tenta nome
(ou grupo
nominal) que corresponda à característica de comportamento
subjacente. Pus alguns, mas acrescenta.
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povo mostra... |
passos em «Do alvoroço [...]», Crónica de D. João I |
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subordinação a desígnios de outrem; cumprimento
submisso de ordens mesmo que irrazoáveis; sociabilidade; ... |
O Page do Meestre, [...]
como lhe disserom que fosse pela vila segundo já era percebido [combinado], começou d’ir rijamente a
galope [...] braadando pela rua: // — Matom o Meestre! [...] // As gentes que
esto ouviam, saíam aa rua veer que
cousa era; e, começando de falar uns com os outros, alvoroçavom-se nas
voontades, e começavom de tomar armas cada um como melhor e mais asinha
podia. |
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disponibilidade para
adotar pontos vista que se presumem maioritários; ... |
[...] e assi como viuva que rei nom tiinha, e como se
lhe este ficara em logo de marido, se moverom todos com mão armada, correndo
a pressa pera u deziam que se esto fazia, por lhe darem vida e escusar
morte. |
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obstinação; ... |
A gente começou de se
juntar a ele, e era tanta que era estranha cousa de veer. Nom cabiam pelas
ruas principaes, e atrevessavom logares escusos desejando cada um de seer o primeiro; |
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leviandade; ... |
e
preguntando uns aos outros quen matava o Meestre, nom minguava quem responder que o matava o Conde Joam Fernandez,
per mandado da Rainha. |
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índole vingativa; ... |
E per voontade de Deos todos feitos dum coraçom com talente de o vingar, como forom aas portas do Paaço que eram já çarradas, ante
que chegassem, [...] com espantosas palavras começarom de dizer: // — U matom
o Meestre? que é do Meestre? Quem çarrou estas portas? |
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individualismo; indecisão; ... |
Ali eram ouvidos brados
de desvairadas maneiras. Taes i havia
que certeficavom que o Meestre era morto, pois as portas estavom
çarradas, dizendo que as britassem para entrar dentro, e veeriam que era do
Meestre, ou que cousa era aquela. // Deles
braadavom por lenha, e que veesse lume pera poerem fogo aos Paaços, e queimar o treedor e a aleivosa. Outros se aficavom pedindo escaadas
pera sobir acima, pera veerem que era do Meestre; e em todo isto era o arroido
atam grande que se nom entendiam uns
com os outros, nem determinavom nenhuma cousa. |
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cobardia; ... |
[...] dizendo muitos doestos contra a Rainha. |
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materialismo; ... |
De cima nom minguava quem
braadar que o Meestre era vivo, e o Conde Fernandez morto; mas isto nom
queria nenhum creer, dizendo: // —
Pois se vivo é, mostrae-no-lo e vee-lo-emos. [...] |
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ceticismo; ... |
[O mestre mostra-se] // E
tanta era a torvaçam deles, e assi tiinham já em creença que o Meestre eram
que taes havia i que aperfiavom que
nom era aquele; porem conhecendo-o todos claramente, houverom gram prazer
quando o virom, e deziam uüs contra os outros: //— Ó que mal fez! pois que
matou o treedor do Conde, que nom matou logo a aleivosa com ele! Creedes em
Deos, ainda lhe há de viinr algum mal
per ela. [...] O aleivosa! já nos matou um senhor, e agora nos queria
matar outro; leixae-a, ca ainda há mal
d'acabar por estas cousas que faz! |
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lhaneza; ... |
— O,
senhor! como vos quiserom matar per treiçom, beento seja Deos que vos guardou
desse treedor! Viinde-vos, dae ao demo
esses Paaços, nom sejaes lá mais. // E em dizendo esto, muitos choravom
com prazer de o veer vivo. |
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subserviência; candura; ... |
[Então o Mestre] cavalgou
com os seus acompanhado de todolos outros que era maravilha de veer. Os quaes
mui ledos arredor dele, braadavam
dizendo: // — Que nos mandaes
fazer, Senhor? que querees que façamos? // E el lhe respondia, aadur
podendo seer ouvido, que lho gradecia muito, mas que por estonce nom havia
deles mais mester. |
Explicação sobre tipo de articulação
narrativa: encadeamento, encaixe, alternância (cfr. Apresentação).
Eis os textos nas contracapas de três filmes (DVD):
[Cinema Paraíso]
Esta obra-prima do
realizador Giuseppe Tornatore é um olhar nostálgico sobre a vida de um jovem na
Itália do pós-guerra e o seu fascínio pelo cinema, tendo vencido o Óscar para o
Melhor Filme Estrangeiro e o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes.
“Alfredo está a morrer”.
Esta notícia surpreendeu o realizador de sucesso Salvatore (Jacques Perrin),
levando-o a recordar a sua infância e o tempo que passara na sala de projeção
do cinema da sua vila, Cinema Paraíso.
Alfredo (Philippe Noiret),
projecionista do cinema, foi um amigo inseparável do pequeno Salvatore,
conhecido por “Totó”, à medida que este crescia na sua terra natal, uma vila
devastada pelos horrores da guerra. O cinema oferecia fantasia e evasão aos habitantes
da pequena vila, fazendo esquecer a dura realidade da fome e da pobreza.
Cinema Paraíso é um filme inesquecível e
um maravilhoso tributo ao cinema que marcou uma geração inteira de espetadores.
[O Amor Acontece]
Dos criadores de Nothing
Hill e O Diário de Bridget Jones chega-nos a sua mais recente
comédia romântica. Um retumbante sucesso que inclui um elenco bem famoso e uma
fantástica banda sonora!
A poucas semanas do Natal,
este hilariante O Amor Acontece desvenda os altos e baixos de várias
relações. Namorados & Namoradas, Maridos & Mulheres, Pais & Filhos,
Estrelas Rock & Agentes todos se juntam para fazer de O Amor Acontece
não uma mas dez histórias de amor muito diferentes.
Porque, se estiver bem
atento, vai descobrir que O Amor Acontece
em todo o lado.
[A Idade de Adaline]
Depois de,
miraculosamente, ter ficado com 29 anos durante quase oito décadas, Adaline
Bowman (Blake Lively) leva uma vida solitária, nunca se permitindo aproximar de
ninguém que possa vir a descobrir o seu segredo.
Mas um encontro casual com
Ellis Jones, um jovem e carismático filantropo (Michiel Huisman) reacende a sua
paixão pela vida e pelo amor. Um fim de semana com os pais de Ellis (Harrison
Ford e Kathy Baker) ameaça pôr a descoberto a verdade, e Adaline toma uma
decisão que mudará para sempre a sua vida.
Redige sinopse para filme
que aproveitasse relato feito na p. 380 (incluído na Crónica de D. João I).
Esse relato é o início da revolução de 1383-85.
O filme trataria de todo
esse período mas a sinopse partiria do primeiro pretexto da ação, o início do
episódio (na tal p. 380).
Também criarás o título do filme, que seria inspirado nos testemunhos de Fernão Lopes.
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Episódio de E o resto é
História sobre «Qual a maior mentira da história de Portugal?»
TPC — (i) Se ainda não o fizeste, cumpre, na Classroom, a tarefa relativa a leitura de contos; (ii) O mesmo se diga da entrega das duas passagens a limpo pedidas de crónicas para «Fugas»; (iii) Lê esta ficha sobre atos de fala; (iv) Vai também lendo os livros combinados (logo no reinício das aulas vou querer atualizar as leituras que fizeram).
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Português / 12.º 1.ª; 12.º 2.ª; 12.º 3.ª / Escola Secundária José Gomes Ferreira / 2025-2026
(O nome do blogue aproveita título de um livro do patrono da escola.)
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