Sunday, August 24, 2025

Aula 58-59

Aula 58-59 (12 [2.ª], 16 [1.ª], 18/dez [3.ª])

Lê o poema «Liberdade», de Fernando Pessoa, na p. 36 do manual. Responde (ou escolhe a alínea certa).

O poema defende

a) que há coisas mais importantes do que o trabalho intelectual.

b) a natureza, a ingenuidade, a vida simples.

c) que o trabalho dos intelectuais é importante.

d) a preguiça.

 

Percebe-se que os autores do manual, ao porem este texto de Pessoa a seguir a «Andorinhas», acharam que o poema

a) defendia que não se deve ler com sacrifício.

b) se opunha ao sentido da canção.

c) falava da importância de se ler.

d) falava da natureza, como a canção.

 

«Livros são papéis pintados com tinta» (v. 14) pretende significar que

a) os livros não são assim tão importantes.

b) os livros são fundamentais para o espírito.

c) os livros são baratos.

d) os livros são obras de arte.

No entanto, a intenção de Fernando Pessoa não era bem a que julgam os autores de Letras em dia. Vejamos como tudo se passou.

Este poema foi escrito a 16 de março de 1935. Em finais de fevereiro, Salazar — que começara por ser ministro das Finanças e era já então o chefe do governo — fizera um discurso em que dizia como os escritores se deviam comportar relativamente à política. Salazar desvalorizava a escrita e a leitura, concluindo com uma citação do escritor latino Séneca: «Mas virá algum mal ao Mundo de se escrever menos, se se escrever e, sobretudo, se se ler melhor? Relembro a frase de Séneca: “em estantes altas até ao teto, adornam o aposento do preguiçoso todos os arrazoados e crónicas”».

Ora, a frase «em estantes altas até ao teto, adornam o aposento do preguiçoso todos os arrazoados [discursos] e crónicas» quer dizer que

a) os livros são importantes.

b) os aposentos dos preguiçosos estão bem decorados.

c) deve ter-se muitos livros em casa.

d) os livros são coisa de preguiçosos.

Pessoa tencionava pôr no poema a mesma frase de Séneca (vê aqui o que estava no texto que Pessoa escreveu à máquina). Não o chegou a fazer, porque o poema não foi logo publicado, já que a censura não deixou, e porque o próprio poeta morreria nesse ano de 1935:


Sabendo isto — que era para aparecer no início do poema a frase de Séneca — e que Pessoa estava contra Salazar, percebemos que a verdadeira a intenção do poema «Liberdade» era afinal

a) defender que há coisas mais importantes do que o trabalho intelectual.

b) defender a natureza, a ingenuidade, a vida simples.

c) troçar da posição de Salazar e defender que o trabalho dos intelectuais é importante.

d) defender a preguiça.

Na última estrofe está o que permitiu ao censor perceber que o poema era anti-salazarista e, por isso, impedir a sua publicação. A palavra dessa última estrofe que o censor identificou como alusão a Salazar terá sido _______.

Repara agora no verso 21. É um verso que ficou célebre e que hoje todos repetimos sem nos lembrarmos de que veio deste texto. No entanto, o que Fernando Pessoa escreveu não foi exatamente o que as pessoas repetem, que costuma ser

«O melhor do mundo são as crianças.»,

mas

«Mas o melhor do mundo são crianças, / Flores, música, o luar, e o sol [...]»

A diferença de sentido das duas versões é que na verdadeira, a que Pessoa escreveu mesmo,

a) «crianças» tem menos importância, por faltar o determinante «as» e, assim, ficarem as crianças no mesmo plano que «flores» e «música».

b) «crianças» tem mais importância.


Tendo visto a primeira parte de documentário sobre Fernando Pessoa feito para a série ‘Grandes Portugueses’, assinala, à esquerda de cada período (a esquerda é para este lado: ), se a afirmação é V(erdadeira) ou F(alsa).

Pessoa viveu parte da infância e da adolescência em território da atual África do Sul (à época, colónia inglesa).

Fernando Pessoa admirava Cesário Verde.

O poema «Tabacaria» é do heterónimo Ricardo Reis.

«Sou tudo» é o primeiro verso de «Tabacaria».

Fernando Pessoa nasceu no dia de Santo António, em Lisboa, em 1898.

Pessoa nasceu em frente ao teatro de São Carlos, que seu pai, crítico musical do Diário de Notícias, frequentava.

«Eis-me aqui em Portugal» é o primeiro verso de uma quadra que, ainda criança, dedicou à mãe.

«Deus quer, o homem sonha, a obra morre» é o primeiro verso de «O Infante», poema de Mensagem.

Enquanto adolescente, Pessoa viveu com a madrasta, o pai e os cinco meios-irmãos.

A língua em que mais escrevia até cerca dos vinte anos era o francês.

Em Lisboa, durante dois anos, Fernando Pessoa foi aluno da Faculdade de Direito.

Pessoa teve uma tipografia, comprada com herança da avó Dionísia, mas esse negócio não teve grande sucesso.

O emprego de Pessoa implicava um rígido horário fixo, como o de um funcionário público.

No local do emprego, Fernando Pessoa nunca escrevia textos seus.

O poeta americano Walt Whitman influenciou Fernando Pessoa.

Pessoa deixou mais de trinta e sete mil papéis com escritos seus.

Em Lisboa, Pessoa viveu em cerca de dez casas diferentes.

Sendo embora Lisboa o seu habitat preferencial, Pessoa viajava frequentemente.

A estreia de Pessoa no meio literário aconteceu em 1912, com a publicação de artigos na Águia.

A revista Orpheu teve como colaboradores, entre outros, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros.

Escreve um comentário, uma apreciação crítica com cerca de duzentas palavras, ao anúncio «As Primas», da NOS Empresas. Na tua apreciação deves incluir os termos «palavras homónimas», «palavras convergentes», «étimo», «verbo» (ou «forma verbal»), «nome».

Procura seguir as etapas sugeridas habitualmente para as apreciações críticas (a descrição do objeto apresentado, destacando elementos significativos da sua composição; um comentário crítico, fundamentando devidamente a sua apreciação e utilizando um discurso valorativo; uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos).

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