Sunday, August 24, 2025

Aula 56

Aula 56 (9 [2.ª], 11/dez [1.ª, 3.ª]) 

Dou-te a seguir trechos de «Realidade», de Álvaro de Campos (nas pp. 158-159 do manual). Classifica o recurso expressivo; «tradu-lo» por palavras tuas; comenta a expressividade. Preencherás apenas as quadrículas que deixei em branco.

vv.

trecho

recurso expressivo

tradução

explicação da expressividade

1

Sim, [...]

Expressão coloquial no início do poema

[Estou em diálogo comigo mesmo.]

O estilo conversacional (consigo mesmo) simula a introspeção do sujeito poético, faz que o texto pareça mais reflexivo.

4

Há vinte anos!...

Repetição seguida de pontuação enfática (exclamação e reticências)

Já passou tanto tempo que nem consigo avaliar o tempo que passou nem me apercebo de que foi comigo.

 

6

e as casas não sabem de nada

 

Está tudo igual, exceto eu.

Transmite-se a perplexidade que resulta da contradição entre um espaço que é o mesmo e a diferença tão grande do eu que ali passa e passou.

18-

21

Sim, [...] /

Sim, [...] /

Sim, [...] /

Sim, [...]

 

[Procuro uma resposta, tudo é possível, mas, no fundo, nada disto é relevante.]

A repetição do advérbio exprime uma sofreguidão de quem procura respostas e se apressa a atirar hipóteses (o que, no final, se percebe ser irónico).

23

mais lembradamente de azul

Advérbio de modo inesperado

 

O inusitado do advérbio de modo (não é adjetivo que costume ter o sufixo -mente) faz-nos focar num pequeno detalhe, a cor do vestido, que, ainda por cima, se assume ser dubitativo.

25

Podemos imaginar tudo do que nada sabemos

 

É mais fácil sonhar quando ignoramos tudo.

A aproximação dos antónimos (nada/tudo; imaginar/saber) faz que se instaure uma conotação onírica.

31-32

as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora, / Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento

Oxímoro

(ou paradoxo)

O cruzamento é sonhado, não é real.

 

36-

38

realmente se desse... / [...] verdadeiramente se desse... /

[...] carnalmente se desse

Épifora (e talvez gradação, nos termos que antecedem o segmento repetido)

 

Sublinha-se a estranheza e, ao mesmo tempo, a crença na realidade que se inventou, preparando-se a ironia que se segue.

39

Sim, talvez...

Expressão coloquial irónica

Não, não acreditem em nada disto.

 

 

 

Resolve o item 3 da p. 159 (que copio a seguir):

Quer em «Realidade» quer em «George», o confronto com o passado, permitido pela memória, acentua a consciência da passagem do tempo, realçada, no poema, pelo recurso __________ (a). Nesse confronto, o sujeito poético e George, recorrendo aos pronomes indefinidos («outro», v. 5; «O outro», v. 14; «a outra», ll. 8 e 65) para aludir ao seu «eu» passado, assumem-no como uma entidade ___________ (b) da sua personalidade atual. O título dos textos remete, em ambos os casos, para __________ (c).

(a)

1. à personificação, no verso 6

2. à repetição, por vezes em anáfora, da expressão «há vinte anos»

3. à gradação, na penúltima estrofe

(b)

1. indissociável

2. decorrente

3. distinta

(c)

1. a primazia do presente

2. a inter-relação entre as três idades da vida

3. as metamorfoses do «eu»

Cria, em prosa, texto com início idêntico ao do poema de Campos (quem sabe poderia estar aqui o embrião de um conto a desenvolver depois):

Sim, passava aqui frequentemente há ____ anos. . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . .

TPC — Se não o fizeste ainda, devias ler os dois contos combinados, «George» e «Sempre é uma companhia». Lê agora também dois (ou mais) dos contos que deixei na Classroom.

 


#