Aula 56
Aula 56 (9 [2.ª], 11/dez [1.ª, 3.ª])
Dou-te a seguir trechos de «Realidade», de Álvaro de Campos (nas pp. 158-159 do
manual). Classifica o recurso expressivo; «tradu-lo» por palavras tuas; comenta
a expressividade. Preencherás apenas as quadrículas que deixei em branco.
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vv. |
trecho |
recurso expressivo |
tradução |
explicação
da expressividade |
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1 |
Sim,
[...] |
Expressão
coloquial no início do poema |
[Estou
em diálogo comigo mesmo.] |
O
estilo conversacional (consigo mesmo) simula a introspeção do sujeito
poético, faz que o texto pareça mais reflexivo. |
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4 |
Há
vinte anos!... |
Repetição
seguida de pontuação enfática (exclamação e reticências) |
Já passou tanto tempo que nem consigo avaliar o tempo que
passou nem me apercebo de que foi comigo. |
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6 |
e
as casas não sabem de nada |
|
Está
tudo igual, exceto eu. |
Transmite-se a perplexidade que resulta da contradição
entre um espaço que é o mesmo e a diferença tão grande do eu que ali passa e
passou. |
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18- 21 |
Sim,
[...] / Sim,
[...] / Sim,
[...] / Sim,
[...] |
|
[Procuro
uma resposta, tudo é possível, mas, no fundo, nada disto é relevante.] |
A
repetição do advérbio exprime uma sofreguidão de quem procura respostas e se
apressa a atirar hipóteses (o que, no final, se percebe ser irónico). |
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23 |
mais
lembradamente de azul |
Advérbio
de modo inesperado |
|
O
inusitado do advérbio de modo (não é adjetivo que costume ter o sufixo -mente)
faz-nos focar num pequeno detalhe, a cor do vestido, que, ainda por cima, se
assume ser dubitativo. |
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25 |
Podemos
imaginar tudo do que nada sabemos |
|
É
mais fácil sonhar quando ignoramos tudo. |
A
aproximação dos antónimos (nada/tudo; imaginar/saber) faz que se instaure uma
conotação onírica. |
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31-32 |
as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
/ Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento |
Oxímoro
(ou
paradoxo) |
O
cruzamento é sonhado, não é real. |
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36- 38 |
realmente se desse... / [...] verdadeiramente se desse...
/ [...] carnalmente se desse |
Épifora
(e talvez gradação, nos termos que antecedem o segmento repetido) |
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Sublinha-se
a estranheza e, ao mesmo tempo, a crença na realidade que se inventou,
preparando-se a ironia que se segue. |
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39 |
Sim,
talvez... |
Expressão
coloquial irónica |
Não,
não acreditem em nada disto. |
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Resolve o item 3 da p. 159 (que copio a
seguir):
Quer em «Realidade» quer em «George», o confronto com
o passado, permitido pela memória, acentua a consciência da passagem do tempo, realçada,
no poema, pelo recurso __________ (a). Nesse confronto, o sujeito poético
e George, recorrendo aos pronomes indefinidos («outro», v. 5; «O outro», v. 14;
«a outra», ll. 8 e 65) para aludir ao seu «eu» passado, assumem-no como uma entidade
___________ (b) da sua personalidade atual. O título dos textos remete, em
ambos os casos, para __________ (c).
|
(a) 1. à personificação, no
verso 6 2. à repetição, por vezes em anáfora, da
expressão «há vinte anos» 3. à gradação, na penúltima estrofe |
(b) 1. indissociável 2. decorrente 3. distinta |
(c) 1. a primazia do presente 2. a inter-relação entre as
três idades da vida 3. as metamorfoses do «eu» |
Cria, em prosa, texto com início idêntico ao do
poema de Campos (quem sabe poderia estar aqui o embrião de um conto a
desenvolver depois):
Sim, passava aqui frequentemente há ____ anos. . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
TPC — Se não o fizeste ainda,
devias ler os dois contos combinados, «George» e «Sempre é uma companhia». Lê
agora também dois (ou mais) dos contos que deixei na Classroom.
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Português / 12.º 1.ª; 12.º 2.ª; 12.º 3.ª / Escola Secundária José Gomes Ferreira / 2025-2026
(O nome do blogue aproveita título de um livro do patrono da escola.)
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