Saturday, September 07, 2024

Olimpíadas da Cultura Clássica — Escrita

Olimpíadas da Cultura Clássica (edição associada aos 500 anos do nascimento de Luís de Camões), modalidade ‘Escrita’

Desafio para o texto a escrever é indicado no próprio dia 31 de março (aparecerá no site das Olimpíadas); escola submete o texto no mesmo dia 31 (segunda-feira)

Limites do texto: 450 a 800 palavras

Texto deve ser manuscrito e legível

Critérios de apreciação dos trabalhos:

• Evidência de conhecimento do(s) tema(s) tratado(s);

• Criatividade/ originalidade;

• Correção no uso da língua portuguesa;

• Respeito pelos direitos de autor;

• Adequação do trabalho à categoria a que concorre;

• Domínio das competências, técnicas ou ferramentas requeridas pelo tipo de trabalho realizado.

Prémios são atribuídos aos três melhores classificados

Motes (de Camões) para as Olimpíadas da Cultura Clássica:

               [Aurora:]

Já a saudosa Aurora destoucava

os seus cabelos d’ouro delicados,

e as flores, nos campos esmaltados,

do cristalino orvalho borrifava;

 

quando o fermoso gado se espalhava

de Sílvio e de Laurente pelos prados;

pastores ambos, e ambos apartados,

de quem o mesmo Amor não se apartava.

 

Com verdadeiras lágrimas, Laurente,

—Não sei (dizia) ó Ninfa delicada,

porque não morre já quem vive ausente,

 

pois a vida sem ti não presta nada?

Responde Sílvio:—Amor não o consente,

que ofende as esperanças da tornada.

[soneto «Já a saudosa Aurora destoucava»]

 

               [Circe:]

Um mover d’olhos, brando e piadoso,

sem ver de quê; um riso brando e honesto,

quase forçado; um doce e humilde gesto,

de qualquer alegria duvidoso;

 

um despejo quieto e vergonhoso;

um repouso gravíssimo e modesto;

ũa pura bondade, manifesto

indício da alma, limpo e gracioso;

 

um encolhido ousar; ũa brandura;

um medo sem ter culpa; um ar sereno;

um longo e obediente sofrimento;

 

esta foi a celeste fermosura

da minha Circe, e o mágico veneno

que pôde transformar meu pensamento.

[soneto « Um mover d’olhos, brando e piadoso,»]

 

               [Faetonte:]

Não cometera o moço miserando

O carro alto do pai, nem o ar vazio

O grande arquitector c’o filho, dando

Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.

Nenhum cometimento alto e nefando

Por fogo, ferro, água, calma e frio,

Deixa intentado a humana geração.

Mísera sorte! Estranha condição!

[Os Lusíadas, canto IV, est. 104]

 

               [Alcíone e Ceíce:]

Estava a triste Alcíone esperando

com longos olhos o marido ausente;

mas os iradas ventos assoprando,

nas águas o afogaram tristemente.

Em sonhos se lhe está representando,

que o coração pressago nunca mente;

só do bem as suspeitas mentirão,

que as do mal futuro certas são.

 

Ao pranto os olhos seus a triste ensaia;

buscando o mar com eles, ia e vinha,

quando o corpo sem alma achou na praia.

Sem alma o corpo achou, que n' alma tinha!

Nereidas do Egeio, consolai-a,

pois este triste ofício vos convinha!

Consolai-a; saí das vossas águas,

se consolação há em grandes mágoas.

[a Écloga VII, que é demasiado grande para se reproduzir aqui, tem como primeiro verso «As doces cantilenas que cantavam» — as duas oitavas que se transcreve estão mais para o fim do longuíssimo texto.]

 

Textos informativos em PDF específicos que reuni sobre cada um dos temas:

Aurora

Circe;

Faetonte;

Alcíone e Ceíce.