Olimpíadas da Cultura Clássica — Escrita
Olimpíadas da Cultura Clássica (edição associada aos 500 anos do nascimento de Luís de Camões), modalidade ‘Escrita’
Desafio
para o texto a escrever é indicado no próprio dia 31 de março (aparecerá no
site das Olimpíadas); escola submete o texto no mesmo dia 31 (segunda-feira)
Limites
do texto: 450 a 800 palavras
Texto
deve ser manuscrito e legível
Critérios
de apreciação dos trabalhos:
•
Evidência de conhecimento do(s) tema(s) tratado(s);
•
Criatividade/ originalidade;
•
Correção no uso da língua portuguesa;
•
Respeito pelos direitos de autor;
•
Adequação do trabalho à categoria a que concorre;
•
Domínio das competências, técnicas ou ferramentas requeridas pelo tipo de
trabalho realizado.
Prémios
são atribuídos aos três melhores classificados
Motes
(de Camões) para as Olimpíadas da Cultura Clássica:
[Aurora:]
Já
a saudosa Aurora destoucava
os seus cabelos d’ouro delicados,
e as flores, nos campos esmaltados,
do cristalino orvalho borrifava;
quando o fermoso gado se espalhava
de Sílvio e de Laurente pelos prados;
pastores ambos, e ambos apartados,
de quem o mesmo Amor não se apartava.
Com verdadeiras lágrimas, Laurente,
—Não sei (dizia) ó Ninfa delicada,
porque não morre já quem vive ausente,
pois a vida sem ti não presta nada?
Responde Sílvio:—Amor não o consente,
que ofende as esperanças da tornada.
[soneto «Já a
saudosa Aurora destoucava»]
[Circe:]
Um mover d’olhos,
brando e piadoso,
sem ver de quê; um riso brando e
honesto,
quase forçado; um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso;
um despejo quieto e vergonhoso;
um repouso gravíssimo e modesto;
ũa pura bondade, manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;
um encolhido ousar; ũa brandura;
um medo sem ter culpa; um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento;
esta foi a celeste fermosura
da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.
[soneto « Um mover d’olhos,
brando e piadoso,»]
[Faetonte:]
Não cometera o moço miserando
O carro alto do
pai, nem o ar vazio
O grande
arquitector c’o filho, dando
Um, nome ao mar,
e o outro, fama ao rio.
Nenhum
cometimento alto e nefando
Por fogo, ferro,
água, calma e frio,
Deixa intentado a
humana geração.
Mísera sorte!
Estranha condição!
[Os Lusíadas, canto IV, est. 104]
[Alcíone
e Ceíce:]
Estava a triste Alcíone esperando
com longos olhos o marido ausente;
mas os iradas ventos assoprando,
nas águas o afogaram tristemente.
Em sonhos se lhe está representando,
que o coração pressago nunca mente;
só do bem as suspeitas mentirão,
que as do mal futuro certas são.
Ao pranto os olhos seus a triste ensaia;
buscando o mar com eles, ia e vinha,
quando o corpo sem alma achou na praia.
Sem alma o corpo achou, que n' alma tinha!
Nereidas do Egeio, consolai-a,
pois este triste ofício vos convinha!
Consolai-a; saí das vossas águas,
se consolação há em grandes mágoas.
[a Écloga VII, que é demasiado grande para
se reproduzir aqui, tem como primeiro verso «As doces cantilenas que cantavam» — as duas oitavas que se transcreve estão mais para o fim do longuíssimo texto.]
Textos informativos em PDF específicos que reuni sobre cada um dos temas:
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