Wednesday, September 08, 2021

Aula 51-52

Aula 51-52 (3/dez [1.ª, 3.ª]) Observações acerca dos contos devolvidos agora.

Vai lendo o texto na p. 87 — uma apreciação crítica a filme cujo início veremos a seguir —, circundando a melhor alínea de cada item. (Não uses, por favor, outras páginas do manual nem quaisquer outros elementos.)

 

O primeiro parágrafo veicula informação

a) correta, porque é verdade que o filme em exibição se intitula Livro do Desassossego.

b) incorreta, porque o filme exibido era o Filme do Desassossego.

c) pouco clara, porque, podendo estar a referir-se o livro, parece que Livro do Desassossego seria o título do filme.

d) correta, porque «Livro do Desassossego», no contexto em que está, só pode reportar-se ao livro.

 

Em termos aspetuais e temporais, a l. 1 do texto tem valor

a) perfetivo e de anterioridade.

b) iterativo e de posterioridade.

c) perfetivo e de simultaneidade.

d) imperfetivo e de anterioridade.

 

As aspas em «infilmável» (l. 6) visam assinalar que

a) se trata de citação de outrem.

b) a palavra não deve ser tomada em sentido conotativo.

c) estamos perante um neologismo (ou, pelo menos, palavra, digamos, criativa).

d) há ironia.

 

«usa e abusa do ponto de fuga e do lado mais forte do ecrã» (12-13) é

a) elogioso.

b) pejorativo.

c) irónico.

d) imperativo.

 

A função sintática de «que» (l. 11) é a de

a) modificador apositivo do nome.

b) modificador restritivo do nome.

c) sujeito.

d) complemento direto.

 

«Se a nível plástico o Filme do Desassossego se revela intenso» (l. 19) desempenha a função sintática de

a) modificador do grupo verbal.

b) modificador de frase.

c) sujeito.

d) complemento oblíquo.

 

As aspas que delimitam «narrativo» (l. 19) pretendem marcar que a palavra é usada

a) conotativamente.

b) denotativamente.

c) enquanto citação.

d) literalmente.

 

Pelo primeiro período do terceiro parágrafo se percebe que o recensor do filme

a) considera mais bem resolvidos os aspetos de intensidade do que os dramáticos.

b) valoriza cirurgias plásticas e a contribuição da figura dos atores para a intensidade da obra.

c) assinala a dificuldade criada pela falta de enredo do original, que julga bem ultrapassada.

d) elogia aspetos estéticos, critica soluções ao nível da história propriamente dita.

 

Em termos aspetuais, «estar a trabalhar» (l. 20) tem valor

a) habitual.

b) perfetivo.

c) imperfetivo.

d) genérico.

 

Nas linhas 21-25, Antero Eduardo Monteiro salienta

a) a dificuldade em digerir, em cinema, o que, por escrito, permite receção bem sucedida.

b) que o discurso do Livro do Desassossego é verborreico, não conseguimos segui-lo.

c) permitirem os registos de Bernardo Soares reflexão e absorção.

d) o caráter episódico de que se reveste o texto do Livro do Desassossego.

 

Na l. 23,

a) falta uma vírgula a seguir ao travessão (e antes do «e»).

b) deveria haver uma vírgula em vez do travessão.

c) não há problemas claros de pontuação

d) deveria haver vírgula a seguir ao «e».

 

Em «tornar a “história” episódica» (l. 25), «a “história”» e «episódica» são, respetivamente,

a) complemento direto e modificador restritivo do nome.

b) complemento oblíquo e modificador restritivo do nome.

c) complemento direto e predicativo do complemento direto.

d) sujeito e complemento do nome.

 

«Um pouco mais longo do que o ideal» (ll. 25-26) é

a) uma oração subordinada adverbial comparativa.

b) modificador do grupo verbal.

c) modificador apositivo do nome.

d) modificador de frase.

 

Segundo as três últimas linhas do penúltimo parágrafo, o cenário

a) alude à época em que viveu Pessoa mas mistura-a com elementos atuais.

b) evoca o início do século XX e inclui objetos seus contemporâneos.

c) é intemporal.

d) integra intemporais cocós de cão.

 

«cuja» (l. 27) tem como referente

a) «Cláudio Silva».

b) «protagonista».

c) «uma ótima interpretação».

d) concentração absoluta.

 

«na mente de Bernardo Soares e nas suas deambulações por uma Lisboa [até «obra»]» (ll. 28-29) desempenha a função de

a) complemento oblíquo.

b) modificador do grupo verbal.

c) modificador de frase.

d) predicado.

 

A oração inicial do último parágrafo (a partir da l. 31) é

a) subordinada adverbial temporal.

b) subordinada adverbial consecutiva.

c) coordenada adversativa.

d) subordinada adverbial concessiva.

 

Nas linhas finais (38-41), o recenseador considera que João Botelho

a) não foi capaz de traduzir em filme o génio de Pessoa embora mostrasse proficiência em termos técnicos.

b) ofuscou (involuntariamente ou não) o texto pessoano, dadas insuficiências na arte cinematográfica.

c) é excessivo na celebração do génio de Pessoa, acabando, assim, por, não intencionalmente, o desvalorizar.

d) é exagerado na exibição da técnica cinematográfica, pelo que acaba por ofuscar a essência do génio de Pessoa.

 

«pelo talento do seu realizador» (ll. 40-41) desempenha a função de

a) complemento agente da passiva.

b) complemento oblíquo.

c) sujeito.

d) complemento direto.

 

«que esta fosse a intenção de João Botelho» (l. 41) é uma oração

a) subordinada substantiva relativa.

b) subordinada substantiva completiva.

c) subordinada adjetiva relativa restritiva.

d) subordinada adjetiva relativa explicativa.

 

Segundo o que nos é dito no Filme do Desassossego, de João Botelho, junto do poema de Fernando Pessoa que copio em baixo estaria o apontamento que teria inspirado o Livro do Desassossego. Procura transcrever o poema de Pessoa (ortónimo):



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E é verdade que, nessa folha, à direita, está escrito «O titulo | Desassocego» (uso a ortografia de Pessoa), que poderia ter que ver com o surgimento da ideia do LdoD, que começa efetivamente por esta época.

Relaciona o poema — que veremos entretanto em versão limpa — com alguma (ou várias) das linhas temáticas que usámos para estudar o ortónimo. Cita o texto. (Nas pp. 32-33 do manual tens uma súmula dos temas por que é costume classificar a poesia ortónima.)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Como alguém já disse, Álvaro de Campos é o «duplo extrovertido de Pessoa». Estas características encontram-se quer em poemas de Campos quer em textos ortónimos:

Atitude de autoanálise

Tédio existencial

Inadaptação à vida

Evocação nostálgica da infância

Associação da inconsciência à felicidade

Oposição sonho-realidade

Dor de pensar

Na coluna à direita dos versos de «Tabacaria», escreve a característica que cada um deles pode ilustrar (vá lá, não escrevas abreviadamente, escreve por extenso):

Versos de «Tabacaria»

Motivos Campos & Ortónimo

«Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada.» (vv. 1-3)

Tédio existencial

«Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. / Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria» (vv. 46-47)

 

«Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? / Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!» (vv. 33-34)

 

«Fiz de mim o que não soube, / E o que podia fazer de mim não o fiz» (vv. 59-60)

 

«Falhei em tudo. / Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada» (vv. 25-26)

 

«Come chocolates, pequena» (v. 44)

 

«À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo» (v. 4)

 

«Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.» (v. 14)

 

«Não, não creio em mim» (v. 40)

 

«Se eu casasse com a filha da minha lavadeira / Talvez fosse feliz» (vv. 92-93)

 

«Estou hoje dividido entre a lealdade que devo / À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, / E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro» (vv. 22-24)

 

«Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho, / Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida» (vv. 50-51)

 

«Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida» (v. 51)

 

«Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes» (v. 49)

 

TPC — Descarrega na Classroom a nova versão do conto.

 

 

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