Monday, September 06, 2021

Aula 150-151

Aula 150-151 (24 [1.ª], 25/mai [3.ª]) Correção de trabalho com aforismos.

Regressamos à tabela (que roubei a um manual da Leya) com sínteses de cada capítulo de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago. Completa:

XIV

Reis recebe uma carta de Marcenda a assegurar que nunca mais se voltarão a ver, a pedir-lhe para nunca mais lhe escrever e a informá-lo de que irá a Fátima.

Restabelece-se, entretanto, a relação de Reis com Lídia, mas o médico vai a (v.) _____, com o intuito de ver Marcenda. No entanto, não consegue encontrá-la.

XV

Ricardo Reis fica a saber que o colega que está a substituir vai retomar o seu lugar e isso leva-o a começar a pensar em regressar ao Brasil.

Fernando Pessoa visita novamente Ricardo Reis e os dois falam sobre o facto de Reis continuar a ser vigiado por Victor, sobre as relações amorosas de ambos e sobre o destino e a ordem.

XVI

Ricardo Reis escreve um poema dedicado a (w.) _______.

Lídia comunica-lhe que está grávida e que não tenciona (x.) __________.

Fernando Pessoa faz nova visita a Ricardo Reis e os dois falam sobre a perspetiva do regime em relação a diferentes personalidades e sobre o seu obscurantismo. Durante a conversa, Ricardo Reis confessa-lhe que vai ser pai e que ainda não decidiu se vai ou não perfilhar a criança.

XVII

Ricardo Reis vai visitar Fernando Pessoa ao Cemitério dos Prazeres e dialogam sobre o golpe militar ocorrido em Espanha.

Usando um PDF de O Ano da Morte de Ricardo Reis procurei todas as menções de «Álvaro de Campos» e «Alberto Caeiro». Cheguei a estes passos — até esperava que houvesse mais —, que lhes apresento sem nenhuma ordem em especial:

1. «Não penso em casar com a Lídia, e ainda não sei se virei a perfilhar a criança, Meu querido Reis, se me permite uma opinião, isso é uma safadice, Será, o Álvaro de Campos também pedia emprestado e não pagava, O Álvaro de Campos era, rigorosamente, e para não sair da palavra, um safado, Você nunca se entendeu muito bem com ele, Também nunca me entendi muito bem consigo»;

2. «Ricardo Reis tirou a carteira do bolso interior do casaco, extraiu dela um papel dobrado, fez menção de o entregar a Fernando Pessoa, mas este recusou com um gesto, disse, Já não sei ler, leia você, e Ricardo Reis leu, Fernando Pessoa faleceu Stop Parto para Glasgow Stop Álvaro de Campos, quando recebi este telegrama decidi regressar, senti que era uma espécie de dever, É muito interessante o tom da comunicação, é o Álvaro de Campos por uma pena, mesmo em tão poucas palavras nota-se uma espécie de satisfação maligna, quase diria um sorriso, no fundo da sua pessoa o Álvaro é assim»;

3.«Acho-a muito bonita, e ficou a olhar para ela por um segundo só, não aguentou mais do que um segundo; virou costas, há momentos em que seria bem melhor morrer, Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel, também tu Álvaro de Campos, todos nós. A porta fechou-se devagar, houve uma pausa, e só depois se ouviram os passos de Lídia afastando-se»;

4. «O barco onde não vamos é que seria o barco da nossa viagem, Ah, todo o cais, uma saudade de pedra, e agora que já cedemos à fraqueza sentimental de citar, dividido por dois, um verso do Álvaro de Campos que há de ser tão célebre quanto merece, console-se nos braços da sua Lídia, se ainda dura esse amor, olhe que eu nem isso tive, Boa noite, Fernando, Boa noite, Ricardo, vem aí o carnaval, divirta-se»;

5.«Ricardo Reis está sozinho na sua casa, se para almoçar e jantar, vê da janela o rio e os longes do Montijo, o pedregulho do Adamastor, os velhos pontões, as palmeiras, desce uma vez por outra ao jardim, lê duas páginas de um livro, deita-se cedo, pensa em Fernando Pessoa que já morreu, também em Alberto Caeiro, desaparecido na flor da idade e de quem tanto haveria ainda a esperar, em Álvaro de Campos que foi para Glasgow, pelo menos dizia-o no telegrama, e provavelmente por lá se deixará ficar, a construir barcos, até ao fim da vida ou à reforma, senta-se uma vez por outra num cinema, a ver O Pão Nosso de Cada Dia, de King Vidor, ou Os Trinta e Nove Degraus, com Robert Donat e Madeleine Carrol, e não resistiu a ir ao S. Luís ver Audioscópicos, cinema em relevo, trouxe para casa, como recordação, os óculos de celuloide que têm de ser usados, verde de um lado, encarnado do outro, estes óculos são um instrumento poético, para ver certas coisas não bastam os olhos naturais»;

6. «É fácil concluir que sim, você sabe o que são as educações e as famílias, Uma criada não tem complicações, Às vezes, Diz você muito bem, basta lembrar-nos do que dizia o Álvaro de Campos, que muitas vezes foi cómico às criadas de hotel, Não é nesse sentido, Então, qual, Uma criada de hotel também é uma mulher»;

7. «Não diz mais este jornal, outro diz doutra maneira o mesmo, Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da Mensagem, poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se têm escrito, foi ontem a enterrar, surpreendeu-o a morte num leito cristão do Hospital de S. Luís, no sábado à noite, na poesia não era só ele, Fernando Pessoa, ele era também Álvaro de Campos, e Alberto Caeiro, e Ricardo Reis, pronto, já cá faltava o erro»;

8. «Para dar só um exemplo, aí temos o Alberto Caeiro, coitado, que, tendo morrido em mil novecentos e quinze, não leu o Nome de Guerra, Deus saberá a falta que lhe fez, e a Fernando Pessoa, e a Ricardo Reis, que também já não será deste mundo quando o Almada Negreiros publicar a sua história».

Comenta um/dois destes trechos, enquadrando-o(s) na obra e discorrendo acerca dos efeitos conseguidos em termos narrativos ou estilísticos. Responde nas linhas da outra folha e usa caneta. Assinala o(s) excerto(s) de que te vais ocupar. (Evita trapalhices de ortografia ou de sintaxe, revendo bem, sem medo de riscar e reescrever.)

Vamos contrastar o cap. XVI de O Ano da Morte de Ricardo Reis e o filme Locke. O capítulo do livro de José Saramago é importante porque nele se fica a saber que Lídia está grávida. Será talvez uma oportunidade para depois, quando puderes, reveres as relações de Reis com as duas personagens femininas, Lídia e Marcenda, para o que podes usar a coluna ‘Representações do amor’ da tabela que, no manual, sintetiza o enredo (pp. 246-248).

O ano da morte de Ricardo Reis, cap. XVI

Locke, primeiros quinze minutos

A ação decorre pouco depois do 10 de junho de 1936, num quarto na casa da Rua de ______, estando na cama Ricardo Reis e ______.

A ação decorre num fim de tarde ou começo de noite, dentro de um carro, que se dirige a _______, em que está apenas _____ Locke.

Há dois incidentes assinaláveis enquanto Ricardo e Lídia estão na cama: um tremor de terra; a informação dada por Lídia de que deve ______ («tenho um atraso de dez dias»).

O foco do enredo durante a viagem são dois acontecimentos na vida do protagonista: ______; e uma operação de construção civil decisiva.

Através do discurso do narrador — omnisciente e focalizado no protagonista —, ficamos a saber que Ricardo Reis está surpreendido e procura ________ antes de responder («Que foi que disseste[?]»). Depois, reage com certo alheamento, com _______ («embora ciente de que é sua obrigação contribuir para a solução do problema, não se senti[a] implicado na origem dele»).

Através de um primeiro telefonema — dirigido Bethan, que declara não amar —, ficamos a saber que Ivan Locke tenta chegar rapidamente a _______, porque se sente implicado no nascimento que vai acontecer. Os telefonemas imediatos mostram a sua ________ em avisar a família (estava combinado um jantar-serão animado) e em contactar subordinados e superiores da firma em que trabalha.

Ricardo Reis, «tenteando com mil _______, pesando cada palavra, distribui as responsabilidades, Não tivemos cuidado». O narrador acha que Lídia até deveria ter perguntado «Que cuidados devia eu ter tido, nunca ele se retirou no momento crítico, nunca usou aqueles carapuços de borracha». No entanto, sem nada lhe _______, ela apenas repete «Estou grávida, afinal é uma coisa que acontece a quase todas as mulheres, não é nenhum terramoto».

Ivan Locke procura com todas as _______ que os filhos não fiquem ao corrente do que se passa, pedindo a Katrina que use o telefone do outro andar. Na conversa com a mulher, não lhe oculta nada, mas começa por contextualizar defensivamente o acontecido — a amante, ocasional, tinha já quarenta e três anos, não era nenhuma estampa, tinham bebido uns copos. No entanto, fá-lo mais para atenuar o choque que Katrina iria ter do que para mitigar a própria ________.

Só então Reis se _____ a saber as intenções de Lídia («Pensas em deixar vir a criança[?]», o que o narrador diz poder ser percebido como Reis a «sugerir o desmancho»). Lídia, sempre mais serena do que Ricardo, responde «Vou deixar vir o menino». Perguntar-lhe-á a seguir se ele não ficara ____ com ela. Ele diz que não, mas, no fundo, está irritado: «se ela não faz o aborto, , fico para aqui com um filho às costas». E Lídia diz a Ricardo «as incríveis palavras»: «Se não quiser ______ o menino, não faz mal, fica sendo filho de pai incógnito, como eu».

Katrina, que investira muito naquele particular serão — cfr. salsichas, cerveja, camisola do clube vestida —, começa por estranhar a ______ tomada pelo marido de falhar uma noite que se previa tão alegre. Fica preocupada depois da insistência para que mude de telefone. Começa a ficar ______ quando há indícios da infidelidade de Ivan: «porque me estás a falar de uma mulher?». Sempre estoico, Ivan mantém um discurso sereno e assume ir ______ o nascituro: «Esta noite, ela vai dar à luz e o filho é meu». Katrina desliga.

Reis tem afeto por Lídia — e dormiu com ela ______ vezes — mas não parece assumir verdadeiramente a _____ de ter gerado o filho que ela espera.

Locke não tem grande afeto por Bethan — só dormiu com ela numa ______ noite de estroinice — mas assume que a deve apoiar no momento do parto e toma atitude ______.

TPC — Dá vista de olhos a poemas «políticos» de Pessoa: a «À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais» e a poemas antissalazaristas (por exemplo, nesta edição, os textos 290, 291, 292, 294, 296, 297, 308, 315, 329, 334, além do célebre «Liberdade», o n.º 288).

 

 

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