Thursday, August 23, 2018

Os Maias 11


Sara (11.º 5.ª)
Sara (Bom ou Bom (-)) Pontos fortes Originalidade, criatividade, demonstradas na reflexão no texto escrito, no recurso à metáfora do dominó e sua relação com as imagens. Ideia lembra uma corrente de estudo da história que se funda precisamente na ponderação dos efeitos de circunstâncias alternativas. Boa leitura (mas hesitação em «família que a tinha criado» [cerca de 1.30], que impunha a repetição da gravação: num trabalho destes espera-se que haja muitas tentativas até se chegar à melhor versão; em 2.18, não se percebe bem, mas, se é «despenhado um contra o outro», não é boa redação). Aspetos melhoráveis Abordagem é fundamentalmente expositiva (sugerira que o evitassem e optassem por estratégia menos escolar, mais transgressora) e há certa economia de meios em termos de imagens (duas, embora bem imaginadas). A corrigir: «enfatuado pela Gouvarinho» não me parece o ideal (seria ‘enfeitiçado pela Gouvarinho’?); «*se Carlos tivesse afastado-se» (se Carlos se tivesse afastado); «e não tivesse desfalecido nessa decisão» (e não tivesse fraquejado nessa decisão / retrocedido nessa decisão / recuado ... / cedido... / desistido dessa ...).

Clara (11.º 4.ª)

Clara (Bom+/Muito Bom- ou mesmo Muito Bom-) Pontos fortes Muito boa construção da narrativa, através de cirúrgica mudança da intriga (Carlos opta por Gouvarinho, em detrimento de Eduarda, após recuperação de Sara). Bom gosto, domínio técnico, apurado sentido do estilo gráfico e de como funciona o cinema (por exemplo, na repetição da cena para se perceber o contraste das duas evoluções do enredo usa-se um recurso de certo cinema experimental). Boa leitura em voz alta, talvez com, por vezes, ligeiríssimos entaramelamentos (sim, a palavra é um pouco ridícula; no fundo, há breves momentos em que a fluência não é extraordinária, como se tivéssemos de falar enquanto comíamos um bife à Império, aliás um naco de pão embebido no molho sobrante, confirmando-se entretanto que, infelizmente, o nível das batatas fritas já não é o mesmo — também aqui, num segundo tudo se alterou irreversivelmente). Aspetos melhoráveis A corrigir: pronúncia de «*conde[n]sa» (condessa — o erro, que quase não se nota, resulta de uma assimilação: nasaliza-se a segunda sílaba por influência da sílaba inicial, essa, sim, nasal); «que me começava a não parecer», não sendo incorreto, é menos elegante do que «que começava a não me parecer»; «que me tinham sido entregues esta manhã» (talvez: «naquela manhã»).

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