Saturday, August 26, 2017

Viagens do 10.º 5.ª


Ficam as crónicas de viagem (por vezes, mais relatos de viagem do que crónicas) cujas reformulações me foram enviadas. As classificações — que acabam por se reportar à primeira versão, a não ser quando pude notar que não foram lançadas as emendas que introduzira — ficam junto do nome dos autores. Nesta versão não pus, em geral, as fotografias.

A caminhar pelo Rio
Ainda hoje me pergunto se o Rio de Janeiro é só mais uma cidade ou se é “a” cidade. Mas o Brasil não é só praias, bares, homens com um sotaque no mínimo sensual, ou aquelas “Misses Universo” todas descascadas por causa do “sol”.
Apesar da beldade, é um país pobre e, consequentemente, perigoso. O nosso guia (encontrava-me numa excursão com mais um grupo de turistas e a minha família) avisou-nos de imediato para deixarmos no hotel objetos de valor e, mesmo em termos de roupa, não levarmos nada de marcas (senão, até nus nos deixavam).
Outra coisa intrigante de que me apercebi durante a ida ao Rio foi o sotaque brasileiro. De facto, era muito diferente do nosso. Lembro-me que pedi um gelado num café no centro da cidade e o empregado ficou a olhar para mim com cara de parvo. Lá, não é gelado, é sorvete, e, depois de descobrir isso, fui capaz de esclarecer o meu pedido. A seguir ao gelado, ou melhor, sorvete, seguia-se o grandiosíssimo Cristo Redentor. Era enorme, mas apesar da sua grandeza, era-me familiar. De facto, já tinha visto um parecido em Portugal mesmo ao lado da ponte 25 de Abril. Mas a verdade é que quem imitou fomos nós. Então, achei por bem, manter-me no meu canto quando perguntaram se alguém tinha vindo de Portugal na excursão, com medo de ser acusado de habitante do país que plagia.
E agora, a parte menos boa desta cidade soalheira, as favelas, conhecidas pelos portugueses igualmente como “bairros de lata”. Uma grande percentagem da população com menor poder económico encontrava-se nesses aglomerados. Obviamente que não entrámos nas favelas propriamente ditas. O nosso guia avisou-nos sobre a hostilidade comum dos residentes, caracterizou a informação passada pelos media sobre as favelas como um puro eufemismo, e disse que nos devíamos manter à distância. Tenho de admitir que até me arrepiei. Passámos só ao longe, mas deu para entender que as condições nessas micro-sociedades eram, no mínimo, deploráveis. Mas, como não havia nada a fazer em relação a essa situação, a visita continuara.
 Para nos locomovermos pela cidade utilizámos o bonde (conhecido como “elétrico” em Portugal). Utilizámos o mesmo para fazer uma travessia sobre o antigo aqueduto, hoje também o cartão postal chamado “Arcos da Lapa”, de modo a atravessarmos mais uma parte da cidade. Além de ser uma atração de passeio na cidade e ser amarelo hoje em dia, é também um meio de transporte real para os moradores do bairro.
Próximo da estação do Largo dos Guimarães situa-se o Museu do bonde, de visita gratuita, onde passámos praticamente o resto do dia.
Rodrigo [S+]

Caminhos Encantados
Quando nasci, já tinha a minha irmã sete anos. Tudo o que foi dela passou para mim e sempre tive uma pessoa para me guiar pela juventude. Fui então criada no meio de filmes de princesas e de contos fantásticos da Disney que a minha mana via. Ainda me lembro das cassetes que, já há algum tempo, foram arrumadas na minha arrecadação em São Marcos.
Assim, com esta infância, sempre quis ver um castelo encantado e  falar com princesas a sério. Por isso, um pouco antes de eu fazer oito anos, os meus pais anunciaram que iríamos à Disneyland Paris, o sítio onde o mágico vem à vida.
Pensei que seria a primeira vez que iria andar de avião, mas, surpreendentemente, os meus pais decidiram fazer a viagem de ida e de volta de carro para experienciarmos o percurso pelas estradas de Portugal, Espanha e França.
Naquele dia de manhã, pusemos as malas no carro e arrancámos. Eu era muito nova, mas vou tentar contar todos os detalhes de que me lembro.
A viagem de ida foi de dois dias, um grande período de tempo para uma menina de oito anos, mas, mesmo com esta idade, não quis dormir e preferi passar o tempo a olhar pela janela do carro.
Durante o primeiro dia, passámos rapidamente por uma das fronteira mais antigas do mundo, a fronteira Portugal-Espanha. Lembro-me de ficar espantada por estar noutro país. Acreditava que estaria num reino longínquo onde viveria aventuras.
Lembro-me também da música dentro do carro para nos entretermos. Era dos Queen, um grupo musical que a minha mãe e a minha irmã adoravam, e que hoje em dia toda a família adora, e íamos todos a cantar aos berros a acompanhar a música.
O primeira dia acabou num pequeno hotel no norte de Espanha. Já estávamos todos cheios de sono, mas lembro-me vivamente da minha felicidade ao ir dormir na parte de cima de um beliche pela primeira vez.
Já no segundo dia, arrancámos bem cedo, para ainda chegarmos de dia a Paris.
Passámos pelos Pirenéus, a fronteira natural entre Espanha e França. Admito que a vista era muito bonita, mas não acredito que ultrapassasse a de um dia de neve na Serra da Estrela.
Chegámos a Paris ainda com o sol no céu. Já estávamos na cidade do amor. Lembro-me de sair do carro e de ouvir um senhores a falarem perto de nós. O sotaque era-me estranho, assim como as palavras, mas a fluidez agradou-me assim como a paisagem.
Passámos a maior parte dos dias na Disneyland, a ver o parque e a andar nas diversões, mas o último dia foi para passear pela cidade de que tanto ouvíramos falar.
Passeámos por barco no rio Sena, e lembro-me de compará-lo ao rio Tejo, que era mais largo e escuro. Subimos até ao topo da torre Eiffel. Felizmente, não tinha vertigens e pude aproveitar a vista da cidade de Paris. E andar pela cidade a ver os seus famosos monumentos e as suas ruas históricas. Também comi os famosos croissants, mas ainda hoje não trocaria os nossos pastéis de Belém por eles.
Passada essa semana, voltámos para Lisboa. A viagem de volta já pareceu mais curta, se calhar por já a ter feito ao vir, mas nunca reclamando sobre do aborrecimento de uma viagem.
Ainda hoje guardo essa viagem na memória com muito amor, os meus pais não me podem levar a sítios muito longe mas fazermos essa viagem é uma boa recordação que fica no meu coração.
Curiosamente, recentemente a minha mãe disse-me que poderíamos voltar à Disneyland ainda este ano; por isso, este trabalho foi bom para me recordar da minha juventude e da minha primeira viagem a 'tão longe'.
Sara N. [B-/S+]

Uma viagem inusual
Existe uma cidade a que todos nós sonhamos ir, uma cidade que nos fascina pelas vastas lojas ou pelos grandes monumentos ou até pelas histórias que contam. Uma cidade a que sempre desejei ir era Paris. Achava Paris uma cidade fascinantemente incrível, romântica e com uma comida deliciosa, mas, agora, parece Lisboa para mim (aliás nenhuma cidade ultrapassar a beleza da nossa capital) A primeira vez que fui a Paris foi para visitar a minha família, ia muito contente, porque, além de ser a minha primeira vez em Paris, também era a minha primeira viagem para fora do país. Não posso mentir, adorei cada segundo que lá passei. Do que gostei mais foi mesmo ver um dos meus monumentos preferidos, a Torre Eiffel.
No ano seguinte voltei a lá ir para visitar outra vez a minha família, mas não vi nenhum monumento nem dei grandes passeios porque o objetivo daquela viagem era só mesmo visitar a família. Logo no ano a seguir, no meu 9ºano de escolaridade, fui, como viagem de finalistas, a Paris. Partimos dia 28 de abril e fizemos uma viagem de cerca de quatro dias.
No primeiro dia visitámos o Museu d´Orsay, onde passámos quase a tarde inteira pois o museu é de grandes dimensões e quase que nos perdíamos. A seguir fomos para o hotel onde iríamos estar hospedadas. Não tinha grande qualidade mas como a sua utilidade era só para a noite, chegava (e também quanto mais barato melhor).
No segundo dia fomos visitar a Torre Eiffel. Desta vez, foi diferente das outras, deve ter sido pela companhia que levava porque viagens com amigos são sempre diferentes de viagens com pais e familiares. Consegui aproveitar muito melhor a vista e consegui tirar fotos maravilhosas das paisagens. (Recomendo plenamente a visita á Torre para quem é apaixonado de viagens)
O terceiro dia foi, de facto, o dia mais emocionante de toda a viagem, foi o dia que todos ansiávamos, o dia da Disneyland. Já tinha ouvido muitas histórias sobre este parque temático pelos meus primos e amigos que já lá tinham estado, mas nada se pode comparar com viver a experiência realmente. O parque têm dois sítios com atrações mas, infelizmente, nós só pudemos ir a um, porque, num dia, não se consegue andar em todas as atrações. Só andamos em quatro delas pois as filas conseguem ocupar-nos metade do tempo. Mas, apesar disso tudo, foi absolutamente mágico, um dia sem confusões, preocupações ou tristezas. Jantámos por lá e vimos o espetáculo final, aonde passam todas as músicas famosas da Disney.
No quarto e último dia da viagem foi muito difícil acordar pois tínhamos ficado até bastante tarde acordadas. Visitámos a Catedral de Notre Dame e tivemos de nos despedir de Paris, mas claro não antes de comer uma das famosas paninis com aquele queijo francês magnífico.
Assim tive de me despedir de Paris pela terceira vez e tenho a certeza de que não será a última. E assim foi a viagem a esta cidade que mais me tocou e que nunca irei esquecer.
Ângela [S-/S(-)]

Paris deixa memórias maravilhosas
Desde pequena que, sonhava ir à Disneyland, ver o castelo onde viviam as princesas dos contos de fadas que a minha mãe me contava antes de eu adormecer ou andar em todos aqueles carrosséis e montanhas-russas emocionantes. O meu sonho finalmente tornou-se realidade, quando, no Natal de 2014, os meus pais ofereceram a mim e ao meu irmão, cinco dias na Disneyland em Paris, nas férias de Carnaval.
Eu e o meu irmão contámos entusiasticamente os meses e os dias até à tão esperada viagem. E, quando o dia por que tanto ansiávamos, finalmente chegou, eu e o meu irmão estávamos deveras entusiasmados. De tal maneira que foi, de certo modo, fácil acordar às 05:00, algo que eu acredito ser uma proeza minha. Seguimos para o aeroporto. Já no avião, antes de levantar voo, conseguia já sentir a minha pulsação a acelerar e as borboletas que voavam desconsoladamente na minha barriga.
Quando, por fim, aterrámos em solo francês, fomos diretamente para o hotel para deixar as nossas malas, o qual deixámos numa questão de poucas horas, seguindo para o parque de diversões. Tudo aquilo que via me deixava absolutamente maravilhada, o grande palácio cor-de-rosa, com os seus grandes e belos jardins, cheios de flores coloridas, os pequenos prédios pintados de cores claras, todos os carrosséis, montanhas russas e outras diversões, em que eu mal podia esperar por andar para sentir a adrenalina característica destas atrações.
Nos primeiros três dias, eu e a minha família procurámos andar em todas as atrações, cada uma mais divertida e emocionante que a anterior. A única desvantagem era o tempo que era necessário esperar na fila para conseguir finalmente passar à parte divertida. No entanto, foi deste modo que passámos os nossos primeiros dias, esperando pelo que parecia uma eternidade para nos conseguirmos divertir, durante o que pareciam meros segundos. E, assim, passaram setenta e duas horas, nas quais acordávamos por volta das sete da manhã e adormecíamos já depois da meia-noite. Uma das melhores memórias que tenho destes três dias, foi quando, na noite do terceiro, perto do alto palácio cor-de-rosa, se deu um magnifico espectáculo de luzes, em que, inúmeras personagens de filmes da Disney eram projetados nas paredes do palácio, terminando com um fogo de artifício lindo.
No quarto dia, decidimos que queríamos explorar a cidade de Paris, visto que nem eu nem o meu irmão, a tínhamos visitado antes. Subimos até ao andar mais alto da Torre Eiffel, vislumbrando a bela cidade de Paris, fomos até ao arco do triunfo e visitámos a Catedral de Notre-Dame. Tivemos também a oportunidade de visitar o Louvre. No último dia, tivemos apenas tempo para ir até a uma pequena loja de recordações, na qual gastei todo o dinheiro que tinha juntado para esta viagem. De seguida, regressámos ao hotel para irmos buscar as nossas malas e dirigimos-nos para o aeroporto, para regressarmos a casa.
 Na viagem de volta, fiquei a maior parte do tempo a olhar pela janela com os meus fones nos ouvidos, escutando as músicas que, na altura, eram as minhas preferidas. Fiquei a relembrar todas as memórias que havia criado nestes cinco dias e ficariam comigo para sempre. A verdade é que estava um pouco triste visto que a viagem com a qual eu sonhava desde pequenina tinha chegado ao fim, e especialmente, porque esta aventura tinha terminado num abrir e fechar de olhos, mas penso que tal acontece com tudo aquilo que é bom.
Beatriz Pinto [B(-)]

As viagens da minha vida
Todos os anos, todos os verões é sempre a mesma viagem. Estas viagens já foram tanto as melhores da minha vida como as piores, já desejei mil vezes que acabassem e já rezei para que nunca mais tivessem fim. Mais de dez horas de viagem, mais de 1500 quilómetros percorridos. Anseio esta viagem aproximadamente durante seis meses entre cada uma. Faço esta viagem Benfica-Fuengirola (Espanha) todos os verões e passagens de anos há catorze anos. Fico feliz por ser diferente de todas as outras pessoas cuja casa de férias seja em Vilamoura.
Sempre tive aquele sentimento de que algo me faltava, que não tinha uma casa de férias, a casa onde nos sentimos bem e confortáveis. Ao longo dos anos esse sentimento foi mudando por completo, eu tinha também a “minha casa de férias”, a única diferença é que a minha era um pouco mais longe. Com o tempo fui apreciando e gostando cada vez mais  de ter uma casa longe. Porque quando lá estivesse ia-me sentir completamente em casa e descontraída e porque ser longe faz com que aproveite ao máximo as melhores duas semanas do meu verão. Não consigo explicar o sentimento que tenho por aquela cidade e por aquele país. O sentimento de estar num túnel e saber que quando sair do mesmo vou ver o meu porto de abrigo. E aquela estrada deixa tudo ainda mais especial, parece que estamos a andar de avião. Passamos pelas mesmas paisagens, os mesmos centros comerciais, as mesmas praias, com poucas mudanças, mas com tudo tão bonito e especial. Chegamos e, muitas vezes, tenho de me controlar para não ir logo para ir para a piscina, pois temos de ir jantar. Este jantar é o melhor jantar de todas a férias de longe. Vamos para a marina de Puerto Banús, ao restaurante Picasso. Um pôr do sol simplesmente lindo, a brisa de verão e as pizzas deliciosas do restaurante. Às vezes paro para pensar naquele momento lindo, olho para as pessoas a minha volta, apesar de todos os problemas, guerras que existem no mundo, ali as pessoas são felizes. Quando naquele lugar não houver felicidade, sei que não haverá em mais lado nenhum do mundo. Durante estas semanas entre felicidade, emoção, alegria tudo é perfeito, o calor, o bronze.
Acho que a única palavra perfeita para descrever é “perfeição”. Depois destes dias maravilhosas vem a despedida. O último mergulho o último raio de sol, o último jantar, o último sorriso de pura felicidade. Acordamos no dia seguinte com um sentimento esquisito, não de tristeza, nem mesmo de infelicidade, mas sim de angústia e de saber que vamos ter saudades daqueles momentos todos de felicidade. Pomos a mala no carro. Aí percebemos que só a voltamos a tirar em Lisboa, tentamos ignorar isso e passamos as últimas horas em viagem a conhecer sempre sítios novos, a explorarmos. Espero que estas viagens sejam o início de muitas outras, por todo o mundo.
Elisa [B-/S+]

Ilha de gelo
Fazia já dois anos desde que a minha avó paterna tinha ido viver para a Islândia, por isso, os meus pais consideraram que era a altura de lhe fazermos uma visita e conhecer a pequena ilha coberta de gelo que era agora a sua nova casa.
A Islândia é uma ilha situada no Pacífico norte, com apenas cento e três mil quilómetros quadrados e com cerca de trezentos mil habitantes.
Realizámos esta viagem nas férias da Páscoa e, como na Islândia as estações do ano são semelhantes às nossas, era Primavera nessa altura, o que significa que o gelo já começava a derreter e a temperatura rondava os catorze graus Celsius.
A minha avó morava nessa altura na capital Reykjavík ou Reiquiavique (em português), onde se localiza um dos nove aeroportos da ilha e foi aí que aterrámos para o início da nossa visita.
Alugámos um carro no aeroporto e fomos a casa da minha avó, no centro da cidade, deixar as nossas malas. Gostava de realçar o meu espanto ao entrar em casa da minha avó e me deparar com uns fabulosos vinte e cinco graus. Apesar de, em média, a temperatura na Islândia nunca ultrapassar os dezasseis graus no verão, as casas são incrivelmente quentes e, por isso, não usámos os pijamas cheios de pelo que havíamos levado.
No dia a seguir à nossa chegada fomos de carro visitar uma linda cascata chamada Dynjandi, que se situa a cerca de uma hora e meia de Reiquiavique. A cascata mais bela que já vi, com límpida água a escorrer de uns altíssimos cem metros de altura.
No dia seguinte fomos visitar a lagoa azul, um spa termal de águas quentes localizado em Grindavík, a trinta e nove quilómetros de Reykjavik. Descrevo este lugar como uma vasta área de lindas águas azuis e vapor e a experiência mais relaxante que já tive.
Visitámos os géiseres situados a leste de Reiquiavique donde se destaca o géiser Strokkur, que sobe a uns incríveis trinta metros de altura de, aproximadamente, seis em seis minutos.
Guardámos um dia especialmente para visitar o centro da cidade. Começámos por ir beber um chocolate quente pela manhã e almoçámos cachorros. Achei engraçado o facto de, ao fim de semana, os islandeses se juntarem em casa de alguém por volta das três da tarde, e aí todos juntos passarem a tarde a beber enormes canecas de cerveja. Ao final da tarde, por volta das cinco da tarde é que vão almoçar; por isso, enquanto lá estivemos, cada vez que lanchávamos fora de casa cruzávamo-nos com várias famílias a fazerem a única refeição do dia. Outro facto interessante sobre os islandeses, neste caso, sobre as islandesas, é que, apesar do frio que estava, cerca de doze graus, as islandesas usavam saias e vestidos como se estivessem em Portugal em época de verão. Não são muito altas, ao contrário do que se esperaria em mulheres nórdicas mas utilizam sapatos com saltos enormes.
Neste dia fomos surpreendidos com algo bastante engraçado, uma mulher que transportava um carrinho de compras com seis bebés, com pouco mais de quatro meses, todos gémeos. Acabámos o dia com um jogo de bowling no centro de jogos da cidade.
Na Islândia encontrará uma cultura diferente da nossa, baseada na diversão e em aproveitar a vida. Visitará lugares com paisagens de o deixar de boca aberta e, nesta ilha de gelo, passará dos dias mais inesquecíveis da sua vida.
Natacha [B(-)/B]

São Tomé, Rolas e as roças
Creio que não posso dizer que houvesse sequer alguma coisa mínima, tal como um pouco de chuva, que estragasse a impressão com que fiquei deste maravilhoso lugar. Usualmente conhecida como São Tomé e Príncipe, a República Democrática de São Tomé e Príncipe é um arquipélago vulcânico constituído por três ilhas: duas de maior dimensão - ilha de São Tomé e ilha do Príncipe - e outra mais pequena, no largo de São Tomé - Ilhéu das Rolas. Localizadas no Golfo da Guiné na zona equatorial, possuem um clima único.
Comecemos pelo início, a aterragem na ilha de São Tomé. Foi aí que começou todo este polímero de memórias, no qual mergulho para recordar todos estes momentos. O primeiro aspeto que se realça é o clima chuvoso, abafado, e as elevadas temperaturas.
Saindo do aeroporto, apanhámos um autocarro que nos levou desde o norte da ilha de São Tomé a Ponta da Baleia, um pequeno porto no sul da ilha, onde viríamos a apanhar um barco com destino ao ilhéu das Rolas. Esse caminho de 50km, que demorou umas longas duas horas, deu a conhecer grande parte da ilha principal do arquipélago. Todas as vilas, praias, a floresta, os cones vulcânicos, até as pessoas, conferem à ilha singularidade, uma bela ímpar imagem, única.
Depois da viagem de barco, chegámos às Rolas, outro local único tanto pela sua beleza como pela sua localização geográfica. Lá encontra-se o marco do equador, um pequeno monumento que representa os descobrimentos e o primeiro trabalho de localização geodésica feito pelos descobridores portugueses. Há apenas uma pequena aldeia onde vivem maioritariamente os empregados no único hotel lá existente. O resto da ilha consiste em floresta densa, com algumas plantações de coqueiros e praias de arregalar os olhos só pela sua beleza.
De volta à ilha principal, conhecemos toda a parte este da ilha: as aldeias piscatórias, praias dos descobrimentos e os principais marcos, tais como a Boca do Inferno são tomense ou as roças do café e do cacau.
Um dos pontos altos da viagem foi o almoço na Roça de São João dos Angolares onde se localiza o restaurante do famoso João Carlos Silva que de chef passou a tio, não só pela sua hospitalidade mas também pelo convite para lá ir na minha lua de mel. Lá comemos uma refeição única, cujas fantásticas sensações que causou na minha boca pela mistura inesperada de certos sabores ainda hoje lembro.
Ainda na ilha principal, conhecemos outras roças, já danificadas, algumas apenas em ruínas. À sua volta encontram-se pequenas vilas onde habitavam os trabalhadores das roças.
Toda a cultura, a beleza e a diversidade de tudo me fascinaram. Por vezes ocorrem-me à memória alguns episódios, momentos que, por mais mínimos que sejam ,recordarei para sempre. Por exemplo quando abri um coco sozinho e bebi a sua água.
O final da viagem foi o mais triste. Custou-me abandonar aquele lugar paradisíaco de que nunca me esquecerei. Para sempre recordarei este lugar na minha memória.
Guilherme [B-]

Uma viagem atribulada
A viagem começou logo com o voo cancelado. Com poucos dias para gozar, pois as aulas começavam logo após o regresso. Foi o primeiro embate negativo, pois tivemos que voltar para o hotel e ficar à espera de novas notícias pois já tínhamos sabido que havia passageiros à espera há mais de três dias.
No dia seguinte, levantámo-nos cedo, tomámos o pequeno-almoço e fomos à procura de mais novidades sobre o voo. Finalmente, um pouco mais tarde veio a alegre notícia de que podíamos embarcar. A viagem correu bem e chegámos a Palma com um dia luminoso. Chegados ao hotel, fomos arrumar as coisas e, logo de seguida, fomos para a piscina recriar-nos um pouco ate à hora de almoço. Finalmente, podíamos começar a explorar a cidade e arredores. Palma é uma cidade bem bonita e está bem servida de transportes públicos. Têm lá a intermodal que, do mesmo sítio, irradia ligações para toda a ilha, tanto de metro como de autocarros ou comboio. Começámos a viagem de autocarro percorrendo vários quilómetros e admirando a paisagem cheia de moinhos de água por toda a parte. De todo o lado apareciam montanhas dos mais variados feitios. Chegamos à fábrica das pérolas (artificiais) e pude assistir ao trabalho minucioso da sua construção. Seguimos depois para as grutas do lobo, que são enormes e lindíssimas onde pude assistir a um espetacular concerto cuja orquestra apareceu de barco pelo lago que se encontra no fundo da gruta.
No final, os visitantes também podiam passear nesses barcos. Regressámos ao hotel à tarde e voltámos para a piscina antes de jantar. No dia seguinte, fomos visitar as praias de água quente e límpida, onde fizemos belos passeios de gaivota(lanchas). O nível da àgua do mar é baixo e não oferece perigo. Foi um dia para recordar.
Visitámos vários pontos turísticos, como, por exemplo, a catedral de Palma de Maiorca e os belos jardins do palácio do rei de Espanha, que ficam mesmo ao lado da catedral. Vimos igualmente o castelo de Bellver, que é redondo e parece que é único com aquele feitio. Vimos também a marina, que tem milhares de iates, passeámos pelas ruas mais bonitas, visitamos a praça central, que é parecida com o nosso Terreiro do Paço.
O último dia passámo-lo no hotel a aproveitar o spa, a sauna e, novamente, a piscina. Foi uma das melhores viagens que já fiz.
No dia seguinte regressámos a Portugal e começaram as aulas.
Pedro S. [S(+)/S]

Açores — quanto falta para chegar?
Todo o arquipélago dos Açores é alvo de muita visita turística, devido à sua beleza natural: os montes esverdeados com armentos de vacas a pastar, as praias cuja areia é escura e repleta de pedras de origem vulcânica, as lagoas azuis, as caldeiras, que apesar do cheiro a enxofre, nos relaxam com água quentinha, as variadas plantações que lá crescem e embelezam a paisagem...
Na ilha de São Miguel, a cidade e capital Ponta Delgada, com os seus monumentos, vida colorida, desfiles de areais e horizontes de mar, é um convite a visitar a sua paz interior com tanta beleza e silêncio, uma viagem calma e apreciativa, que com certeza, ficará gravada na minha memória como uma das mais calmas; os jardins floridos apresentam cores magníficas que transformam a paisagem em poesia e muitos outros encantos que esperam para serem descobertos.
Comecemos então por Ponta Delgada, o destino cultural da ilha. Enveredámos por ruas estreitas, com casas típicas e calçadas basálticas, visitámos monumentos antigos e assistimos a atrações de rua magníficas.
No porto repleto de barcos e âncoras gigantes, feitas de metal ferrugento para decorar, embarcámos num cruzeiro para ir ver os golfinhos e as baleias. Já muito longe da costa conseguimos avistá-los no seu habitat natural.
Fazendo uma viagem para o interior da ilha, provámos o tão famoso cozido à portuguesa, visitámos as Furnas e o seu parque natural, onde vimos tirar o cozido à portuguesa de dentro dos geiseres, o qual almoçámos de seguida; visitámos ainda as lagoas (Lagoa das Sete Cidades e Lagoa do Fogo).
Fomos também à fábrica do chá Gorreana onde apreciámos a extensão da plantação. No final ainda tivemos oportunidade de visitar as estufas de ananases e aprender o seu processo de evolução ao longo das várias etapas, que correspondem a estufas consecutivas.
A ilha não é muito grande; porém, foi possível visitá-la por completo, no interior e ao longo da costa, durante a nossa estadia.
Ana S. [B(-)]

Os encantos da Fé em Portugal

Segundo a tradição do colégio em que andava, no fim do 9.º ano os alunos passavam um dia a fazer canoagem no rio Douro para celebrar o fim de ciclo. Já cansados de ouvir sempre a mesma história, a minha turma apresentou uma proposta para substituir a habitual canoagem por uma peregrinação a Fátima. A verdade é que todas as outras turmas não viram qualquer interesse nesta ideia mas, no final da viagem, todos a adoraram. Sendo o colégio religioso, não havia razão para que esta viagem não se realizasse. Além disso, todos tinham curiosidade de conhecer o local de peregrinação cristã mais conhecido em Portugal, visitado por milhões de pessoas vindas de todo o mundo, por ser, de facto, uma das maiores maravilhas portuguesas.
Partimos num fim de semana de maio. Fomos de autocarro até ao Centro de Espiritualidade Francisca e Jacinto Marto, em Montelo. No meio de tanta diversão e felicidade, tivemos neste Centro de Espiritualidade um momento de reflexão, não só sobre Deus mas também sobre a nossa personalidade, que nos ajudou a compreender quem erámos e o que estávamos ali a fazer. De seguida, já com as malas às costas e prontos para caminhar, andámos dois quilómetros até ao Poço do Arneiro, em Aljustrel, onde rezámos em conjunto num ambiente mais descontraído.
 A próxima paragem foi também em Aljustrel no Santuário dos Valinhos, o local de nascimento dos três Pastorinhos. Este Santuário, para além de nos obrigar a ter um espírito de reflexão interior, transmite-nos uma sensação de relaxamento extrema, através das oliveiras e azinheiras que rodeiam os passadiços. 
Continuando a viagem, a caminhar por entre as ervas, começámos a sentir-nos livres com toda a harmonia que nos rodeava. Até chegar a Lomba de Égua, em Fátima, toda a turma, em conjunto, foi lendo algumas passagens da Bíblia, rezando o terço, ouvindo música e até fazendo alguns jogos que ajudavam na união do grupo e na integração de todas as pessoas.
Depois deste dia cansativo, mas divertido e intenso, ficámos hospedados no Albergue Peregrinos a Pé, onde passámos a noite.
No dia seguinte, fomos, finalmente, ao tão grande e esperado Santuário de Fátima, que a igreja católica apelidou Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, dedicado a Nossa Senhora. De facto, este Santuário não só é belo e enorme como também transmite força e vontade de rezar ao ver toda aquela imensidão de pessoas ajoelhadas, a percorrer a passadeira vermelha que, mais tarde, também eu percorri. Neste Santuário, antes de nos dirigirmos à Capelinha das Aparições, onde estava a decorrer a missa, fomos acender uma vela, pedindo um desejo. De seguida, vimos a Basílica da Nossa Senhora do Rosário e, para finalizar, fomos até à Basílica da Santíssima Trindade.
Terminei esta viagem com um orgulho enorme, pois ajudou-me a encontrar o meu “eu” e também a criar laços com os meus colegas de turma. Foi, sem dúvida, uma viagem inesquecível e que irei repetir, pois é essencial para todos aqueles que acreditam em Deus e têm fé.
Beatriz E. [B/B(-)]

Ir a Praga e não visitar a cidade?

Até então só conhecia Praga pelos livros, de quando andáramos no sétimo ano a decorar todos os países e capitais da Europa. Tive a oportunidade única de ir a um país com os meus amigos. Em julho de 2016, logo após a vitória de Portugal no euro2016, lá estávamos nós, um grupo de cerca de vinte ginastas adolescentes encarregues a 2 professores, dentro de um avião em direção à República Checa. De loucos? Talvez. Eramos umas crianças, não em idade, mas em experiência. A maioria de nós só tinha começado a fazer ginástica “a sério” no ano anterior. Aquilo era tudo uma novidade para nós.
Foi uma das viagens da minha vida, sem dúvida. Todas as experiências pelas quais passamos fizeram-nos crescer, fizeram-nos ver o que é uma semana por nossa conta. Aliás, no meu caso, seria a segunda vez que iria numa aventura destas. Num grupo destes é de esperar que haja bons e maus momentos, não é verdade?
Pois bem, iniciámos a nossa viagem. Entre conhecer o alojamento e os locais de exibições, devemos ter perdido cerca de dois dias, mas, quando o invento realmente começou… aí, sim, sentimos que não tínhamos ido em vão.  A primeira vez que todos os países se reuniram num pavilhão foi a loucura total. Portugal era a delegação com mais pessoas e devíamos ser também os mais loucos! Quando dei por mim, estava a gritar, juntamente com todos os outros portugueses, “Éder, Éder, Éder”. Este foi só um dos momentos por que passamos, porque, se eu fosse a escrever tudo aquilo que nos aconteceu, não saia daqui…
Mas não resisto em contar outro momento que me marcou muito: a nossa última exibição. Não falo da primeira porque nunca é a que nos traz as melhores recordações, em termos técnicos. É sempre aquela que tem mais erros, provavelmente porque já há algum tempo que não fazíamos aquele esquema em público (algum tempo são cerca de três semanas). Mas relativamente à exibição: correu muitíssimo bem! Em termos técnicos (pés esticados, saltos altos e perfeitos, etc.) foi fantástico e em termos de apreciação do público, ainda mais. O momento que mais me marcou foi quando uma classe da Lourinhã, estava a bater palmas e a gritar por nós e o esquema ainda nem tinha acabado! Foi uma sensação mesmo agradável! Aquelas raparigas marcaram-nos a todos pela positiva. Já as conhecíamos desde o ano passado porque quando fomos a outra viagem de ginástica, partilhamos o alojamento com elas
Além de gozar com os franceses, perdermo-nos, achar dinheiro no chão, perder a carteira, fazer exibições, dormir e comer, ainda tivemos tempo para visitar a cidade de Praga, só no último dia.  Mas mais vale tarde do que nunca! Praga… Que cidade maravilhosa! Para mim, parece uma cidade de bonecas. A arquitetura daqueles prédios, que lindo que é! Parecia que estávamos num labirinto com tantos edifícios iguais.
Por fim, antes de irmos para o aeroporto fomos ver o rio Moldava em cima de uma das tantas pontes sobre o rio. Como eu disse, não vimos quase nada desta cidade tão bonita.
Mas divertimo-nos muito, ficámos com a lembrança de experiências inesquecíveis e voltámos tristes por ter acabado esta fantástica experiência.
Ana J. [S+/B-]

Um passeio no Alto Adige

Itália. Todos os anos vou para este país passar as férias da Páscoa para visitar os meus tios e primos, que vivem em Bolonha. A ansiedade é sempre muita, porque, para além do convívio familiar, temos por hábito viajar para outros lugares de Itália e, às vezes, para outros países vizinhos. Este ano não foi exceção e o destino estava escolhido há muito: o Alto Adige italiano, com uma escapadela ao austríaco.
Durante a viagem, fizemos várias paragens, mas eu gostei sobretudo de visitar a fábrica dos produtos Loacker, onde saboreámos as famosas bolachas waffers e visitámos uma exposição de tudo o que esta fábrica produz. Havia imensos produtos diferentes. Duas horas depois de reiniciarmos a viagem, começaram a aparecer as primeiras montanhas, ao longe, que, conforme nos aproximávamos, ficavam mais altas. Quando chegámos ao destino, ficámos alojados num pequeno e simpático hotel de montanha, chamado Herrenstein, numa pequena aldeia situada num vale, Braies di Dentro. A paisagem, nesta altura do ano, é  algo impressionante!
Os campos da aldeia muito verdes, as casas muito bonitas e bem arranjadas, com pequenos jardins à volta e, a cercar toda a aldeia, altas montanhas com imensa neve no topo. De repente, a neve começou a cair e foi mesmo bonito e agradável. Tudo se alterou e a aldeia ficou toda branca.
Nos dias seguintes, visitámos muitos lugares, mas destaco o Lago de Braies, nas montanhas Dolomitas, e o Lago di Landro. Claro que ambos estavam completamente gelados, mas, mesmo assim a paisagem era espetacular. Pode-se passear à volta do lago de Braies por um caminho estreito e um pouco assustador, que começa junto de um grande hotel, que, por acaso, me pareceu um hotel fantasma, pois pelo que soube, só abre durante o verão. No Lago di Landro a paisagem é mais ampla e, depois de muitas fotografias, entrámos num café-restaurante, Dürrensee, muito agradável onde bebemos um bom chocolate quente e comemos uma deliciosa fatia de bolo Floresta Negra.
No último dia na Áustria, fomos ainda a vários lugares, mas, em Lienz, a aventura de andar no Alpine Coastner, uma montanha russa que aproveita o declive da montanha, foi inesquecível. Ainda bem que ultrapassei o meu medo inicial e fui andar nesta diversão, que tem uma velocidade estonteante e assustadora. Foi muito bom sentir toda aquela adrenalina.
Depois, voltámos para Bolonha e, como gostamos muito de conhecer novos lugares, no dia seguinte apanhámos logo o comboio e fomos a Veneza. Mas isso  fica para um próximo artigo.
Leonor [B]

Como os tempos mudam

Era a segunda vez, desde a minha vinda ao mundo, que ele estava ali, à minha frente, e eu à frente dele. Majestoso, pomposo, cheio de imponência. Parecia abraçar toda a cidade de Roma, tornando-a num lugar pequeno e acolhedor. O Coliseu romano é, de facto, impressionante. Tão impressionante como da primeira vez que o vira. E lá estava eu, num quente fim de tarde, rodeada de quatro dos melhores seres humanos que conheço, a olhar para aquele que fora, um dia, um local de lutas de gladiadores, em que foram mortos homens e animais, por puro entretenimento. Como os tempos mudam… No entanto, passados dois milénios, ainda temos a oportunidade de sentir o ambiente do mais grandioso anfiteatro da antiguidade. Tal como o Coliseu, a maior parte do que se vê hoje em Roma, foi construído há muitos séculos, e, tal como as vidas que construíram a cidade, as obras foram envelhecendo e desaparecendo até aos dias de hoje, sobrando apenas as suas ruínas.
Ao passear pelo Fórum Romano, tentei imaginar como seria a vida de um Romano no século terceiro, quando o Fórum era frequentado. Quais seriam as preocupações dos habitantes? Assemelhavam-se às nossas? De certeza que não eram o número de likes que tinham nas fotografias, publicadas nas redes socias. Como será que se comportavam entre si? Será que também eram hipócritas uns com os outros e só mostravam sorrisos quando precisavam de algum favor? Como seriam as suas ambições? Será que planeavam uma vida em Marte? São perguntas que, por mais informação e confirmação histórica que nos seja providenciada, nunca vão poder ter uma resposta cem por cento completa e concreta. Vimos as termas onde tomavam os seus banhos e conviviam, ou, pelo menos, era o que se dizia nos guias turísticos. Vimos os grandiosos templos, ou o que resta deles, onde se rezava aos múltiplos deuses em que se acreditava. Pensei muito nisso. Porquê vários deuses? Não lhes chegava só um? Será que eu estou errada em acreditar num só? Como os tempos mudam…
Na terceira noite da minha estadia em Roma, acompanhada pela minha turma de História da Música, fomos até à Fontana di Trevi. Estava uma noite agradável, e já estava escuro quando chegámos à fonte, pelo que eram as luzes da própria que iluminavam as ruas. À noite, o monumento é ainda mais impressionante do que durante o dia. Apesar da hora tardia, ainda havia bastante confusão de turistas, mas, ainda assim, conseguimos atirar uma moeda para a água, virados de costas, como manda a tradição.
Ainda na mesma noite, já perto da meia-noite, fomos à escadaria da Praça de Espanha, e subimos todos os seus degraus. No cimo, já ao lado da Igreja Trinità dei Monti, esperámos pelas doze badaladas para cantarmos os parabéns a dois gémeos, que tiveram a sorte de fazer dezassete anos na cidade de Roma. Não foram uns parabéns quaisquer — tínhamos ensaiado um arranjo a várias vozes, como que um coro afinado, que até mereceu palmas de muitas pessoas que pararam para nos ouvir. Depois disto, conversámos mais um pouco sobre a antiguidade, e imaginámos quais seriam os rituais de aniversários praticados pelos romanos na época. Será que tinham uma cantiga diferente? Será que eram oferecidos presentes? Será sequer que eram celebrados os seus nascimentos? Mais uma vez, eram perguntas que nos deixavam a pensar, incrédulos com a mudança.
No último dia da nossa viagem, aproveitámos para conhecer mais um pouco (porém, não na sua totalidade) do que tinha sido Roma no passado. Enquanto caminhávamos pelas ruas estreitas e cantarolávamos canções, como fazíamos sempre para animar os longos percursos a pé, apercebi-me de que Roma é muito mais que monumentos históricos, que foram construídos há muitos séculos. Roma é o cheiro a massa fresca e molho de tomate, que invade as ruas quando a hora de almoço se aproxima. Roma são os pintores que encontramos nas ruas, que usam latas de tinta com um cheiro potente. Roma são os dois rapazes que cantam e tocam ao lado da ponte de Santo Angelo, e que fazem uma excelente banda sonora enquanto vemos o pôr do sol, que se esconde atrás da Igreja do Vaticano. Roma são os sorrisos daqueles que provam pela primeira vez um incrível gelado italiano. Roma, que existe há mais de dois mil anos, não está morta. Os tempos mudam, mas Roma permanece viva.
Maria [B+/MB-]

Viagem inesquecível
Estava eu no 4ºano de escolaridade, quando a minha tia, a irmã mais velha da minha mãe, me convidou para ir com ela a Londres. Três dias passados com ela, noutro país, primeira viagem de avião, tinha tudo para ser inesquecível. E foi. Nunca mais me esqueço da viagem mais mal aproveitada da minha vida.
Falemos de factos: miúdo com dez anos, louco apaixonado por futebol, viaja para Londres durante o Mundial 2010, que, na altura, foi realizado em África do Sul. Claro que não iria dar bom resultado, sendo eu um fanático pelo desporto rei que é o futebol. Devia lembrar-me da visita que fiz ao “Buckingham palace” mas não, eu lembro-me é do jogo da famosa Argentina de Lionel Messi, orientada por Diego Maradona, contra a imbatível Alemanha, de Miroslav Klose, em que o resultado final foram uns surpreendentes quatro a zero a favor da seleção germânica. Lembro-me também do jogo de Portugal contra a Coreia do Norte, com uma vitoria fácil para a nossa seleção, uns expressivos sete a zero, e destaque para o golo caricato de Cristiano Ronaldo e para a estreia de Liedson a marcar pela seleção das Quinas. E claro que não podia esquecer-me da inesquecível vitória de “nuestros hermanos” no mundial, com uma vitória sobre a Holanda, de Sneijder e de Robben, de um a zero, com um golo de Andrés Iniesta já no prolongamento.
Esta viagem tornou-se inesquecível pelos motivos já referidos. Ainda hoje me lembro dos ralhetes que levei da minha tia por querer ficar no quarto do hotel a ver os jogos do mundial, a não querer passear e conhecer a cidade, a cidade que qualquer pessoa gostaria de visitar, até eu. Mas é claro que me lembro da cidade cheguei a andar num autocarro turístico, visitei o palácio da rainha. Adoraria uma segunda oportunidade para poder conhecer Londres, uma cidade cheia de história, tanto na política e cultura, como no desporto, essencialmente o futebol inglês, já que a Grã-Bretanha é a pátria do futebol (só é pena a seleção nacional inglesa ser tão fraquinha, como temos visto ao longo da última década).
Há que aproveitar todas as viagens que se realizam. Um dia podemos arrepender-nos e, depois, uns anos mais tarde, queremos voltar a ter outra oportunidade de viajar e não a teremos, como é o meu caso. Mesmo assim, lá vou eu dar alguma graxa à minha Tia, para ver se ela me leva de novo à capital inglesa.
Tiago [S(-)]

¿Qué ha pasado?

As típicas alergias de rinossinusite na Primavera não me deixavam dormir. Estávamos em março de 2014. Do outro lado da casa, os meus pais estariam a  discutir os pormenores de uma viagem de trabalho a Alicante, Espanha. Recordo-me que já era bastante tarde, mas isso não me impediu de entrar a correr pelo quarto dos meus pais e quase implorar para que me deixassem ir. A viagem seria só em julho, precisamente na semana em que eu faria 12 anos. A minha mãe não queria deixar de estar presente no dia do meu aniversário e acabou por ceder. Eu estava maravilhado com a ideia de sair finalmente de Portugal. Mas estava longe de imaginar que a viagem não iria correr bem.
Faltavam agora, cerca de duas semanas para a viagem. Num acidente estúpido, escorreguei e parti o braço. Nunca tinha feito uma fratura, mas, quando fiz, consegui partir os três ossos do meu  braço direito de uma só vez. É claro que 7 horas dentro das urgências do Hospital Santa-Maria completaram o meu dia perfeito. Com tantos dias para partir o braço, fui escolher um dia de greve de enfermeiros. Sorte ou azar, aconteceu. Rapidamente as minhas férias começaram a piorar.
Duas semanas depois, e já com três quilogramas aplicados junto ao cotovelo, começámos uma longa viagem de carro. Recordo-me que saímos de casa por volta das seis da manhã. No carro, o desconforto de ter o braço ao peito não me deixava dormir. Exaustos e esfomeados, chegámos ao hotel por volta das cinco da tarde. Pousámos as malas, e fomos para as ruas de Espanha. Não consigo explicar ao certo os sentimentos de um miúdo de onze anos que, pela primeira, vez saíra do seu país materno. Apesar de ser o nosso país vizinho geograficamente, toda aquela atmosfera era diferente. Uma das coisas em que encontrei grandes diferenças, foi o pavimento. Habituado à calçada portuguesa, encontrar um chão negro e áspero recordava-me de que estava no estrangeiro.
Os dias iam passando e eu questionava-me se teria ou não valido a pena todo aquele esforço para passar dias e dias em reuniões. O sexto dia do mês de julho chegara e eu já estava mentalizado para passar mais um dia nas salas de reuniões. Mas aquele dia era diferente, eu sentia-o na expressão da minha mãe. Iria passar o meu aniversário em Benidorm, a pequena cidade com  prédios altos e modernos junto à costa Este de Espanha.
Não tínhamos fatos de banho e eu tinha gesso ao peito. A ideia de ir à água estava fora de questão, teria de contentar-me com a vista.  Até que o meu pai me levou à feira local e comprou dois pares de calções de praia de muito má qualidade. Milhares de perguntas bombardearam o meu cérebro: “Para quê dois pares? Porque é que têm tamanhos diferentes?...” Comprara também sacos plásticos e fita-cola industrial. Sorriu e disse-me para esticar o braço direito. Colocou os sacos e pôs fita-cola em redor do meu braço engessado. Ajudou-me a vestir os calções e fomos para a praia.
No areal, os turistas e os espanhóis olhavam espantados para mim. Mas eu não queria saber, segurei a mão do meu pai e entrei junto a ele nas águas do Mediterrâneo.
João R. [B(-)/B]

A Sul é mais interessante!

“A Sul é mais interessante!” é uma frase que define Portugal muito bem, pois as zonas de Lisboa e do Algarve são, sem dúvida, mais interessantes aos olhos da maioria dos turistas e da maioria dos portugueses, graças às lindas praias da nossa costa e da compaixão dos portugueses para com todos (desde que estes não ofendam a sua querida pátria).
Mas este texto não se refere a Portugal, mas a um país pelo qual tenho muito afeto, a República da Coreia (ou Coreia do Sul).
A Coreia do Sul tem uma cultura profunda e interessantíssima, mas é ofuscada pela relevância internacional da sua vizinha, a Coreia do Norte. Este ofuscamento tornou-se mais relevante desde que uma possível cimeira entre o Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jeong-eun, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi anunciada.
Continuando com o tópico da Coreia do Sul, venho apresentar alguns locais que visitei em Seoul quando lá estive de férias, em agosto de 2017. Cheguei a Seoul de manhã, com a minha mãe. Tinha aprendido coreano no início do ano, graças ao meu interesse pela cultura sul-coreana, e então foi bastante “divertido” traduzir as palavras aos meus pais. De facto, senti-me muito bem por conseguir fazê-lo.
Fomos para o hotel, arrumámos as nossas roupas e outras coisas que tínhamos connosco e fomos comer ao restaurante do hotel. Depois, fomos visitar à vila de Bukchon Hanok, uma vila antiga que data até 1500. Esta vila é uma simples área residencial, mas a beleza das contruções que refletem a visão dos coreanos durante a Dinastia de Joseon, com a utilização do Neo-confucionismo, é realmente uma imagem incrível. Esta vila é cercada por dois enormes palácios: a oeste, pelo Gyeongbokgung (cujo significado é “Palácio da Felicidade Brilhante”) e a este pelo Changdeokgung (cujo significado é “Palácio da Virtude Prosperante”).
O Gyeongbokgung é considerado o mais belo palácio de entre os chamados “Cinco Grandes Palácios de Seoul”, aos quais também pertence o Changdeokgung. Os mais de 7700 quartos do palácio foram completamente destruídos nas invasões japonesas do século XVI, mas foram mais tarde reconstruídos no final do século XIX, pelo Rei Gojong. O Changdeokgung foi o palácio preferido pelos Reis da Dinastia Joseon e tem ainda bastantes marcas da ocupação japonesa, no início do século XX. Tive a oportunidade de visitar o exterior e o interior destes dois monumentos da história coreana, e foi uma experiência incrível, pois estive dentro dos quartos e consegui ver a arquitetura coreana do século XVI.
No dia seguinte, visitei a zona de Myeongdong. Esta zona é equivalente à 5ª Avenida de Nova Iorque ou à baixa de Lisboa, sendo a grande zona comercial da cidade. Estivemos lá de manhã, dado que, por volta das 12h, se enche e torna-se impossível de lá andar sem dar um encontrão a cada três segundos.
Ainda em Myeongdong, fomos a uma sessão de autógrafos dos BTS (방탄소년단), uma banda de K-Pop muito conhecida, não só na Coreia, mas também no mundo, sendo a banda com o maior grupo de fãs do mundo. Enquanto lá estive, recebi autógrafos dos sete membros da banda e tirei algumas fotos. Foi uma experiência muito boa visto que é a minha banda preferida.
Nos dias seguintes, visitámos algumas outras atrações turisticas. Mas a parte mais importante desta viagem, pelo menos a meu ver, foi o penúltimo dia em que lá estivemos, dia 26 de agosto, quando se realizou a Grande Final da LCK, a liga coreana de League of Legends. Com o título de campeão em título, um lugar garantido no Mundial e um prémio de 75.000€ na linha, a final realizou-se num formato de Melhor de cinco entre a Longzhu Gaming, que tinha dois  veteranos e três novatos, sendo a grande surpresa da temporada, e a SK Telecom T1, que já tinham vencido a LCK por cinco vezes, além de três vitórias no Mundial. A Longzhu levava para o jogo a sua imprevisibilidade, já a SKT levava o seu trabalho de equipa e a qualidade técnica de um dos seus jogadores, Lee Sang-hyeok, mais conhecido por Faker, o melhor jogador da história do League of Legends.
Os dois primeiros jogos foram renhidos, mas a Longzhu conseguiu a vitória em ambos. No terceiro jogo, os SKT conseguiram responder e muitos acreditavam e que conseguiriam fazer o “reverse sweep”. Mas, no quarto jogo, um dos membros da Longzhu brilhou e conseguiu vencer a partida para a sua equipa, levando para casa o título de MVP da final. Foi uma final excitante de ver ao vivo, pois nunca tinha tido esta experiência, que vou recordar em toda a minha vida.
Foi uma viagem incrível, que quero repetir este ano novamente.
João Grego [B(+)]

Viagem aos Picos da Europa

Nunca me passaria pela cabeça vir a gostar de passear por montanhas, até que, de repente, me confronto com a grande cadeia dos Picos da Europa em Espanha. Inicialmente, a viagem nem iria ser feita, devido ao mau tempo, que tinha sido noticiado pela metereologia, mas não foi o tempo que nos fez abdicar duma das minhas maiores aventuras de até então.
Fui de carro e não de avião. Era muito mais barato e, assim, aproveitava-se para ir visitando outros sítios pelo caminho, ver a vista e apreciando os ares do campo. Comigo levava uma mala cheia de roupa quente, luvas, gorros, camisolas de gola alta, tudo aquilo que me ajudasse a não passar tanto frio quando estivesse a enfrentar as grandes massas de neve da cordilheira.
No primeiro dia previa-se chuva para o dia todo e, curiosamente, nem caiu uma gota. Apartir desse dia, fomos desconfiando das ''dicas'' dos metereologistas sobre o que prevenir em relação ao ''mau tempo''. Jamais tinha visto tanta beleza em apenas um piscar de olhos, nunca tinha visto tal cenário. Telhados brancos, árvores cobertas de neve até ao cimo e um extenso prado totalmente camuflado por uma espessa camada branca, esta será talvez a mais fácil e mais pobre descrição sobre o que observei naquele local.
Depois do passeio, nada melhor do que ir jantar a um restaurante típico da região e poder saborear esse momento na presença de amigos. O melhor é que, ao contrário dos menus em Portugal, em Espanha os menus têm primeiro prato, segundo prato e sobremesa incluídos. Como eu sou um rapaz de saciar bem o estômago, este tipo de serviço para mim era como a cereja no topo do bolo.
No dia seguinte, fomos de teleférico até ao topo duma das montanhas que tinha três ou quatro quilómetros de altura. No início, parecia um pouco assustador mas rapidamente me apercebi de que não era preciso ter medo de nada. A viagem, tanto na ida como na volta foram bastante calma aproveitando-se para ir adorando as magníficas paisagens das montanhas.
A roupa que tinha vestido para o passeio que ia fazer na montanha era muito inapropriada, tanto que acabei por gelar completamente as mãos e os pés: não foi nada bonito, os meus dentes batiam e as minhas mãos e os meus pés estavam tão frias, que até começavam a queimar.
Entretanto, de tanta dor acabei por acordar. E foi assim que acabei por ganhar uma enorme vontade ir um dia visitar as cordilheiras de Espanha. Foi uma viagem incrível, oxalá tivesse verdadeiramente acontecido.
Pedro R. [S]

[Título]
Em Vila Nova de Tazem não existem muitas pessoas. Sendo uma vila antiga e desconhecida por muitos, as pessoas que lá vivem são os mais velhos que passaram lá toda a sua vida e cujos filhos e netos foram para a cidade.
Esta vila não é um ponto turístico usual, mas, tendo uma ótima vista para a Serra da Estrela e estando bastante perto da mesma (10/15 min a conduzir), é um lugar espetacular para descansar e esquecer um pouco os problemas. existem inúmeras atividades para realizar em Vila Nova de Tazem ou perto da mesma, desde estar sentado na esplanada do "Cunha" a beber uma bebida gelada até ir caminhar pela Serra da Estrela. As pessoas que habitam esta vila são pessoas excelentes com as quais é muito fácil de comunicar e ouvir as estórias vividas por elas é uma atividade que prova ser recompensadora.
Na minha opinião, a melhor atividade para se realizar nesta vila é passear por ela e pelos seus campos acompanhado de amigos a apreciar a paisagem cheia de animais de todos os tipos, desde animais de grande porte, como cavalos e vacas, até simples gatos que andam pelas ruas, a sentir a brisa e o cheiro da natureza. Como já referi, a vila não é grande e nunca ninguém se perdeu a tentar explorá-la. O meu lugar favorito para estar a passear e para relaxar, chama-se "tapada do Bairro". Aqui existem carvalhos lindos que proporcionam um lugar com sombra e bastante confortável para fazer um piquenique ou estar sentado a falar com amigos. Também há um grande vinhal que tem as melhores uvas que já provei.
Outra atividade bastante interessante é visitar o museu do pão na Serra da Estrela onde a história do pão é explicada e diferentes receitas de pão estão expostas. Neste museu existem quadros magníficos feitos de pão, um restaurante, com vista para Seia e para o resto da serra, e uma loja onde se vende pão e acompanhantes. Este conjunto de caraterísticas faz deste museu um ótimo lugar para passar uma tarde.
Para pessoas como eu que gostam de passear mas preferem ficar em casa aconselho irem a Vila Nova no inverno, quando está a nevar, estar à frente de uma salamandra a ver a neve a cair e a ver a serra branca, a conversar com amigos e a comer a bola regional quentinha, é uma das minhas atividades favoritas.
Ir para a praia fluvial na Serra da Estrela também está na minha lista de preferências. Esta praia, apesar de a água ser gelada, é linda e ninguém a conhece. Estar nesta praia prova sempre ser recompensante, a conexão com a natureza, ouvir o barulho dos pássaros, sentir o cheiro dos pinheiros e castanheiros e sentir que estamos rodeados só por natureza intocada pelos humanos.
Apesar de Vila Nova parecer espetacular todas as manhãs passam ovelhas pelas ruas a fazer muito barulho e, no verão, os incêndios da Serra da Estrela são assustadores do ponto de vista de alguém que está nesta vila. Mesmo assim sinto que vale a pena visitar Tazem, com tantas coisas para fazer, boas pessoas, ótima comida, a simplicidade das coisas. Não consigo parar de pensar em Vila Nova como sendo uma casa, um mini paraíso, um lugar para o qual posso simplesmente fugir e esquecer tudo.
Tomás [B-/B(-)]

[Título]
Fui de viagem até Gondarém, uma pequena freguesia no conselho de Vila Nova de Cerveira, onde fica a casa dos meus falecidos bisavós em que passo sempre duas semanas das minhas férias de verão. É uma casa pequena mas muito acolhedora, com um terreno de perder de vista. No primeiro verão que lá fui, não visitei apenas a minha terra como também todas as outras das redondezas.
Passei por Viana da Castelo no dia de Nossa Senhora da Agonia para ver aqueles típicos desenhos feitos apenas de sal e para ver também a feira. E não poderia faltar a visita ao centro comercial e ao funicular de Santa Luzia, juntamente com a igreja do mesmo nome, que do seu topo tem uma vista lindíssima.
Em seguida, dirigimo-nos a Ponte de Lima onde passeámos pela ponte sobre o rio Lima, apreciando as lindas paisagens daquela região.
De Ponte de Lima seguimos para Caminha onde fomos à feira, que é todas as quartas feiras, e onde pudemos visitar o mercado, com o típico cheiro a peixe fresco, a Igreja Matriz de Caminha e o parque de campismo de Vila Praia de Âncora onde passámos um dia inteiro nas piscinas. Acabámos também a ver o Monte do Calvário e a Igreja Matriz de Vila Praia de Âncora, começando a perceber que todas as igrejas que visitávamos eram todas bem cuidadas e decoradas.
No resto da semana, fiquei por Gondarém, onde passei o tempo quase todo na piscina na casa dos meus tios-avós, que tem uma vista magnífica para o rio, para toda a serra e para a Ilha dos amores. Durante a noite, as luzes da piscina acendiam-se, ficando apenas aquela luz e a luz das estrelas a iluminar a paisagem.
Na semana seguinte, passámos por Vila Nova de Cerveira onde visitámos também a feira, e, em seguida, subimos até ao topo da serra para vermos o típico Cervo de Vila Nova de Cerveira. Nessa semana, passámos também por Valença para visitarmos o Forte de Valença e toda a sua beleza interior. Passámos lá um dia inteiro a ver as lojas e todo o artesanato de diferentes tipos.
Na vinda de volta para Lisboa, já quase que é tradição fazermos uma paragem na Bairrada para comermos o delicioso leitão que se cozinha naquela zona.
Aconselho muito esta viagem para quem gosta de um ambiente sossegado mas, ao mesmo tempo, cheio de atividades de diferentes tipos para todos os gostos e idades. São sítios excelentes para relaxar e para passear em família, ficando a conhecer melhor o património do nosso país.
Carolina [B/B(-)]

Nova Iorque brasileira

O meu pai dissera-me que iríamos para o Brasil no mês seguinte.
Já com malas, feitas e revistas, o meu tio Filipe ligou-nos para avisar que já estava pronto e à espera à nossa porta. Saímos de casa (meio tristes por deixá-la para trás e meio otimistas para ver o que o futuro nos guardava), e lá estava ele com um grande sorriso por nos ver. Após uma breve reunião pusemos as malas no porta-bagagens e sentamo-nos prontos para partir. Quando chegámos ao aeroporto tivemos que nos despedir do nosso "motorista" para prosseguir com o plano. Nada que ele não estivesse habituado visto que também fazia muitas destas viagens, mas custou-nos à mesma. Fizemos tudo de acordo com o que nos foi indicado e passámos pela segurança habitual sem problemas (mais tarde, foi-me dito que transportáramos café a mais, e só não me disseram na altura para não provocar uma reação mais suspeitosa).
Não consegui dormir no avião e o meu pai também não, já o meu irmão e a minha mãe conseguiram-no sem problemas. No entanto, não foi tudo mau. O avião era mais moderno e já tinha ecrãs com filmes disponíveis na parte de trás de todos os bancos por isso consegui-me distrair das doze longas horas que se seguiram. Ao chegar, apercebi-me de duas coisas instantaneamente: que havia um grande contraste da temperatura de dentro do avião para fora e que o Brasil é vastamente mais populoso que Portugal. Isto causa um certo choque (não só térmico) numa criança com nove anos, de repente ter o dobro ou o triplo das pessoas à minha volta, não é um processo fácil. Não era a primeira vez da minha mãe no Brasil; então. já tinha uma certa ideia do que fazer e chamou um táxi depois de irmos buscar as nossas malas.
Para terem uma noção de como é São Paulo, o taxista que nos levou não sabia onde era o nosso apartamento alugado porque era noutro bairro. Foi a minha mãe que teve de pesquisar na net como se chegava lá, mas é compreensível tendo em consideração o tamanho daquele país. Chegamos ao edifício luxuoso que serviria como nossa casa durante as semanas seguintes. Era um duplex, ou seja, dois andares com uma escada encaracolada a servir de ligação de que eu e o meu irmão nos apoderámos, rapidamente, para as nossas brincadeiras. O resto da casa era confortável mas não tão luxuosa quanto o exterior levaria a imaginar: duas casas de banho, uma cozinha espaçosa, uma grande sala (que servia de quarto para o meu irmão e para mim, à noite).
Após umas voltas pela cidade decidimos ir a uma praia que a minha mãe conhecia e recomendava chamada Rivieira de S. Lourenço. Não era tarefa fácil pois, volto a lembrar, a escala brasileira é diferente da nossa: esta praia ficava a cinco horas de carro graças ao trânsito extremo que faz parte do quotidiano brasileiro. No entanto, prosseguimos com o nosso plano e preparámos as malas. O meu pai fez sandes com variados ingredientes, incluindo atum, frango assado, salsicha, patê, para nós comermos durante a viagem.
Decidimos lá ficar dois dias. Reservámos dois quartos de hotel, um para o meu irmão e para mim, e outro para os meus pais. O hotel tinha um aspeto luxuoso e extravagante e, só para  o tornar ainda melhor, uma sala de jogos (que, mais tarde, se provaria útil nos momentos mais entediantes desta viagem). Já na praia, com toalhas deitadas, reparámos que havia uma tenda de praia com um número pouco usual de clientes e fomos investigar. Vendia uns pastéis recheados com carne picada e/ou queijo com massa estaladiça e nós não pensámos nada de mais sobre os mesmos mas, como já estava a ficar tarde, decidimos pedir 25 pastéis: 10 com carne, 10 com queijo e 5 sem recheio. De repente, começou a chover, violentamente. O chapéu que nos resguardara do sol agora protegia-nos da chuva e, mesmo assim, um jovem de aproximadamente vinte anos veio trazer os pastéis previamente encomendados. Nunca comi nada melhor na vida, estava tudo perfeito. A temperatura, apesar da chuva, estava ótima (tanto do mar como da chuva).
Infelizmente, tivemos que voltar para Portugal, pois as aulas iriam recomeçar brevemente, e passámos por todo o processo de segurança do aeroporto mais uma vez. Ao chegarmos à nossa pátria, avisaram-me da probabilidade de voltarmos ao Brasil mas durante mais tempo, para ser mais exato, três anos.
G. Maia [S+/B-]

Finlândia uma viagem repleta de memórias

Há muito tempo que sonhava em realizar uma viagem fora de Portugal, poder levantar voo para um lugar que me fosse desconhecido.
Até que chegou o dia em que entrei no ginásio, quando ia ter o meu último treino da época e recebi a notícia de que iríamos até à Finlândia fazer ginástica.
E foi no dia 12 de julho de 2015 que concretizei um dos meus maiores desejos.
O ficar sem ar, assim que entrei no aeroporto, a excitação de entrar pela primeira vez num avião, a dor de ouvidos ao descolar, o sentir o estômago a chegar à boca e, para completar, o chamarem-me para ir até ao coque pit, tudo se tornou realidade naquele dia.
Assim que saí do avião, senti logo o frio e a chuva daquele belíssimo país nórdico.
Eram seis da manhã e já se via uma enorme confusão na cidade. Ao longo dos dez dias que lá estivemos, pude perceber que os finlandeses começam a trabalhar muito cedo e consequentemente, tomam as suas refeições aproximadamente duas horas antes de nós, portugueses. À meia-noite já ninguém tem as luzes de casa acesas.
Durante estes dias, para além de termos tido as nossas inúmeras exibições, também tivemos tempo para descobrir um pouco de Helsínquia.
Todos os dias havia algum acontecimento que nos levava a descobrir um pouco sobre a cultura dos finlandeses.
Na primeira noite, como de costume estávamos a conviver um pouco nas redondezas da escola onde estávamos alojados e, por volta da uma da manhã, entraram dois rapazes a fazer piões com uma mota no meio dos campos de futebol. Descobrimos então que estes momentos alucinantes, pois como aquele houve muitos mais, apenas aconteciam às sextas e sábados, pois eram os dias em que no dia seguinte ninguém trabalhava. Então, as pessoas aproveitavam para se exceder um pouco nos seus vícios.
No dia seguinte, fomos visitar o centro da cidade de Helsínquia. A cidade com todos os seus transportes públicos, permitia-nos ter uma vida subterrânea, o que é bastante bom na época de grandes temporais. Percebemos também que foi naquela cidade que surgiu uma das primeiras famosas lojas da Magnum.
Alguns dias depois, juntámo-nos com toda a nossa comitiva do Sporting e apanhámos um barco até uma pequena ilha, a Ilha do Amor. A Finlândia é banhada por um mar repleto de maravilhosas e pequenas ilhas. Visitar aquela pequena aldeia rodeada de mar foi concretizar o sonho de conseguir dar a volta a uma ilha e poder nadar nos seus mares com o medo de ser devorada pelo fantástico e famoso monstro do lago Ness.
No último dia tive a oportunidade de ir até  um novo país, de cruzeiro. Fomos até à Estónia. Tallinn é uma cidade maravilhosa, rodeada de casas tradicionais belíssimas e de floridos campos lindíssimos.
Voltei para Portugal a 22 de julho, de coração cheio de novas aventuras e memórias magníficas.
Mafalda [B-]

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